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O COTA está em risco! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 02 December 2015 21:34

Caros amigos, a temporada da Fórmula 1 terminou no último final de semana em mais uma sonolenta corrida, algo que vem tirando o sono de Bernie Ecclestone já há algum tempo. Contudo, o que não lhe falta são motivos para perder o sono neste negócio que ele comanda há quatro décadas e parece estar passando por uma crise maior do que talvez possa ser a sua paciência (da capacidade eu não duvido) de ter que lidar com o que vem acontecendo.

 

Bernie Ecclestone sonhou grande e conseguiu fazer da Fórmula 1 um dos maiores espetáculos da terra, mas mesmo tendo conseguido tal feito, sempre houve uma pedra em seu sapato, algo a incomodá-lo de forma continua e persistente e da qual ele lutou para que aquele inconveniente deixasse de existir: o estabelecimento da Fórmula 1 nos Estados Unidos!

 

Desde os anos 50, desde antes dele, desde quando a categoria começou, a Fórmula 1 tentou fazer parte “do universo particular” dos norte americanos. Foram corridas de rua em diversas cidades, corridas em alguns autódromos. Bernie Eccelestone conseguiu que fizessem um misto em Indianápolis para colocar uma corrida por lá (mas aí a Ferrari estragou tudo)... nada parecia estar dando certo até surgir o projeto do COTA (Circuit of the Americas).

 

Um projeto caro, audacioso, um dos poucos que levaram a assinatura de Hermann Tilke e que não foi vítima de um tsunami de críticas e que, nos seus primeiros anos foi um sucesso de público e de crítica, com elogios de todas as partes, arquibancadas lotadas e um crescimento dos projetos em seu entorno que apontavam para mais um sucesso de empreendimento dos norte americanos em fazer algo dar retorno “do nada”. Afinal, ali onde foi feita a pista era um deserto.

 

Acontece que quando se fala em “retorno” no meio dos negócios este realmente só começa quando são pagos os custos do investimento e o custo de se construir um autódromo padrão FIA 1 é muito alto. No caso do COTA, foram aplicados 300 milhões de dólares na construção do circuito e é bom lembrar que o que mais se aproxima nos Estados Unidos da Fórmula 1 – a Fórmula Indy – corre em lugares em que nem a ânsia financeira de Bernie Ecclestone levaria a categoria.

 

Além do custo inicial e do custo de se manter um local como aquele para ser palco de poucas categorias, o governo do estado do Texas pagou a FOM 250 milhões de dólares para receber a categoria por dez anos, acreditando no retorno de arrecadação de impostos, ocupação dos hotéis e restaurantes e do retorno de visibilidade para a cidade de Austin e todo o estado.

 

A lógica parecia estar indo no caminho certo, mas dois problemas podem colocar em risco até mesmo a corrida de 2016. O primeiro foi o furacão Patrícia, que chegou a colocar em risco a realização da corrida – que acabou sendo uma das mais disputadas da temporada por conta das mudanças de condições da pista – e da baixa presença de público em relação aos anos anteriores... só que esta baixa de público pode não estar condicionada apenas à questão meteorológica.

 

Calcula-se que uma grande parte do público que foi ao COTA até o ano passado era de mexicanos, torcedores de Sergio Perez e que, com a volta do Grande Prêmio do México, os mexicanos teriam “deixado para torcer em casa”, uma vez que apenas uma semana separou as corridas do COTA e do Circuito Hermanos Rodrigues... e no próximo ano as corridas também estarão na reta final do campeonato, em sequência.

 

Por mais desejo que Bernie Ecclestone externe quando afirma que quer ver a Fórmula 1 nos Estados Unidos, a questão primordial gira em torno de dinheiro e o governo do Texas fez um corte de pouco mais de 20% no valor investido pelo estado para a corrida de 2015, reduzindo para 19,5 milhões a transferência para a FOM, buscando a diferença com os meios comerciais... e isso passou longe de dar certo.

 

Pior que isso, o governador não está mostrando disposição a colocar o mesmo montante de dinheiro diretamente de seus cofres como fez nos três primeiros anos. A declaração mais lacônica em relação a esta situação partiu do CEO do COTA, Robert Epstein que se mostrou nem um pouco animado e acredita que pode haver uma suspensão, de forma indefinida, da realização do GP dos EUA em Austin e que, se nada mudar diante do que está sendo sinalizado pelo governador texano, eles, do COTA, estão bem encrencados, sendo possível até se dar um processo de insolvência da empresa.

 

Mais do que simplesmente fazer o corte de 5,5 milhões de dólares, segundo o porta voz do governo texano, a intenção para os próximos anos é que este seja mantido uma vez que o cálculo do impacto da corrida na economia local foi recalculado e a complexa situação financeira do estado do Texas, abalado pela crise mundial do petróleo, o que pode até aumentar o corte em relação ao cálculo feito inicialmente.

 

A questão vai muito além de desejos, interesses políticos ou mesmo comerciais. A matemática é cruelmente uma ciência exata quando é preciso se chegar aos números e à face de um empreendimento (a Fórmula 1) que parece estar tendo dificuldades em conciliar seus interesses, seus assombrosos custos e a realidade de se racionalizar as questões para encaixar todas as peças do intrincado tabuleiro que a envolve.

 

De que adianta se fazer uma corrida num lugar com um cenário cinematográfico, mas no meio do nada, sem nenhuma emoção e com corridas sonolentas se não haverá ninguém a vê-las na televisão? A corrida em Austin tem sido uma das melhores da temporada em todos os seus quatro anos e não é a bilheteria que sustenta a FOM, mas sim seus contratos de publicidade e venda de direitos de transmissão. É daí que vem do grande volume de recursos.

 

Não é possível que não estejam levando isso em conta para que as contas fechem. Pior será se, no final, quem vier a fechar seja o COTA!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva