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Devagar com o andor que o santo é de barro! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 18 February 2015 22:59

Caros amigos, enquanto muitos pulavam carnaval, de norte a sul do país e em diversos países no mundo, na serena e quase inerte Genebra, uma reunião ocorria e os caminhos da Fórmula 1 poderiam vir a tomar um rumo novo, com grandes mudanças para a temporada de 2016... mas não vingou!

 

Toda e qualquer mudança – positiva – na atual condição da Fórmula 1, com o público reclamando dos carros feios, da falta de ruído nos motores e da previsibilidade das corridas (culpa da eficiência germânica da Mercedes), seria muito bem vinda e as ideias foram surpreendentemente positivas. Motor com 100cv, pneus mais largos... nada!

 

Teve gente que votou contra as mudanças e nada vai mudar para 2016... quem sabe para 2017. O problema é que depois de 1º de março, uma mudança para 2016 teria que ser aprovada por unanimidade, algo dificílimo de ser conseguido com o sistema de voto colegiado do tal do “Grupo de Estratégia”, onde a FIA tem 6 votos, a FOM tem outros 6 e as equipes (McLaren, Ferrari, Williams, Red Bull, Mercedes e a Force Índia como melhor colocada das outras no campeonato passado).

 

Com três das equipes equipadas com motor Mercedes – e apostando na vantagem deste – podem ter sido as responsáveis pela não aprovação do pacote de mudanças, junto com a FIA, que vem insistindo na questão da sustentabilidade em todas as competições que são geridas por ela.

 

Mas a questão é mais complexa quando tem que se passar pela comissão de Fórmula 1 da FIA. Os integrantes desta Comissão representam outros segmentos além do Grupo de Estratégia. Nela, todas as equipes tem direito a voto. E são nove votos. Foi esta comissão que votou pela questão da Marussia (Manor), que pediu para iniciar a temporada com o modelo do ano passado e apenas depois do GP de Bahrein usar o modelo 2015: O pedido foi negado!

 

Neste colegiado a FOM tem direito a apenas 1 voto, bem como a FIA. Quem também tem direito a voto são partes envolvidas diretamente com o evento, caso dos patrocinadores, onde votam Philip Morris (mas a propaganda de cigarros não está proibida?) e Rolex. Fornecedores de componentes também votam, caso da Pirelli. O outro deve ser um fornecedor de motor, que para ser independente teria que ser a Renault. Além destes, oito promotores votam, sendo 4 europeus e quatro não europeus.

 

Com 23v votos em jogo, seriam precisos 17 para aprovar uma mudança e neste universo heterogêneo, tudo é muito complicado, especialmente se a questão envolver custos, especialmente com metade do grid com a corda no pescoço. É bom lembrar que a Force Índia não tinha como finalizar o carro deste ano por falta de pagamento... ficou fora dos treinos de Jerez e quase ficou fora de Barcelona. Para quitar as dívidas com a Mercedes, teve que ceder o carro para o piloto de testes dos alemães.

 

A introdução dos motores com 1.000 cavalos de potência implica rever o regulamento como um todo, notadamente o que rege a aerodinâmica, pneus gestão de combustível e certamente muito mais coisas do que a gente não vê “a olho nu”. Eu só pergunto uma coisa: com os carros com 200cv a mais de potência, alguém ouviu os pilotos para saber o que eles pensam?

 

Numa entrevista recente, Fernando Alonso declarou que os carros de 10 anos atrás eram mais difíceis de ser pilotados do que os atuais. Até onde esta análise vai por conta do embarque da eletrônica a bordo ou de um pseudo excesso de segurança na estabilidade dos carros pode ser questionada... a família Bianchi que o diga.

 

Querer que o espetáculo melhore, que o público levante nas arquibancadas como nos tempos em que os carros esterçavam nas curvas não pode também levar a Fórmula 1 a tomar uma medida tão radical – errar na mão – e tornar os carros verdadeiras cadeiras elétricas. Neste caso, as vozes que se erguerão serão as dos pilotos.

 

Talvez tenha sido melhor mesmo dar dois anos para todos pensarem bem no que vai ser mudado, como vai ser mudado, quais as implicações técnicas das mudanças e o quanto elas custarão.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva