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Algumas perguntas sobre autódromos. PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 11 February 2015 23:51

Caros amigos, há cerca de 10 dias escrevi um Editorial no nosso site (leia aqui) sobre o cancelamento da etapa brasileira da Fórmula Indy e a causa raiz que provocou este cancelamento: a interrupção das obras no Autódromo Internacional de Brasília. Apesar da enorme crise que passa o automobilismo brasileiro em nível nacional, a adequação de praças esportivas pode servir como meio de alavancar o esporte. Mas, será que é realmente isso que se precisa ou esta é uma pequena parte do todo?

 

Na semana passada, foi celebrada – com alegria – a notícia divulgada pela assessoria de Imprensa da Confederação Brasileira de Automobilismo de que as obras no Autódromo Internacional de Brasília seriam retomadas, graças a um decreto assinado em 04 de fevereiro (cerca de uma semana após o cancelamento oficial da etapa da Fórmula Indy) pelo Governador Rodrigo Rollemberg.

 

Reagi de forma cética e indignada à notícia divulgada por nosso respeitável “oráculo”, o jornalista especialista em “furos”, Américo Teixeira.

 

Em primeiro lugar, esta pseudoanunciada retomada – uma semana depois do “caos” – das obras na pista seria mais uma demonstração da incompetência administrativa dos nossos políticos, que estariam gerando uma perda de ganho de receita para a sua localidade com o cancelamento de um evento internacional de grande porte, bem como com a perda (ainda há o que perder?) de credibilidade perante a mídia e os promotores, deste e de outros eventos. A Dorna, promotora do Mundial de Moto GP, que esteve no Brasil tentando viabilizar uma etapa do campeonato em 2014, chegando a incluir no pré-calendário a corrida em Brasília, para 2015 nem se deu o trabalho de fazer o mesmo! Cairíamos mais uma vez naquele “chavão” de que não somos um país sério.

 

O Decreto assinado em 04 de fevereiro destina-se a obras para recuperação viária no Distrito Federal, nada tendo a ver com o autódromo. Nesta hora eu pergunto: quais os resultados práticos daquela reunião que houve em Brasília com os presidentes das federações de automobilismo e motociclismo, clubes e com a presença do Diretor Executivo da VICAR, Maurício Slaviero, hoje responsável por pelo menos 70% do automobilismo em caráter nacional deste pais?

 

Hoje, enquanto os estimados leitores estiverem percorrendo as linhas desta coluna, deverá acontecer – à princípio pela manhã – uma visita ao autódromo por parte do presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, Conselheiro Renato Rainha, acompanhado do governador Rodrigo Rollemberg.

 

Aparentemente, uma lufada de bom senso parece soprar na direção do Conselheiro Renato Rainha, uma vez que o mesmo concorda – segundo a nota divulgada pelo Tribunal de Contas pelo qual responde – que deixar o circuito inacabado também é prejudicial aos cofres públicos, sendo necessária a adoção de uma postura gerencial eficiente e que evite desperdício de recursos do Distrito Federal.

 

Existe uma “proposta” para a liberação de uma verba de pouco mais de 37 milhões reais (em fase de avaliação), que foi apresentada pelo Governador Rodrigo Rollemberg logo após o anúncio do cancelamento da licitação no início de janeiro, ou seja, antes mesmo da paralisação das obras no Autódromo. Este valor teria como destinação a conclusão da adequação da pista, com a instalação de barreiras de pneus, guard rails, grades de proteção, término das demolições necessárias e a remoção de entulhos, pinturas, reparos nas arquibancadas e plantio de grama nas áreas de contorno da pista.

 

Com isso, as etapas da Fórmula Truck (marcada para o dia 12 de abril) e do evento VICAR (marcado para o dia 26 do mesmo mês) ainda estão correndo risco de adiamento, cancelamento ou permuta com outra data em outro autódromo.

 

Falando em outro autódromo, no caso, autódromos, Uma delegação da FIA veio ao Brasil nesta última segunda-feira para vistoriar o Autódromos Ayrton Senna, em Goiânia, e o Velo Città, de Eduardo Souza Ramos, em Mogi Guaçu, interior de São Paulo para possibilitar a homologação das duas praças para a realização de eventos internacionais. A comitiva da Federação Internacional de Automobilismo será acompanhada por Jhonny Bonilha, Presidente da Comissão Nacional de Ciruitos diretor de Autódromos da CBA.

 

Tenho algumas perguntas que julgo pertinentes: A primeira é com relação ao Velo Città, uma obra fantástica e digna de aplausos deste apaixonado pelo automobilismo. Eu gostaria de saber se esta homologação (podem conseguir um FIA 3) vai servir para que o Velo Città possa ser uma alternativa mais viável – técnica e financeiramente falando – para o campeonato paulista de automobilismo em relação aos altos custos de Interlagos.

 

Além disso, estando homologado, será possível termos provas de categorias nacionais? Será possível tentar trazer novamente para o Brasil o WTCC? Será possível usar as áreas em torno da pista para colocação de arquibancadas móveis? Ouvi falar que haveria impedimentos sócio-ecológicos para o uso comercial da pista. Caso haja, para que tal esforço?

 

Outra pergunta vao para o Sr. Eduardo Souza Ramos: Estaria ele disposto a aventurar-se neste caminho ou a certificação será apenas um diploma na parede, como um troféu, e o autódromo ficará restrito às corridas dos “rich drivers” que pagam pra correr na Copa Mitsubishi ou nos eventos fechados que lá ocorrem?

 

A pergunta seguinte é: Porque não aproveitaram a vinda desta comissão e estenderam a vistoria até o Autódromo Internacional Zilmar Beux, em Cascavel-PR? Ainda mais sendo o primeiro vice-presidente da CBA um paranaense, Sr. Milton Sperafico? O Autódromo foi recentemente reformado, possui um traçado desafiador e boas condições de segurança. Poderia pegar uma classificação FIA 4 sem maiores problemas. Quem sabe até mesmo a FIA 3...

 

A reforma de Goiânia, tão festejada por tantas pessoas continua sendo intrigante para mim. Gastaram uma fortuna e deixaram a pista com os mesmos 12 metros de largura de quando foi construída, nos anos 70. Tamanha falta de visão deve-se certamente ao administrador Fernando Gonçalves, que afirmou não querer nem precisar de palpites de pilotos (leia aqui). Seus engenheiros fizeram verdadeiras sequências de quebra-molas – vimos isto na reabertura do autódromo – e que precisaram de obras de correção.

 

Vai conseguir um “FIA 3”, mas se tivesse sido feia uma reforma do jeito certo, alargando a reta para 18 metros (área tem de sobra), trabahar algumas partes para aumentar a largura para 14 ou 15 metros, boxes melhor dimensionados, conseguiria uma classificação FIA 2, algo que Brasília (caso seja concluído) pode conseguir.

 

Sr. Cleyton Pinteiro e Sr. Jhonny Bonilla, aguardo as respostas para as minhas perguntas.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva