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A raposa e o galinheiro! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 25 November 2015 22:01

Caros amigos, a ambição e o desejo de poder, seja em termos físicos ou mentais, seja mesmo apenas para se sobrepujar sobre uma pessoa, mostrando ter mais intelecto ou força física, seja mostrando maior capacidade de articulação e cooptação que seus concorrentes ou mesmo pseudo-aliados.

 

Quando foi criado o “Conselho de Estratégia” da Fórmula 1, uma proposta que teve uma forte influência de Jean Todt, então reeleito Presidente da FIA, com uma clara, mas não manifesta ideia de diminuir o poder de Bernie Ecclestone e da FOM por conta dos quatro primeiros anos de disputas de bastidores e sorrisos falsos para as câmeras.

 

Na composição do tal do “Grupo de Estratégia” foi feita uma divisão tripartite dos votos, cabendo 6 deles à FIA, 6 à FOM (empresa de Bernie Ecclestone) e 6 às equipes da F1, sendo 5 vagas permanentes (Ferrari, McLaren, Williams, Red Bull, Mercedes e a melhor colocada no Campeonato de Construtores que não seja uma destas cinco, posição hoje ocupada pela Force Índia). Além disso, a Ferrari, por ser a equipe que está na Fórmula 1 desde o seu início, detém um poderoso – e perigoso – poder de veto que permite a ela vetar qualquer decisão em relação à categoria que não seja de seu agrado ou vá de encontro aos seus interesses.

 

Ontem (terça-feira) a revista alemã ‘Sport Bild’ publicou que as equipes rejeitaram a proposta que Bernie Ecclestone vinha articulando com Jean Todt para mudar os motores da categoria ou, ao menos, proporcionar uma alternativa aos atuais (sim, por vezes eles trabalham juntos). O francês tem deixado a entender que “pode ter sido audacioso demais” ao querer implementar uma mudança tão grande na Fórmula 1 ao adotar os atuais motores ou como são chamadas, “unidades de potência”.

 

Uma conta que não fecha é que, para se aprovar qualquer alteração no regulamento para o ano imediatamente seguinte, depois do final dos testes pré-temporada, esta mudança teria que ter unanimidade dos votos. Ou seja, qualquer mudança para 2016 teria que ser tomada antes do final de fevereiro de 2015. Contudo, uma mudança para 2017 precisaria apenas de 10 dos 18 votos.

 

Se Bernie Ecclestone queria mudar os motores (6 votos) e Jean Todt admitia que seria necessário mudar (6 votos), só há uma maneira da proposta de mudança não ter sido aprovada: o veto da Ferrari! Além disso, os italianos certamente foram apoiados pelos alemães da Mercedes e pelos Ingleses da McLaren, que já investiram uma fortuna na parceria com a Honda. Como Williams e Force Índia dependem dos motores da Mercedes, a Red Bull deve ter ficado sozinha no campo de batalha.

 

Para não ficaram de “vilãs” nesta disputa, as montadoras se comprometeram a desenvolver um plano próprio que trata da redução de custos das unidades de potência, bem como do aumento do ronco dos motores, e apresenta-lo até 15 de janeiro de 2016. Para 2017, ou talvez para 2018, a FIA deve determinar um número mínimo de equipes para quem as fornecedoras serão obrigadas a vender suas unidades de potência.

 

Convido os estimados leitores a voltar no tempo comigo até os anos de 2006 e 2007, quando estavam na Fórmula 1 algumas das maiores montadoras da indústria de automóveis (Mercedes, BMW, Toyota, Honda, Renault e FIAT-Ferrari). A relação com a FOM de Bernie Ecclestone chegou a um ponto de desgaste tal que as montadoras ameaçaram criar um campeonato entre elas e deixar em bloco a Fórmula 1.

 

Tal fato, felizmente, não aconteceu, em grande parte precipitado pelo impacto da crise que abateu-se sobre a economia mundial e em uma parte também por uma manobra que gerou uma fratura no bloco, com o oferecimento de vantagens à Ferrari, como o futuro e há anos consumado, poder de veto.

 

Por outros caminhos, mas com o mesmo efeito, as grandes forças da indústria automobilística fizeram uso de todo o seu poder político, na contramão do que Bernie sempre desejou desde que os novos motores híbridos foram adotados pela F1, a partir de 2014. Contudo, é preciso também que analisemos um outro aspecto.

 

Os altos valores investidos pelas montadoras para o desenvolvimento da tecnologia híbrida dos motores para a Fórmula 1, que juntando-se tudo que foi aplicado ao longo destes dois anos por Mercedes, Ferrari, Renault e depois pela Honda ultrapasse a cifra de um bilhão de euros. Sendo assim, não é ilógico da parte delas usar de todo o poder político que tem para rejeitar uma proposta alternativa mais barata, além do mais, seria algo ridículo, com um grid de 24 carros haver dois tipos de tecnologia de propulsores. Seria regredir ao início dos anos 80, quando a categoria tinha motores turbo e aspirados. Contudo, havia um contingente de 34 a 36 carros disputando a classificação em cada corrida.

 

Independente disso e da ideia que Bernie Ecclestone tem sobre a forma de gestão que deveria ser usada na Fórmula 1 (uma estrutura vertical com ele ditando as regras e a FIA endossando suas posições), o certo é que hoje, quem tem o real poder de decisão são as equipes, em especial, a Ferrari.

 

É como dar a chave do galinheiro para as raposas cuidarem de tudo.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva