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A paixão e a razão! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 08 July 2015 22:11

Caros amigos, quando assisto uma corrida na televisão ou nas vezes que fui em um autódromo, mais do que ver pessoas com um dom fora de série, uma habilidade privilegiada, sempre vi naqueles seres de macacão e capacete pessoas apaixonadas pelo que fazem.

 

Quando eu vejo Rubens Barrichello, aos 43 anos de idade, rico depois dos anos de excelentes contratos com a Ferrari, com tudo que fez no automobilismo, que poderia estar agora, perfeitamente, apenas fazendo ‘coaching’ dos filhos kartistas, jogando golfe, fazendo programas na televisão ou na internet, acelerando em duas categorias do automobilismo nacional (Stock Car e Brasileiro de Marcas) e ainda por cima participando de campeonatos de kart, o que dizer de um cara assim?

 

28 anos depois de ter conquistado o campeonato sulamericano de kart, Rubens Barrichello volta a disputar um campeonato continental e o vence, com a disposição e a alegria de um adolescente, disputando posições como se estivesse mirando uma carreira como piloto!

 

A paixão que move pilotos como Rubens Barrichello, contudo, não pode “cegar” a razão quando os riscos ultrapassam o limite do bom senso e cá estou eu, obrigado a voltar ao tema da segurança nas corridas, mas desta vez, o que aconteceu foi na NASCAR e os pilotos levantaram suas vozes diante do acidente assustador no final da corrida de Daytona.

 

A cena chocante foi do carro de Austin Dillon voando sobre os outros competidores, destruindo o alambrado e despedaçando-se até parar, com o assoalho para cima, ver a imagem do piloto deixando aquele resto de carro, destruído, andando sem problemas, após o desespero dos fiscais foi reconfortante, mas os pilotos não ficaram tão calmos depois do incidente.

 

Ainda com o “sangue quente”, Austin Dillon disse que algo precisa mudar, que as velocidades estão altas demais na categoria e que, mesmo com os “dispositivos anti-decolagem”, os carros continuam saindo do chão e que rezou para sobreviver àquilo e isso tem sido assim, semana após semana, com os pilotos rezando para chegar inteiros no final das provas.

 

Ryan Newman também foi duro com a NASCAR, dizendo que depois de 2001, do acidente que vitimou Dale Earnhardt , nada mais foi feito em termos de segurança e que o pior mesmo é o fato dos promotores da categoria não ouvir os pilotos que tem sido insistentes nas questões dos riscos.

 

Dale Earnhardt Jr falou que a felicidade maior era todo mundo estar bem, porque foi uma batida terrível de ver. Dale Jr disse que viu tudo pelo retrovisor, mas evitou entrar em polêmicas, diferente de Jeff Gordon, que em seu ano de despedida da categoria, classificou a corrida como um “videogame da vida real” e comemorou que só há mais uma corrida em ‘superspeedway’, em Talladega, onde os carros usam uma placa restritora.

 

Mas o relato do maior vencedor dos últimos 10 anos, Jimmie Johnson foi o mais contundente: “Foi assustador. A ponto de chorar. O carro foi muito alto no ar e pude ver somente que era um objeto preto acertando o alambrado, então confesso que estava vendo o acidente. Nunca vi uma gaiola suportar tão bem um contato com o alambrado e fiquei apavorado por quem quer que seja que estivesse ali, pois não sabia. Aí você começa a imaginar as notícias vindo da arquibancada, começa a pensar e a corrida passa a não ter mais importância. A cerca ajudou, mas os destroços que voaram para a arquibancada nós não temos controle. Manter os carros no chão e diminuir a velocidade pode ser o único caminho e mesmo assim não há garantias”.

 

O acidente fez voar na direção da arquibancada detritos do carro de Austin Dillon e da cerca, que teve dois postes da tela arrancados, atingiram 13 torcedores, sendo que um deles precisou ser hospitalizados. Quem não sofreu nada ou quem estava vendo pela televisão, depois de ver o piloto sair andando e fazendo sinal de “ok” deliraram, aplaudiram... e se não fosse assim?

 

Até onde os promotores de categoria vão negligenciar os “avisos” que recebem? A razão sobre a hora de se tomar medidas para que a paixão não vire drama já passou faz tempo!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva