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A medida justa e a justa medida! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 29 July 2015 21:58

Caros amigos, o meio do automobilismo nacional foi, mais uma vez, solapado por uma decisão de ordem jurídica que interferirá no andamento do campeonato da Stock Car, numa atitude que não tenho outra palavra – publicável – que não chamar de “descabida”, diante do que aconteceu no último domingo de Páscoa.

 

A decisão do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) em suspender por uma prova, além de imputar uma multa de 50 mil reais ao piloto Cacá Bueno por ter cometido “uma falta gravíssima” ao protestar de forma veemente, chamando de imbecis “o pessoal da CBA”, algo que todos que assistiram a corrida pela televisão e puderam acompanhar a conversa entre o piloto e a equipe, que foi colocada no ar pela emissora de TV por assinatura que tem os direitos de transmissão da categoria.

 

Na quinta-feira, após a corrida, escrevi sobre o assunto, não apenas criticando toda a confusão gerada, mas também a condição de massacrante exposição por parte do já referido canal por assinatura que transmite as corridas da categoria fez da pessoa, informando até o nome da mesma, que cometeu o erro ao não dar a bandeirada quando Cacá Bueno cruzou a linha de chegada (Leia Aqui).

 

O noticiário da imprensa que cobre o automobilismo, atualmente quase que restrito aos meios eletrônicos, fizeram questão de tomar a conversa de rádio, colocada na transmissão, como o motivo da punição imposta ao piloto, noticiando isto de forma direta e explícita. Contudo, há diversos pontos neste triste episódio que eu sou obrigado a questionar.

 

O processo aberto e a decisão do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) foram baseadas no relatório do Diretor de Prova e dos comissários, nas imagens da transmissão da corrida, em ambas? E o que teria sido escrito neste relatório sobre a ida do Piloto à torre de controle? São perguntas que precisam ser respondidas.

 

No ano passado, o piloto Beto Monteiro, da Fórmula Truck, foi punido com a suspensão por uma corrida após protestar contra uma decisão da direção de prova e dos comissários desportivos na subjetiva avaliação do “excesso de fumaça”, que não tem um sistema de medição precisa. O piloto foi acusado de ataque verbal contra um comissário, da mesma forma que Cacá Bueno foi acusado por ofender a direção de prova.

 

Eu não consigo desvincular esta atitude por parte do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) do relatório final da investigação sobre o acidente que vitimou o piloto Jules Bianchi, recém falecido, e que atribuiu a culpa do mesmo ao piloto, desprezando o fato que tinha sido colocado um trator numa área de escape de uma curva numa condição de pista molhada e com baixa visibilidade, pela chuva e pelo fim da tarde, hora postergada da corrida para “adequações comerciais”.

 

Voltando as “perguntas sem resposta”, se a direção de prova, ou um dos subordinados a ela, cometeu um erro ao não dar a bandeirada ou não informar (esta informação vem da torre de controle, da direção de prova) à pessoa responsável por dar a bandeirada ao vencedor que a bandeirada deveria ser dada naquele momento, quem errou? Não foi o piloto!

 

Se a emissora que detém os direitos de transmissão da categoria coloca na transmissão uma conversa – que deveria ser privada – entre a equipe e o piloto de um carro e este fala tudo o que quer por que pode, está falando com seus colegas de equipe e as consequências do diálogo é assunto da equipe, quem errou? Não foi o piloto!

 

Será que o STJD abriria um processo interno, dentro da CBA e agiria com tamanha rigidez, com tamanha energia contra o erro do Diretor de Prova, de um Comissário Desportivo ou Técnico ou mesmo um fiscal de pista que tenha cometido um erro ou desobedecido uma ordem ou infringido um ou mais artigos do regulamento?

 

Se fosse possível, será que o tribunal em questão julgaria culpada a emissora de televisão que transmitiu a corrida por expor uma comunicação dos boxes com um dos pilotos onde nesta conversa a autoridade da direção de prova tenha sido depreciada com termos chulos para todo o Brasil, não deveria a emissora ou seus comentaristas, ou seu diretor de geração de imagens ser punido por expor a autoridade máxima na corrida a uma situação? 

 

Depois de retornar com o carro para o grid, para ser feito o posicionamento dos carros para a segunda corrida, Cacá Bueno, ao invés de ir para o pódio, dirigiu-se à sala do diretor de prova, depois de gesticular bastante na pista, aos olhos de todos os presentes, e adentrou a sala onde “fez os seus protestos” pelo erro da direção da corrida... sabe-se lá em que tom, sabe-se lá com que palavras, uma vez que não havia captação de áudio e as imagens foram interrompidas a pedido de um dos comissários que providenciou com que o segurança impedisse o cinegrafista do canal de televisão que transmitia a corrida foi fazer – sem autorização para entrar na sala, que seja bem dito!

 

Eu gostaria de saber o teor, na íntegra, do que foi dito por todas as partes naqueles poucos minutos na sala do diretor de prova. Em todo caso, é importante reiterar que a atitude de indignação de Cacá Bueno foi fruto de um erro grotesco cometido por quem dirigia a corrida e sua atitude foi uma reação desencadeada.

 

É preciso que se diferencie medidas justas de justas medidas!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva