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Written by Administrator   
Wednesday, 25 February 2015 22:08

Caros amigos, quando a Nissan lançou seu carro para disputar a LMP1 do Campeonato Mundial de Endurance durante o intervalo do Superbowl não mencionou quais seriam os pilotos que integrariam a equipe para disputa desta temporada. Contudo, com o passar das semanas o “mistério” em torno dos nomes foi sendo desfeito.

 

Seria natural que a equipe fosse buscar nomes com longa quilometragem na categoria e quando Marc Gené, Olivier Pla e Harry Tincknell foram anunciados ficou uma pergunta com relação a como a equipe trabalharia – se com dois pilotos ou três por carro – nas corridas regulares de 6 horas. A Nissan também confirmou que o alemão Michael Krumm – o primeiro piloto a testar o novo carro – irá disputar as três primeiras etapas do WEC.

 

Partindo do princípio de que seriam usados três pilotos por carro, estariam faltando dois pilotos e a Nissan acabou confirmando algo que eu já acreditava que iria acontecer: a confirmação de dois pilotos do programa de desenvolvimento em simuladores que a equipe de competição ligada à marca mantém desde a década passada.

 

O programa GT Academy, criado em 2008, observou milhares de jogadores do game ‘Gran Turismo’ para PlayStation, e os melhores foram convocados para uma peneira da qual alguns nomes foram contratados. Destes, o inglês Jann Mardenborough e espanhol Lucas Ordoñez vão integrar o time de pilotos.

 

A aposta dos japoneses é algo que eles tem direito de fazer. Afinal, confiam no programa que desenvolveram e que não se trata de colocar “jogadores de videogame” ao volante de carros de verdade. Este programa tem todo um processo, uma metodologia e um acompanhamento de “coaching” por pilotos experientes.

 

Mesmo assim, com todo o comprometimento e recursos tecnológicos disponíveis nestes tempos modernos, ainda é estranho para mim este processo onde o kart, que cresci ouvindo ser chamado de a “categoria escola”, tenha sido substituído por um recurso visual gerado por computador.

 

A grande “estrela” do programa, Jann Mardenborough, há dois anos saiu dos simuladores para as pistas e, mesmo com todo o apoio que certamente recebeu, não conseguiu impor-se entre os melhores (não estou falando nem em ser campeão ou disputar diretamente o título, mas estar entre os 5 primeiros, por exemplo)... e ele foi o vencedor do campeonato do programa GT Academy em 2011!

 

Jann Mardenborough estreou nas pistas em 2012, conquistando a sexta posição no Campeonato Inglês de Gran Turismo. Em 2013, disputou dois campeonatos em monopostos, conseguindo um fraco 21º no europeu e um discreto 6º (entre 13 pilotos) no inglês de Fórmula 3. Dentro da “sua formação”, os carros de Gran Turismo, disputou também a Blancpain Endurance Series... e foi o 14º. Em 2014, na disputa da GP3, com apoio da Red Bull, foi apenas nono colocado.

 

Em compensação, o britânico disputou duas vezes as 24 Horas de Le Mans pela equipe OAK Racing, equipada com motores Nissan, na categoria LMP2 e conquistou um pódio na estreia, com o 3º lugar em 2013 e um 5º lugar no ano passado.

 

Quando a FIA estabelece critérios tão “rigorosos” para dar acesso à Fórmula 1 para que pilotos possam – agora – vir a receber a tal “superlicença”, não seria o caso de se pensar em termos também de quilometragem (real) e avaliação de performance para que um piloto possa ir para a pista e dividir espaço com pilotos realmente experimentados ou “formados”.

 

Acidentes em Le Mans com carros mais lentos e os velocíssimos protótipos da LMP1 são uma constante, principalmente nas 24 Horas de Le Mans, mas não são uma exclusividade do WEC. Na semana passada a piloto Suzie Wolff, escalada para fazer um dia de testes pré-temporada na Williams, visivelmente andando num ritmo aquém do que o carro pode proporcionar, envolveu-se em um acidente com o Brasileiro Felipe Nasr.

 

Espero que a presença dos dois pilotos de formação heterodoxa seja tranquila e que eles não se envolvam em acidentes. Contudo, a FIA precisa ter atenção a questão dos pilotos, seja em corrida ou em treinos, dentro ou fora da F1.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva