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Você compraria ações de um negócio como a F1? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 02 April 2015 00:48

Caros Amigos, imagine-se em um Shopping Center em qualquer cidade do Brasil ou do mundo. Agora imagine-se caminhando pelas alamedas deste lugar com muito poucas pessoas circulando, muito poucas pessoas nas lojas ou na praça de alimentação. Certamente o amigo leitor vai pensar: porque tão pouca gente por aqui?

 

Será que as lojas que estão naquele Shopping Center não possuem bons artigos? Será que os produtos estão com os preços muito altos, será que construíram o Shopping Center em um local sem que houvesse um estudo de viabilidade econômica para que ele pudesse ser rentável para os lojistas?

 

Quem prestou atenção na transmissão do Grande Prêmio da Malásia de F1 na televisão com um olhar mais atento, percebeu que as câmeras da FOM procuravam, todo o tempo, fazer tomadas das arquibancadas nas duas grandes retas de forma bastante “horizontal”. Tal artifício permite que aglomerados de pessoas se tornem “maiores” para as lente que estão captando os mesmos.

 

Contudo, em dois ou três momentos o diretor de imagem “colocou as rodas na grama” e mostrou algumas tomadas aéreas onde era possível ver que, especialmente na reta oposta à reta dos boxes, a ocupação de público era de menos de 50%.

 

Há alguns anos a F1 passa por uma preocupante perda de popularidade e queda de audiência em suas transmissões pelo mundo inteiro. Motivos diversos podem ser atribuídos a isto, contudo, a grande pergunta é: o que tem sido feito para se reverter este problema que parece agravar-se ano a ano?

 

Apesar de todos os problemas para o “dono do Shopping Center”, Bernie Ecclestone, os lucros, por menores que estejam sendo e estando em queda, continuam entrando. Levando-se em conta que ele já está com mais de 80 anos e um patrimônio para dar uma vida de conforto e regalias até para os seus tataranetos, dou-me ao direito de questionar o quão realmente interessado em fazer mudanças realmente efetivas passa por sua grisalha cabeça.

 

A relação de Bernie Ecclestone com a F1 é algo que deveria ser alvo de teses de Pós Doutorado em economia e gestão. Ele é o dono... mas não é! O grupo de investimentos CVC (já escrevi sobre esta estranha relação antes – leia aqui) é o acionista majoritário da FOM (Formula One Management), que tem Bernie Ecclestone como seu Diretor Executivo.

 

 

Desde julho de 2005 a CVC tem o controle destas ações, mas o contrato rege que tal controle tem um prazo determinado: 10 anos. Após cumprido este prazo, o contrato tem a opção de ser renovado por três vezes, sempre por apenas um ano. Diante do cenário atual da categoria como negócio, estaria a CVC interessada em renová-lo?

 

Bernie Ecclestone acredita que o grupo não tem – a princípio – interesse em se desfazer de sua fatia acionária, apesar de que, como qualquer grupo de investimento, vender e comprar companhias é o real negócio da CVC. Caso apareça um interessado disposto a pagar uma quantia grande o suficiente pelo controle acionário da FOM, uma venda não está descartada. Talvez até mesmo sendo ele, o próprio Bernie Ecclestone o comprador ou o líder de um novo pool de investidores para apresentar uma proposta em torno de 4 bilhões de dólares.

 

Por mais que o ‘board’ da CVC ache interessante continuar no negócio, a decisão não é apenas dele: A CVC só poderá continuar na sua posição atual se a maioria dos membros do conselho de acionistas concordar com a permanência. Como negócio é negócio, que investe que ganhar dinheiro e se encontrar uma forma de ganhar mais dinheiro com outra coisa, vai trocar de investimento.

 

A F1 vem passando por momentos complicados e que não tem “se adequado aos tempos modernos”, deixando de explorar como poderia a venda de seus produtos e – pior – não conseguindo atrair o interesse do público mais jovem, altamente conectado ante ao jurássico ‘modus operandi’ da FOM.

 

 A “tática” de atrair a atenção por parte de Bernie Ecclestone parece estar saturada. Vez por outra ele aparece com uma “ideia mirabolante para aumentar a emoção” no seu saturado modelo de negócio. De memória, consigo me lembrar da “construção de atalhos” nas pistas, do “sistema de irrigação” para molhá-las, da famigerada ideia das “medalhas”, que rendeu por mais tempo do que deveria, mas algumas foram pra frente, como a pontuação dobrada na última prova na temporada de 2014, que poderia ter provocado uma grande injustiça, caso o problema tivesse acontecido na Mercedes de Lewis Hamilton ao invés da de Nico Rosberg.

 

A última está sendo a de uma “F1 de saias”, com um grid feminino. Algo que até a piloto de testes da Williams, Susie Wolff, já disse não ter interesse em fazer parte. Talvez não fosse tão difícil atrair 20 pilotas para fazer um grid, mas daí a considerar isso como algo sério como alternativa para atrair o público, talvez só se as pilotos fizessem como aquele campeonato de futebol americano, onde as jogadoras em tão todas em trajes íntimos. Contudo, devido à exigência do macacão antichamas, isso não seria possível.

 

E você, caro leitor, compraria ações de um negócio como a F1?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva


Last Updated ( Thursday, 02 April 2015 02:28 )