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A quem interessa a guerra? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 26 March 2015 01:27

Caros amigos, desde o início dos tempos, grupos de hominídeos entraram em conflitos por espaço, água, alimentos. A humanidade desenvolveu-se, mas o instinto de guerra – um traço animalesco em nossa informação genética, pelo visto – não deixou de se fazer presente ao longo da história. Pelo contrário, o homem aprimorou-se em formas de fazer estas guerras, sejam com armas ou não!

 

No automobilismo presenciamos – apenas neste ano – uma guerra por um assento em uma equipe, uma guerra para não ver um autódromo desaparecer, uma guerra por datas em calendário e uma guerra por espaço nas pistas, na mídia e por dinheiro.

 

Nos dois últimos Editoriais que escrevi, falei sobre o absurdo conflito de datas entre os dois maiores eventos de automobilismo do país: a Stock Car e a Fórmula Fruck (leia aqui), bem como o absurdo realizado com o Autódromo Internacional de Brasília, semidestruído, sem condições de receber uma corrida de carros ou motos e sofrendo um forte ataque da especulação imobiliária (leia aqui), por parte dos empreiteiros locais.

 

Em alguns aspectos, parece que uma luz na escuridão se fez presente: a VICAR antecipou em uma semana a corrida de Ribeirão Preto – SP, do dia 12 para o dia 5 de abril e com isso deixou de coincidir a data com a corrida da Fórmula Truck que aconteceria em Brasília e que, por conta de tudo que ocorreu no autódromo da capital federal, será realizada em Campo Grande, numa “troca de datas” entre os dois eventos, na esperança de que as autoridades do Distrito Federal liberem a conclusão das obras.

 

A outra mudança de data promovida pela VICAR foi ainda mais significativa: Antecipar a etapa de Santa Cruz do Sul – RS do dia 4 de outubro para o dia 28 de junho atendeu um anseio – e uma reclamação – dos proprietários de equipe, que não viam lógica em se fazer um intervalo de praticamente dois meses no calendário, entre o final de maio e o início de agosto, sem corridas.

 

O outro grande benefício da mudança foi tirar a coincidência de datas – e também geográfica – que ocorreria caso o calendário fosse mantido, com a realização da etapa da Fórmula Truck em Guaporé, também no Rio Grande do Sul e distante apenas 146 Km de Santa Cruz do Sul.

 

Nem tudo são flores, é claro: ainda há um conflito de datas em três ocasiões no segundo semestre (13 de setembro, 8 de novembro e 6 de dezembro), com a pior delas sendo no dia 6 de dezembro, em Interlagos, onde estão – por enquanto – agendadas as etapas da Fórmula Truck, do Brasileiro de Marcas e da Fórmula 3. Um problema que ainda não tem solução e que envolve enormes interesses comerciais, uma vez que São Paulo é o maior mercado comercial e sede de quase todos os patrocinadores de ambos os promotores.

 

Seria muito fácil sair criticando os promotores nacionais, chamando-os de amadores, limitados, donos de visão estreita e tacanha, mas se formos olhar certos movimentos que ocorrem pelo mundo, veremos que trata-se mais de competição por espaço, no típico regime do capitalismo selvagem.

 

O maior exemplo vem da FIA, que ao estabelecer o seu plano para “estruturar um caminho de acesso à Fórmula 1”, decidiu – entre outras recentes posições e medidas contestáveis – recriar a Fórmula 2, categoria que nos anos 60/70 foi o passo derradeiro para que pilotos jovens chegassem à Fórmula 1 e que também servia de “fonte de renda complementar” para muitos pilotos da Fórmula 1, que dela participavam.

 

Neste caso, haverá um conflito direto com os interesses de Bernie Ecclestone, que detém os direitos da GP2 e da GP3, subvalorizadas nos critérios de “pontuação para acesso” à superlicença, obrigatória para se correr na Fórmula 1.

 

Max Mosley, o “ex-amigo” (ao menos diante da mídia) tentou fazer a Fórmula 2 resurgir, numa parceria com Jonathan Palmer, que construía os carros e promovia o evento. Não deu certo. Agora a FIA busca um novo promotor. Segundo a revista ‘Autosport’, Stefano Dominicali ficará responsável pela competição como “o homem da FIA”. Ele é o atual “Presidente da Comissão de Monopostos” da entidade.

 

E aí, alguém se habilita a entrar em rota de colisão com Bernie Ecclestone?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva 
Last Updated ( Thursday, 26 March 2015 08:40 )