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Respeitável Público! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 15 July 2015 20:53

Caros amigos, em meio a grande quantidade de eventos que tivemos no último final de semana em termos de automobilismo e motociclismo, um dos assuntos mais comentados foi o acidente na World Series by Renault envolvendo o piloto da Manor/Marussia Roberto Mehri, que teve seu carro atingido pelo de Nicholas Latifi, e sua posterior punição não foi o que mais chamou a minha atenção.

 

Quando assisti o vídeo (veja aqui), nas repetições em câmera lenta comecei a observar outros aspectos e um deles foi o motivo do meu incômodo, do meu questionamento e do tema desta coluna: a arquibancada principal do Red Bull Ring, em frente à reta dos boxes, estava praticamente vazia!

 

É bom lembrar ao estimado leitor que o evento da World Series by Renault não é um evento satélite como são a GP2 e a GP3 (nem vou considerar a Porsche Super Cup) nas etapas do mundial de Fórmula 1. O evento da montadora francesa tem como preliminar o campeonato europeu de Fórmula Renault, sendo a corrida do WSR 3.5 a principal prova do final de semana.

 

Neste momento o meu convite à reflexão é em torno do que levaria os promotores da categoria a fazer sua corrida naquele autódromo apenas três semanas após a etapa do campeonato mundial de Fórmula 1 naquele circuito? Tendo a Europa tão poucas etapas da categoria e ainda tendo ficado sem o GP da Alemanha, não dava para planejar melhor seu próprio calendário?

 

Mas vamos tentar partir do ponto que, sendo um evento distinto, os promotores do mesmo pensaram que poderiam levar ao autódromo um público considerável e propiciar o retorno de mídia que os patrocinadores das equipes foram convencidos de que teriam estampando suas marcas ao longo do circuito e nos carros que disputam o campeonato, além da exibição pela televisão. Evidentemente, isso não aconteceu.

 

Este não é um problema isolado e o campeonato europeu de Fórmula 3, quando não corre dentro do programa da DTM, também tem o autódromo às moscas como foi possível observar nas desastrosas (em termos de acidentes na pista) etapas de Monza e Spa Francorchamps.

 

Se cruzarmos o oceano, a transmissão da última corrida da Fórmula Indy, no oval de Milwalkee, onde também passei mais tempo olhando para as arquibancadas que não tinham um terço de sua ocupação, bem diferente do que se vê nas corridas da NASCAR, mesmo em se tratando de automobilismo norte americano., onde a ideia de show, de espetáculo e promoção é visto e feito de forma diferente.

 

Se formos olhar a para nossa realidade no Brasil, o sentimento é ainda pior. Nas últimas vezes que foi solicitado o credenciamento para enviarmos alguém do site dos Nobres do Grid aos autódromo, solicitei do enviado que fizesse fotos do público durante a corrida ou minutos antes do início da mesma.

 

Neste ano, comparei o que vi destas fotos tiradas no Autódromo Internacional de Goiânia na abertura da temporada da Stock Car, uma etapa com um atrativo especial, devido a presença de diversos pilotos estrangeiros, estrelas nas categorias em que correm pelo mundo, e as imagens da etapa da Fórmula Truck, disputada no último domingo.

 

Há muito tempo que eu não via a Stock Car levar mais público para o autódromo do que a Fórmula Truck, que há muitos anos estabeleceu-se como a categoria mais popular do país. O problema é que, tanto em um como no outro evento, o autódromo teve um público aquém do que eu esperava, mas o gramado da reta dos boxes tão vazio como vi no último domingo.

 

O esforço da direção de imagens em fazer tomadas fechadas em pequenos grupos e tentar evitar tomadas abertas com a visão do gramado da reta foi algo pouco comum em termos de prática da emissora que transmite a corrida. Pior – e triste – foi ver o comentarista da prova dizendo na transmissão que o circuito estava completamente lotado e tinha mais de 40 mil pessoas presentes. É, no mínimo, pensar que somos cegos! O único lugar com real lotação foi nos camarotes dos patrocinadores, que a emissora sempre mostra e onde praticamente ninguém está interessado na corrida.

 

O contraponto de tudo isso falado acima é o que se vê nas transmissões do mundial de Motovelocidade. Desde a hora da primeira das três corridas, o autódromo está completamente tomado. O público interage com seus pilotos e os principais protagonistas do espetáculo tem um hipnotizante carisma. Copiar um modelo de negócio que dá certo não é demérito para ninguém e todos os promotores do automobilismo, a começar por Bernie Ecclestone, deveriam buscar a fórmula de sucesso da Dorna. Definitivamente, alguma coisa está sendo feita da forma errada no mundo das quatro rodas.

 

Aquela famosa frase do mestre de cerimônia dos circos que ia na minha infância – “Respeitável Público” – precisava ser levada mais a sério por parte dos promotores do automobilismo: o público merece respeito!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva