Classificados

Administração

Patrocinadores

 Visitem os Patrocinadores
dos Nobres do Grid
Seja um Patrocinador
dos Nobres do Grid
Entre o cifrão, a emoção e a tradição! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 22 January 2015 02:15

Caros amigos, quem tem como obrigação acompanhar e operar dentro do mercado financeiro, caso deste vosso escriba, e que tem acompanhado o crescimento das incertezas na economia europeia, a queda do Euro em relação ao Dolar e a evidente continuidade da recessão no continente já criaram problemas no automobilismo no final da década passada e continuam criando.

 

Este ano uma nova antiga ameaça está surgindo: a de perdermos corridas em lugares tradicionais por falta de condições para os promotores arcarem com a “taxa do promotor”. Algum dos leitores lembra quando foi a última corrida de Fórmula 1 na França sem consultar o Google? Foi em 2008!

 

Agora, é o GP da Alemanha que está ameaçado. Inclusive, no site oficial da Fórmula 1 está, ao lado da data e do local (país) da prova, a sigla “TBA”, que quer dizer, “To Be Announced” (a ser divulgado). A mesma que está na data reservada para o GP da Coreia do Sul.

 

O ponto de inflexão desta curva fica entre o valor estipulado pelo “dono” da categoria (Bernie Ecclestone) e o tanto que um promotor pode pagar para se fazer um evento com a importância e magnitude que tem um GP de Fórmula 1. Além disso, algumas variáveis – do passado e do presente – fazem parte desta equação onde é preciso se considerar a questão financeira. Afinal, sem dinheiro, nada acontece.

 

É muito “romântico” pensarmos que é preciso preservar “a alma do esporte”. Acontece que a Fórmula 1 – ao longo dos anos 70, principalmente, e desde então – deixou de ser esporte e virou negócio. Um negócio que gira em torno de cifras astronômicas e que precisa ser financiado de alguma forma.

 

Ao longo de décadas os direitos de transmissão de televisão foram a principal fonte de renda da FOM, empresa que gere a Fórmula 1. Acontece que a queda da audiência vem sendo um problema ao longo dos anos e, com um produto em baixa, assim como no mercado de valores, o seu preço cai. Afinal, há um interesse menor pelo produto.

 

Por outro lado, nos últimos 20 anos – e de forma mais acentuada nos últimos 10 – países que não tinham (ou tem) tradição, histórico ou mesmo pilotos nas principais categorias do automobilismo passaram a ver na Fórmula 1 uma forma de colocar uma cidade ou um país inteiro na mídia mundial por uma semana, sendo que por 3 ou 4 dias, de forma maciça!

 

China, Malásia, Singapura, Bahrein, Abu Dhabi e outros tem, por trás da realização direta das suas respectivas etapas da Fórmula 1 os governos locais para custear as despesas e a tal “taxa do promotor”... que o homem de negócios Bernie Ecclestone tratou de levar a um platamar quase surreal.

 

A questão é que há dois tipos de promotores: os governamentais e os empresariais, que tem procurado manter suas corridas à duras penas. Afinal, se um governo promotor não recupera na bilheteria o que investiu para ter a corrida, tem como recuperar com a exposição publicitária do país ou da cidade onde o evento acontece. Este não é o caso do promotor privado, como é o caso das corridas na Inglaterra, na Alemanha, na Bélgica, na Espanha... atualmente, 12 dos 20 promotores de GPs de F1 são governos em alguma esfera de poder.

 

Logicamente, com os custos orçamentários de logística da categoria, com os custos das equipes e seus orçamentos de centenas de milhares de dólares, em parte custeados pela transferência de dinheiro da FOM para elas, e – claro – com a realização de lucros, os valores não são pequenos. O problema é que, com os orçamentos cada vez mais altos das equipes, tem que sair dinheiro de algum lugar e, na crise da economia mundial, patrocinadores estão ficando escassos, vide a situação da McLaren no ano passado e que aponta para algo não tão diferente este ano.

 

O caso de Nurburgring, para onde estaria destinado o GP da Alemanha deste ano, no revezamento que é feito com Hockenheim, a questão financeira é mais antiga, desde que um grupo privado tentou – sem sucesso – fazer do local um empreendimento multiuso. Endividados e com problemas com o governo da região, este ano – até agora, pelo menos – “a conta não fechou” para bancar a corrida. Os gestores disseram que não desistiram da corrida, mas agora, a disputa é contra o tempo.

 

Na contramão disto tudo, vem a ideia do Bernie Ecclestone em que seja feito um “desenvolvimento” nos motores para que eles tenham 1000cv, o que vai gerar ainda mais custo e que, certamente vai deixar os motores mais frágeis.

 

Negócio ou não, a F1 não pode perder sua magia.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva