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Interlagos: 75 anos e sem motivos pra festa! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 13 May 2015 22:19

Caros Amigos, acredito que todos nós já ouvimos ao menos uma vez na vida a expressão “o amor é cego”. Provavelmente, mais de uma e geralmente relacionado à relações afetivas com o sexo oposto. Contudo, esta afirmação também pode ser aplicada a outros tipos de amores.

 

Fui informado que no dia de ontem (quarta-feira, quando escrevi esta coluna) haveria um protesto no Autódromo Internacional de Interlagos contra o seu fechamento para obras de adequação às exigências da Fórmula 1 e a consequente paralisação dos campeonatos locais de todas as categorias, além dos usos da pista pelas escolas de formação de pilotos.

 

O Autódromo Internacional de Interlagos, que na última terça-feira completou 75 anos de existência há muito deixou de ser o espetacular circuito e a grande escola do nosso automobilismo. Foi justamente no seu cinquentenário que ele foi mutilado para a primeira grande adequação a fim de atender os interesses da Fórmula 1 e também da cidade de São Paulo... e é aí que se começa a dar a confusão.

 

Em manifesto divulgado por redes sociais, um dos líderes do movimento faz questão de lembrar que o automobilismo não se trata de um esporte de piloto por que piloto é rico, mas que a atividade do automobilismo chega a empregar até 20 pessoas por equipe, de forma direta e indireta se considerarmos os chefes de equipe, engenheiros, preparadores e mecânicos. Fui informado no final da tarde que menos de 50 pessoas estiveram no protesto... infelizmente, um número irrisório.

 

Com o maior efetivo de pilotos federados do país, o estado de São Paulo carece de alternativas. Interlagos é um autódromo que luta dia a dia para manter seu status de FIA 1 e poder receber as maiores competições do planeta. Com uma área de um milhão de metros quadrados, poderia estar hoje gerando uma fortuna para os cofres da cidade caso fosse loteado e transformado em um grupo de condomínios habitacionais e empresariais, gerando algumas dezenas de milhões de reais em IPTU todos os anos.

 

Apesar disso, o autódromo continua lá, encravado no meio da cidade que o “engoliu” décadas atrás e, mesmo “mutilado”, ainda apresenta-se como um dos traçados mais exigentes e técnicos do calendário da Fórmula 1. Contudo, aqueles que disputam o campeonato paulista e nada tem a ver com o mundo bilionário de Bernie Ecclestone sofrem com as interrupções e fechamentos para obras que ano após ano são feitas no circuito e suas instalações.

 

Em entrevista ao jornal “Estado de São Paulo”, o presidente em exercício da FASP, José Aloísio Cardozo Bastos, disse que “a utilização de Interlagos virou um comércio”... e virou mesmo! Nas mãos da SPTuris há anos, o espaço do autódromo tem sido utilizado frequentemente com vistas a eventos que nada tem a ver com automobilismo... e a conta é bem simples: para o festival Lolapalooza o aluguel do autódromo custou mais de 300 mil reais por dia, enquanto o aluguel para o Estadual de automobilismo custa pouco mais de 13 mil por três dias.

 

No manifesto que chegou às minhas mãos, Interlagos foi chamado de “parque municipal” e, com isso, deveria ser aberto ao público. Procurei me inteirar e percebi que o responsável pelo texto fez uma “pequena confusão”. Existe sim, um parque municipal de Interlagos... mas este não é o autódromo!

 

Criado em 1927, o Viveiro Operacional de Interlagos, atualmente denominado Parque Jacques Cousteau (que é carinhosamente chamado pela população de Laguinho), surgiu da ideia do Engenheiro britânico Louis Romero Sanson, responsável pelo projeto da “Cidade Satélite de Interlagos” - o projeto veio acompanhado da proposta de se construir uma área verde dotada de infraestrutura, visando o equilíbrio ambiental do espaço urbano. Localizado na margem direita da Represa Guarapiranga, com uma área de 67.326 m², é de acesso público, tendo importância para o aumento da área verde da cidade.

 

A questão é que são necessárias alternativas e nisso a FASP precisa trabalhar junto com os promotores do automobilismo local... ou deixar que eles trabalhem! Existem três autódromos privados no estado: O Dimep, o Velocittà e o Fazenda Capuava. Seria apenas uma questão de negociação com os proprietários a utilização destes espaços para haver um “revezamento” ou mesmo uma liberação de Interlagos para outros eventos uma vez que, para a SPTuris, o campeonato regional deve ser “economicamente desinteressante”.

 

Uma outra alternativa, mais radical, seria ter os eventos organizados por clubes, que reunidos numa Liga, poderiam promover competições, conforme explicou-nos alguns meses atrás o ex-presidente da CBA e advogado, Paulo Scaglione.

 

O que os envolvidos locais parecem não querer enxergar é que, o Interlagos de hoje não é mais o Interlagos que formou nossos campeões, mas sim um local de interesses comerciais e gestores ávidos por fazer com que ele renda dinheiro para o município... felizmente, por enquanto, ainda está sendo palco de corridas de automóveis e motocicletas!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva