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Uma questão muito além do dinheiro! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 17 December 2015 02:56

Caros amigos, neste mundo selvagem dos negócios, a questão financeira tem um papel preponderante na tomada de decisões em qualquer seguimento. Mesmo antes disso, usando o exemplo da nossa música, nossos compositores já falavam disso, como Paulinho da Viola (Dinheiro na mão é vendaval), Caetano Velloso (Sampa – da força da grana que ergue e destrói coisas belas) e mesmo há quase um século, Noel Rosa (Infortúnio – quando o infortúnio nos bate a porta, o amor foge pela janela).

 

Três semanas atrás escrevi nesta coluna sobre a delicada questão financeira em relação a continuidade ou não da realização do GP dos Estados Unidos no Circuito of the Américas – COTA – por razões econômicas e a decisão da prefeitura local em diminuir o aporte financeiro para a realização da corrida em pouco mais de 20%.

 

É sabido por todos que um dos maiores desejos, talvez o maior, de Bernie Ecclestone é ver a Fórmula 1 devida e definitivamente estabelecida nos Estados Unidos. Uma penitência de quatro décadas com um somatório de revezes maior do que o de sucessos e agora, com o COTA, em Austin, quando tudo parecia caminhar para, finalmente, um marco de sucesso longevo ser estabelecido, mais uma vez o sonho ameaça tornar-se um pesadelo.

 

O corte no orçamento da prefeitura local e a proximidade com o GP do México vieram juntos com um furacão que por pouco não obrigou o cancelamento da corrida e isso fez com que o público na corrida de 2015 fosse muito menor do que nos anos anteriores. Para 2016, haverá um intervalo de duas semanas entre o GP dos Estados Unidos e o GP do México, caso a corrida norte americana aconteça.

 

Bernie Ecclestone, em entrevista a rede britânica Sky Sports, disse que acredita que Eles (os promotores locais) conseguirão resolver suas questões financeiras... só que isso me remete ao caso do GP de New Jersey, com a vista da Ilha de Manhattan ao fundo, outro sonho de Bernie Ecclestone, que por dois anos apareceu no calendário provisório do ano seguinte mas que seus promotores locais nunca conseguiram “resolver suas questões financeiras”.

 

A Fórmula 1 ganha dinheiro para levar sua corrida a um determinado país. A VICAR, por exemplo, paga o aluguel de um autódromo para poder fazer uma corrida naquela pista. É uma relação bem diferente e não parece que Bernie Ecclestone tenha intenção de mudá-la. Afinal, há uma lista de países candidatos a sediar uma corrida da Fórmula 1 pagando até 60 milhões de dólares (por ano) para fazê-lo.

 

Talvez (acho que certamente possa ser uma palavra mais adequada) a relação conflituosa que tem havido com as equipes, em um front de batalha, com as poderosas montadoras Mercedes e FIAT (Ferrari), no outro com as pequenas e médias (Sauber, Force Índia e Manor) e que ele precisa para “completar o grid”, uma vez que, pelo menos até cinco minutos atrás, ele não queria ouvir falar sobre equipes grandes com três carros no grid.

 

Não bastasse isso, até onde a Renault, que volta em 2016 como equipe oficial, vai se comprometer e para que lado vai pender suas decisões com relação ao jogo político da categoria é um fator ainda não definido, embora a probabilidade maior seja a de aliar-se às outras duas montadoras e piorar as dores de cabeça do chefão da FOM.

 

Uma das ideias em curso é, entre as mudanças para conter os custos, estão a busca para ampliar a vida útil das unidades de potência, limitando o uso de três motores por piloto por temporada, ou seja, um motor para cada sete corridas do campeonato, e levando as construtoras a usar materiais menos sofisticados para reduzir drasticamente os custos de fornecimento às equipes menores do grid.

 

A questão é: se este ano, com cinco motores para a temporada, já foi complicado cumprir esta meta, o que podemos esperar de um regulamento que exija que as equipes andem apenas com três motores? Talvez com os carros fazendo os trechos de descida na outrora famosa “banguela” e assim poupá-los um pouco.

 

A questão do custo dos motores levou Bernie Ecclestone a travar e perder (ao menos por enquanto) sua luta para quebrar aquilo que ele chama de “dependência das grandes montadoras” quando o assunto são os motores da categoria. A tentativa de permitir um “motor alternativo” fracassou e, depois de tanto investimento em motores que podem ter estudos utilizáveis na indústria automotiva, este é um território que Mercedes, Renault, FIAT e Honda não cederão um centímetro sequer... a menos que Bernie Ecclestone queira ver todas fora da categoria.

 

Mas isso não implicaria na saída das equipes? Tentem imaginar uma Fórmula 1 sem Ferrari? Todos os lados sairiam perdendo, isto é certo. A questão é quem vai perder mais (ou menos) com os passos futuros? Há uma grande aposta nas possíveis e radicais mudanças para o regulamento de 2017, onde os carros mudariam radicalmente, os motores ganhariam mais potência (e ruído?). Mas até onde Ferrari e Mercedes, hoje as donas do cacife, aceitarão mudanças? Elas tem olhado seus interesses corporativos e o retorno que deles advirão (olha a questão financeira mais uma vez em evidência), onde a competição e a vitória nesta competição nada mais é que uma vitrine comercial.

 

E enquanto isso a audiência cai, o público dos autódromos se esvai e quando o Bernie Ecclestone estiver com 105 anos e vivo (eu da minha parte já não sei se estarei), meu sucessor estará escrevendo sobre corridas em lugares onde nunca se correu de carro nos anos 90 ou 80 ou 70... mas que pagarão fortunas para ter uma corrida da Fórmula 1 por lá.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva