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A dura luta pela sobrevivência! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 15 October 2015 00:18

Caros amigos, depois de uma ausência forçada na última semana, consigo retomar, aos poucos, as minhas atividades, especialmente, as que dizem respeito ao meio com o qual pago minhas contas: operar no mercado mobiliário. É justamente sobre questões de operações financeiras que tratarei na coluna desta semana.

 

Quando fazemos uma operação financeira, sempre há implicações para a instituição financeira, industrial ou comercial. No caso de pessoas físicas, investidores individuais, uma ação individual é algo normalmente pequeno. Em caso de muitas pessoas fazendo uma operação semelhante, haverá algum efeito, mas quando corporações fazem movimentos financeiros no mercado, as consequências podem ser enormes!

 

Uma das ações financeiras mais nocivas a um mercado de livre comércio são as ações de “thrusting”. Nestas operações, um grupo de corporações ou investidores manipulam regas e/ou o mercado para beneficiar seu grupo ou um grupo determinado em detrimento de outros do mesmo ramo, gerando um prejuízo nas operações destes grupos fora do grupo que o está praticando.

 

No início de junho o jornal inglês ‘The Financial Times’ publicou uma matéria onde afirmava que uma ação antitruste estaria sendo preparada pelas equipes médias e pequenas da Fórmula 1 (Force Índia, Sauber, Manor e Genii), contudo sem publicar os nomes das que estariam envolvidas nesta ação, uma vez que as fontes pediram para não ter os autores divulgados, temendo retaliações por parte da FOM.

 

A questão toda gira em torno de dinheiro. O dinheiro dos repasses da Formula One Management para as equipes com relação à divisão da receita oriunda das transmissões de TV e de patrocínios. Além disso, decisões tomadas pelo chamado “Grupo de Estratégia”, do qual fazem parte as 6 equipes melhor colocadas na temporada anterior. No caso, Mercedes, Ferrari, Red Bull, Mercedes, McLaren e Force Índia... que certamente está provendo de informações as outras equipes de menos recursos.

 

Estamos praticamente a um ano do movimento que ocorreu nos bastidores do GP dos Estados Unidos, que aconteceu em seguida ao GP da Rússia, quando foi ensaiado um boicote à corrida e que foi desmentido depois de equipes e Bernie Ecclestone chegarem a um acordo que permitira às equipes (Genii, Sauber e Force Índia) fechar as contas do ano de 2014.

 

Logicamente que Bernie Ecclestone tentou articular um acordo com as partes para este ano. Diga-se de passagem, este ano ele já pagou uma fatura pesada que a Genii tinha, ajuda sem a qual a equipe dos carros negros teria seu equipamento arrestado e proibido de seguir para a Itália, etapa seguinte.

 

Como a Manor tem sido mantida (a pão e água) e com uma enorme paciência na composição do grid deste ano, sobraram apenas a Force Índia e a Sauber para brigar contra o “status quo” que rege a categoria... e as duas decidiram ir às vias de fato, entrando com uma reclamação oficial à Comissão de Competições da União Europeia em relação à governança e a estrutura de pagamentos do certame, apontando um favorecimento por parte da CVC Capital Partners, acionista majoritária da Fórmula 1, por cinco equipes Mundial da categoria: Ferrari, Red Bull, Mercedes, McLaren e Williams.

 

A reclamação foi acatada pelo órgão e, segundo a comissária de competições, Margrethe Vestager, a União Europeia deve tomar uma posição em relação ao caso até o final deste ano.

 

Como tudo que se faz na vida gera uma ou mais consequências, que Sauber e Force Índia não esperem benevolência por parte de Bernie Ecclestone, independente da decisão da Comissão de Competições da União Europeia. A única coisa com a qual as duas equipes podem contar é com um efeito positivo perante à opinião pública. Uma retaliação explícita certamente provocaria uma reação contra a FOM e em tempos de perda de audiência, isto é algo que a empresa não precisa.

 

Algo que pode contribuir para que uma ação contra Sauber e Force Índia não seja tomada contra elas é a costura do acordo para que os carros da Red Bull e da Toro Rosso estejam no grid em 2016, uma vez que as duas estão as voltas de negociações para conseguir um motor para “empurrar os touros”.

 

Engraçado é a FIA querer ingerir em relações comerciais como a determinação para que a partir do ano que vem, as fornecedoras de motores (Mercedes, Ferrari, Honda e Renault) entreguem para as equipes-clientes a mesma especificação de motor que suas respectivas equipes estejam usando, sem distinção, entre não interfere para que haja uma melhor distribuição de recursos entre as equipes para diminuir o abismo técnico entre elas.

 

Aonde dirigentes, sejam das equipes, seja da FIA ou seja o Bernie pretendem chegar com esta disputa que pais parece um saco de gatos é algo a se questionar. Seja pela sobrevivência das equipes menores, seja pela sobrevivência da própria Fórmula 1.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva