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A crucificação do domingo de Páscoa! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 09 April 2015 03:48

Caros Amigos, o final de semana que passou tem um significado especial para aqueles que seguem religiões cristãs. Segundo a Bíblia, a sexta-feira foi o dia da crucificação de Jesus, o filho de Deus, num monte localizado na periferia da cidade de Jerusalém, que se deixou perecer para salvar a humanidade. No domingo, que chamamos de Páscoa (ou Passagem em hebraico antigo), foi o dia em que ele ressuscitou.

 

Aqui no Brasil, também houve uma crucificação... mas esta se deu na periferia, na área industrial da cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Diante das câmeras de televisão, um erro generalizado “pregou na cruz” uma fiscal de pista na corrida da Stock Car diante dos olhos de todos. Olhos e ouvidos, pois não faltaram “closes” e descrições do ocorrido.

 

Uma série de erros aconteceu, isso é evidente, mas toda a cadeia poderia ter sido evitada caso houvesse agilidade dos envolvidos (se é que não houve). Cabe aqui, uma série de questionamentos e que eu gostaria que a Confederação Brasileira de Automobilismo, através de seu Presidente, Sr. Cleyton Pinteiro. Que o Diretor de Prova, Sr. Mirnei Piroca ou a Assessoria de Imprensa do órgão, através do Sr. Dinho Leme nos desse algum esclarecimento. Afinal, a única “versão” que temos é a sequência de imagens e diálogos do canal por assinatura que transmitiu a corrida ao vivo.

 

Eu estava assistindo a corrida e percebi o problema antes mesmo do replay. Enquando os comentaristas e o narrador lembravam o episódio semelhante pelo qual passou o Pelé, eu pensava: isso vai dar confusão... E deu!

 

Contudo, toda a confusão poderia ter sido evitada. Baseado em tudo que já fizemos no site, na matéria especial que fizemos em 2011, acompanhando de dentro da torre o trabalho do Diretor de Prova Carlos Montagner e os comissários desportivos (leia aqui) e os relatos das nossas coberturas em eventos de diversas categorias, o que veio na minha mente foi a comunicação por rádio.

 

O Diretor de Prova tem comunicação por rádio com todos os fiscais de pista (a que daria a bandeirada, inclusive) e a frequência de rádio é aberta, onde os chefes de equipe ou auxiliares podem monitorar o que é falado, instruções dadas. Isto serve inclusive como instrumento de segurança para informar sobre um acidente, uma bandeira amarela, antes mesmo do piloto chegar ao local indicado.

 

O Diretor de Prova tem, na sua cabine, a imagem em tempo real e percebendo o erro da fiscal de pista, poderia ter passado a informação do término da corrida via rádio e evitado a insana disputa entre Cacá Bueno e Marcos Gomes. Ambos gastaram combustível, pneu e adrenalina a toa.

 

Logicamente que o vencedor ficou furioso e a reação de revolta com o erro seria natural, mas para que a transmissão não foi buscar o áudio das transmissões via rádio, uma vez que eles também tem receptores portáteis para ouvir a conversa da torre na cabine de transmissão e apurar o que tinha acontecido?

 

Não, ao invés disso, mais interessante – em termos de exposição – era mostrar o rádio recuperado do piloto da equipe de Andreas Mattheis, chamando os membros da CBA de imbecis e fazendo tomadas fechadas da fiscal de pista, aos prantos, no ponto onde daria a bndeirada. Foram ao ponto de falar o nome da pessoa, o tempo de trabalho dela como fiscal de pista, que ela é voluntária... pregaram-na na cruz!

 

A ira de Cacá Bueno tem fundamento, mas também pode ter consequências. o piloto foi além do falado pelo rádio, que ele, no dia seguinte, em um programa de televisão do mesmo canal que transmitiu a corrida, justificou que era uma conversa privada com seu chefe de equipe, e não para todo o Brasil. Contudo, depois de parar o carro, ele, ao invés de dirigir-se para o pódio, foi direto para a torre de controle de prova cobrar satisfações da direção. Mais uma vez, as imagens acompanharam tudo... até o momento que um dos comissários postou-se de frente para a câmera e não apenas pediu a saída dos funcionários da emissora, mas colocou a mão diante da lente, no que foi criticado pelos comentaristas e pelo narrador da corrida. Uma pergunta: Daria a credencial do repórter e do câmera acesso ilimitado às dependências do traçado montado nas ruas de Ribeirão Preto, cabine do Diretor de Prova, inclusive?

 

Não estou defendendo a direção de prova nem os comissários. O erro aconteceu. Não há discussão sobre isso. O problema foi o “julgamento do mérito da questão sem que que todas as partes fossem ouvidas”.

 

Teria havido comunicação da direção de prova com as equipes?

Se a fiscal de pista ela estava com a bandeira e a placa de última volta nas mãos, que tipo de comunicação teria havido com ela vinda da torre?

 

Não bastasse tudo isso, ainda houve o problema de interpretação do regulamento, que todos criticaram duramente, mas que é o mesmo desde o ano passado. Sobre isso, os “especialistas” e “outros nem tanto” também não pouparam críticas ao “regulamento da CBA”. Contudo, cabe esclarecer que o regulamento de uma categoria é escrito pelos seus promotores, aprovado entre os participantes da mesma e só então homologado pela CBA.

 

Problemas de interpretação em regulamentos não são novidade e nem exclusividade da CBA. Muitos devem lembrar do caso dos tanques de água dos carros aspirados de 1982, da desclassificação da Brabham e da Williams, da greve em Ímola... em 2009 tivemos – e esta é mais fácil de vocês lembrarem – dos polêmicos difusores da Brawn GP, algo que foi até alertado como possível problema pelo dono da equipe, Ross Brawn... e deixaram lá!

 

Será que esta moça ainda vai “ressuscitar” e voltar a um autódromo?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva