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O primeiro capítulo de uma novela PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 12 March 2015 04:46

Caros amigos, Deixei para fechar minha coluna desta semana apenas na manhã de hoje (normalmente o faço no final da noite de quarta-feira e peço desculpar ao nosso parceiro e Jornalista Roberio Lessa, que publica meu texto no site ‘Carros e Corridas’), mas foi necessário... a ponto de eu mudar o tema que havia escolhido previamente.

 

A semana que começou, antecedendo a largada para a temporada do Mundial de Fórmula1 começou longe das pistas: em um tribunal. Não irei aqui bancar o advogado do diabo neste caso, especialmente envolvendo um brasileiro – Felipe Nasr – mas se alguma lição positiva for aprendida, o processo movido por Guiedo Van Der Garde contra a equipe Sauber, quem sabe, possa dar início na mudança nas relações comerciais entre pilotos e equipes.

 

No começo de novembro de 2014, Van der Garde foi informado pela diretora-executiva da Sauber – equipe que estava e ainda está atravessando uma grave crise financeira – Monisha Kaltenborn, que as duas vagas da Sauber haviam sido entregues para outros pilotos e que, consequentemente, Van der Garde não teria lugar como piloto no time em 2015.

 

Guiedo Van Der Garde foi titular da Caterham em 2013. Procurando dar um passo adiante na carreira, assinou um contrato de dois anos com a equipe Sauber. No ano passado, o primeiro ano, para ser piloto de testes. No segundo – 2015 – ser piloto titular. Foi com este contrato que os advogados do piloto entraram com a ação junto à suprema corte da cidade de Victória.

 

Ao contrário do que fariam alguns pilotos, que meteriam o rosto nas câmeras da televisão, nas redes sociais e nas suas próprias ‘webcans’, vociferando, choramingando, fosse como “coitadinho”, fosse como “revoltadinho” contra a equipe, contra a “ditadura dos cifrões” na Fórmula 1, o piloto seguiu à risca as orientações de seus advogados, deixando para agir na hora certa, no momento certo e com os argumentos certos.

 

Há que se dar os parabéns aos advogados do piloto holandês. O contrato que foi redigido para que ele fechasse com a Sauber parece não ter deixado escapatória legal para a Sauber. Uma revelação bombástica, feita pelo jornalista inglês James Allen, dá conta de que Marcel Boekhoorn chegou de helicóptero à sede da Sauber em Hinwil na tentativa de compra da equipe suíça, mas o negócio não foi fechado.

 

O dono da grife de roupas McGregor, principal apoiadora da carreira de Van der Garde é o sogro do piloto e conta com uma fortuna de cerca de 2 bilhões de dólares e a McGregor é a principal apoiadora da carreira de Guiedo Van Der Garde (não tecerei comentários sobre questões pessoais).

 

Se comparados aos 12 milhões de dólares que Felipe Nasr levou, além dos outros 13 milhões via Banco do Brasil, a mala de dinheiro do brasileiro parece com a bolsinha de moedas da minha avó. Com todo o lastro necessário para fazer qualquer aporte emergencial, viu seu antigo acordo de cerca de metade do que levaram Nasr e Ericsson ficar desinteressante para a enforcada equipe suiça.

 

Algo interessante a se levar em conta com relação a esta questão financeira é: Se Felipe Nasr e Marcus Ericsson levaram o mesmo montante de dinheiro para a equipe, porque o carro da Sauber está pintado com as cores do Banco do Brasil? Seria o patrocínio de Marcus Ericsson tão pulverizado (ou ainda não paga nenhuma parcela) para que o carro não tivesse nenhuma áre pintada/adesivada com eles?

 

De acordo com o jornal ‘Folha de S.Paulo’, se Felipe Nasr não entrar no carro, não tem dinheiro para a equipe Sauber e que, diante das circunstâncias surgidas esta semana, ‘solicitou  esclarecimentos’ à equipe.

 

Uma saída para a Sauber – ao menos para esta corrida na Austrália – poderia ser através da FIA. O código esportivo da entidade para este ano diz que as Super-Licenças devem ser requeridas com até 14 dias de antecedência em relação ao evento do qual o piloto deseja participar. Extraordinariamente os pedidos podem ser feitos até 48 horas antes da primeira inspeção feita pela entidade nos finais de semana do evento, que ocorre na quinta-feira, sendo esta feita através da Federação ou Automóvel Clube do pais do piloto que seja o representante legal deste junto à FIA, devendo o piloto submeter a este órgão local o formulário de solicitação. Este serviço também pode ser feito pela equipe, mas eu duvido que a Sauber tenha feito isso. Caso Guiedo Van Der Garde não o tenha feito, esta terá sido uma “derrapada fatal” nas suas pretensões em alinhar no grid em Albert Park.

 

Com a nova vitória de seus advogados contra o recurso impetrado pela Sauber, Guedo Van Der Garde está mais perto do que nunca de “incendiar o circo da F1”. A corte determinou que lhe seja concedido o carro, que a Sauber providencie a Super-Licença e, como se não bastasse, os advogados do piloto holandês solicitou uma lista dos equipamentos da equipe suiça e sugeriu o confisco de equipamento para o caso de descumprimento da decisão judicial.

 

A Sauber pode “radicalizar”, caso vendo-se sem saída – e de fato está – simplesmente empacotar o equipamento, embarcar seus mecânicos para fora do país, retirar-se da prova e deixar a bomba nas mãos de Bernie Ecclestone, que até o presente momento não se manifestou sobre o assunto. Mesmo que o equipamento seja confiscado, quem colocaria a estrutura da equipe para funcionar?

 

Guiedo Van Der Garde pode – e na minha opinião está – coberto de razão ao querer fazer valer seu contrato com a Sauber na forma em que ele foi redigido. Contudo, é bom lembrarmos de outro caso – recente – em que um piloto foi aos tribunais contra o ‘status quo’ que envolve as equipes de F1 e a FOM. No final, ele – mesmo vencendo nos tribunais e recebendo indenizações financeiras – foi o único “derrotado”, tendo as portas da categoria fechadas para si.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva


Last Updated ( Thursday, 12 March 2015 06:21 )