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Entendendo o que é a lubrificação do motor. PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Tuesday, 19 May 2015 20:03

Olá pessoal que acompanha o site dos Nobres do Grid,

 

Nas nossas últimas quatro colunas, falei sobre combustíveis. Sobre seu bom uso, sobre a evolução e a adaptação deles aos novos combustíveis. O motor precisa de combustível para queimar, mas também precisa de “outros líquidos” circulando em seu interior para que ele funcione bem. Nas nossas próximas colunas irei falar sobre estes “líquidos”, começando pelo lubrificante do motor.

 

Se você está buscando melhor desempenho do seu carro ou maior confiabilidade do seu caminhão, escolher o lubrificante correto é essencial. O uso do óleo certo faz o motor do veículo funcionar sem problemas. É o óleo lubrificante que impede o desgaste das superfícies metálicas do motor, criando uma película de óleo entre eles. O óleo também dispersa o calor e reduz o atrito, protegendo o motor.

 

Além disso, um lubrificante de qualidade previne acúmulo e depósito de partículas de sujeira, ao mantê-las em suspensão. O óleo ainda protege contra borra e oxidação, minimizando os ácidos que podem causar corrosão. Em resumo: sem o óleo lubrificante o motor do seu carro não funcionaria por muito tempo!

 

Você se lembra qual foi o óleo que colocou em seu carro na última troca? Poucos vão se lembrar, mas ainda tem a chance de ter aquele adesivo por dentro do para brisa, com o óleo e a quilometragem em que foi feita a troca. Contudo, se você não se lembra, não colocou o adesivo no para brisa, ou pior, depois que seu carro deixou a garantia do fabricante e esta troca ficou na mão do frentista do posto ou do mecânico da esquina, cuidado: Você pode estar expondo seu carro a ter um desempenho e consumo ruins e, pior, prejudicando a durabilidade por conta de um uso de um lubrificante inadequado.

 

O mercado de lubrificantes oferece ao consumidor um enorme leque de opções. Usar a opção correta é fundamental.

 

Os óleos lubrificantes são classificados por três normas: SAE, API e ASTM.

A especificação SAE: Society of Automotive Engineers (Associação dos Engenheiros Automotivos) define a classificação do lubrificante conforme a necessidade, normalmente está relacionada a viscosidade do óleo.

 

Viscosidade é a resistência que o óleo tem sobre si mesmo para movimentar. Um óleo mais viscoso tem mais resistência para movimentar entre as peças do motor, ou seja, é mais difícil de escorrer, mas tem maior capacidade de se manter entre duas peças móveis, formando uma película protetora. Porém, um óleo “grosso” em demasia pode atrapalhar o funcionamento do motor, fazendo com que ele fique “pesado” para girar e em casos extremos, a bomba de óleo não consegue manter o fluxo e pressão adequados, fazendo com que algumas partes do motor tenham uma lubrificação deficiente, causando barulhos e desgastes.

 

Quando um fluido muda do estado de repouso para o de movimento, ocorre uma resistência ao fluir, devido ao atrito interno do mesmo. A viscosidade é uma medida desse atrito interno. Para se medir a viscosidade do lubrificante existem diversas técnicas.

 

Sua classificação se dá pela norma SAE seguido por números com dois algarismos (para lubrificantes de motores a explosão). Quanto maior for esse número, maior será a viscosidade do óleo. Em termos mais vulgar, digamos “mais grosso”. Assim temos: SAE 5, SAE 10, SAE 20, SAE 30, SAE 40, etc. Esses lubrificantes também são chamados de monograu ou monoviscoso, pois, independente da temperatura, sempre terá seu valor ao indicado.

 

A temperatura ambiente é um fator primordial para a escolha do óleo que deve ser colocado no motor do seu carro.

 

Temos também os óleos multigrau ou multiviscosos. Esses óleos possuem dois números, sendo o primeiro acompanhado pela letra W (winner) que significa inverno em inglês, lembrando baixas temperaturas. Sendo assim, sua viscosidade pode variar de acordo com a temperatura, atendendo melhor o motor. Ex: SAE 20W 40, SAE 20W 50, etc.

 

A especificação API: American Petroleum Institute (Instituto Americano de Petróleo) desenvolve a linguagem para o consumidor em termos de serviços dos óleos lubrificantes.

 

API é um instituto que define padrões de desempenho para óleos. Este padrão tem a definição por duas letras: A primeira é um “S”, de “Service”, e outra que vai de A até L atualmente. Quanto mais avançado for a segundo letra, melhor é o lubrificante em termos de serviço, ou seja, atendem a todos os motores fabricados até hoje. Novos padrões são lançados de tempos em tempos, com melhorias em durabilidade, capacidade de limpeza do motor, etc. O API tem diversas aplicações, Ex: API SA, SB, SC, SD, SE, SF, SG, SH, SI, SJ e SL.

 

Os óleos SA não possuem aditivação e atendem apenas aos motores muito antigos, fabricados antes da década de 50. Os óleos SL são indicados a todos os motores fabricados até hoje. Lembre-se, quanto maior o avanço da segunda letra, mais caro é o óleo.

 

Com o passar dos anos, a indústria de petróleo precisou melhorar seus lubrificantes e esta evolução aconteceu.

 

Se você tem um carro da década de 80 por exemplo, não necessita utilizar óleos SJ ou SL. Logicamente não trarão problemas, mas seria como se quisesse colocar uma tachinha com uma marreta. Veja abaixo algumas das classificações:

 

SF: De 1980 a 1989;
SG: De 1989 a 1994;
SH: De 1994 a 1996;
SI: De 1996 a 1998;
SJ: De 1998 a 2000;
SL: De 2000 aos dias atuais.

 

Muitos dos óleos recomendados para motores até 1996 já não estão mais a venda, sendo necessário substituir pela categoria superior.

 

Essa classificação somente é válida para os motores a álcool e a gasolina. Motores diesel são classificados pela sigla API + C + A a F. Para motores a diesel, a lógica é a mesma, mas a nomenclatura é diferente. Os óleos mais comuns são CD, CE, CF-4, CG-4 e CH-4, sendo este último o mais moderno.

 

A especificação ASTM: American Society for Testing of Materials (Associação Americana para Prova de Materiais) define os métodos de ensaios e limites de desempenho do lubrificante. Solicitações para novas classificações ou revisões das já existentes são enviadas pelo Comitê Técnico de Lubrificantes e Combustíveis do SAE, que estabelece um grupo-tarefa para estudar a proposta.

 

Se o grupo-tarefa concorda que uma nova categoria seja necessária, faz-se uma solicitação oficial a ASTM para desenvolver ou selecionar as técnicas de ensaio necessárias. A tarefa do API é a de desenvolver a linguagem usada para comunicar ao usuário a nova categoria.

 

As moléculas de óleo lubrificante possuem grandes cadeias de carbono, mas não é só isso que o difere.

 

Muitos motoristas que leem os manuais e acham que ficaram ‘experts’ com isso, pensam que quanto maior o ‘número’ do óleo, melhor é. Nem sempre, depende do motor e o seu uso. Os motores de hoje trabalham sob pressão e temperatura muito maiores que os de 10, 20 anos atrás. Um óleo grosso é mais difícil de circular, fica mais tempo ‘escoando’ pelas peças, retendo mais temperatura, o que pode causar superaquecimento do mesmo e formação de borra. Uma espécie de “pasta” que vai retendo a passagem do óleo e assim abreviando a vida útil do motor, por lubrificação inadequada.

 

Fique atento a especificação do óleo recomendada pelo fabricante, expressa no manual do proprietário. A maioria dos fabricantes hoje recomendam somente uma especificação de óleo para seus motores, mas se o manual do seu especificar vários tipos, opte pelo “mais fino” se você anda por locais mais frios. Os manuais normalmente tem, em casos de condições extremas, recomendações para temperaturas ambientes abaixo de 15ºC (60ºF), de temperaturas de 15ºC a no máximo 30 ou 35ºC. Se você mora num local muito quente, em que frequentemente a temperatura está acima de 30ºC, o uso de um óleo mais viscoso pose ser o mais adequado.

 

A otimização da viscosidade ou espessura de um óleo ajuda a maximizar a eficiência energética, evitando o desgaste dos componentes.

 

Os modificadores de viscosidade aumentam a viscosidade do seu óleo em temperaturas altas, mas têm pouco efeito sobre a viscosidade em temperaturas baixas. Estes permitem que o seu óleo flua adequadamente quando estiver frio e também permaneça suficientemente espesso para proteger os seus componentes de motores em temperaturas altas.

 

Os óleos de baixa viscosidade tornam a partida a frio mais fácil para o seu motor, pois apresentam menor resistência aos elementos móveis e, portanto, consomem menos energia do motor. Isto também significa que você fará uma maior economia de combustível.

 

Um motor mal cuidado pode ser perdido para sempre e é o óleo lubrificante que o mantém vivo.

 

Como falei no início da coluna, o óleo lubrificante tem diversas funções no motor dos nossos carros.

 

Lubrificar – A função primária do lubrificante é formar uma película delgada entre duas superfícies móveis, reduzindo o atrito e suas consequências, que podem levar à quebra dos componentes.

 

Refrigerar – O óleo lubrificante representa um meio de transferência de calor, “roubando” calor gerado por contato entre superfícies em movimento relativo. Nos motores de combustão interna, o calor é transferido para o óleo através de contatos com vários componentes, e então, para o sistema de arrefecimento de óleo.

 

Limpar e manter limpo – Em motores de combustão interna especialmente, uma das principais funções do lubrificante é retirar as partículas resultantes do processo de combustão e manter estas partículas em suspensão no óleo, evitando que se depositem no fundo do cárter e provoquem incrustações.

 

Proteger contra a corrosão – A corrosão e o desgaste podem resultar na remoção de metais do motor, por isso a importância dos aditivos anticorrosivo e antidesgaste.

 

Vedação da câmara de combustão – O lubrificante ao mesmo tempo que lubrifica e refrigera, também age como agente de vedação, impedindo a saída de lubrificante e a entrada de contaminantes externos ao compartimento.

 

Agora que você já sabe que mais do que apenas lubrificar, o óleo tem outras funções, é importante saber as diferenças entre cada óleo lubrificante que vai dentro do motor de seu carro. Toda vez que você adquire um óleo novo, pode-se ler em sua embalagem algumas especificações, que diferenciam um do outro quanto à origem, a viscosidade (critério SAE) e aditivação (classificação API).

 

Usar o óleo certo, trocar o óleo nos períodos certos, monitorar o nível e a qualidade do lubrificante é dever do motorista.

 

No próximo mês, vamos falar sobre a evolução dos lubrificantes, a criação dos óleos sintéticos e como cuidar da lubrificação do seu motor.

 

Muito axé pra todo mundo,

 

Maria da Graça