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Written by Administrator   
Wednesday, 14 January 2015 22:29

Caros amigos, há algumas semanas o título desta coluna foi: “Eu quero acreditar”. Nela, eu escrevia, com muita desconfiança e alguma fé que eu realmente gostaria de acreditar no bom andamento, na execução das obras e na realização da etapa da Fórmula Indy em Brasília no próximo dia 8 de março.

 

Não demorou muito e surgiu o primeiro entrave, com a publicação no Diário Oficial do Distrito Federal de que a licitação estava suspensa por irregularidades. Assunto que também foi tratado aqui nesta coluna, apresentando mais temores, não apenas meus, mas de outros seguimentos, preocupados com a repercussão de um cancelamento da etapa devido ao não cumprimento da obra.

 

No início desta semana, o Diário Oficial do Distrito Federal publicou na segunda-feira que a licitação para as reformas no autódromo estava revogada devido a várias irregularidades, apontadas – dentre elas – o sobrepreço de quase 35 milhões de reais, a duplicidade de serviços e “falhas graves no projeto básico de engenharia”.

 

Além das questões técnicas, das quais eu não duvido, existe a questão política e principalmente a questão moral. O Distrito Federal alegou no final do ano, falta de caixa para o pagamento do 13º salário aos seus servidores e o investimento de mais de 250 milhões de reais, levou o Presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, José Rainha, a questionar. “Se não há dinheiro para pagar servidores, como vamos gastar esse valor em um autódromo?”

 

O Tribunal de Contas do Distrito Federal também questionou a forma como o processo licitatório foi conduzido, apontando para que o fato da reforma, que será feita por etapas, deveria ter sofrido um processo de licitação na mesma forma, com as suas etapas desmembradas, o que agilizaria a liberação do processo e consequentemente a sua execução.

 

Recebi ontem pela manhã, uma série de fotos do nosso Editor Chefe, fotos estas tiradas pelo responsável pelo Blog Mocambo, Jovino Coelho, mostrando o andamento das obras, que não pararam, uma vez que estas foram consideradas “obras rodoviárias menores” ligadas apenas à pista, segundo o Tribunal de Contas do Distrito Federal.

 

Desperta a minha curiosidade em saber a real definição de “obras rodoviárias menores”... Se um autódromo permanente é um lugar fechado onde se dão disputas de competições automobilísticas e motociclisticas, porque a verba para estas obras estaria liberada, se ali, não há uso público e não se leva a lugar algum?

 

Apesar de todo este confuso processo – a menos de dois meses da realização da corrida – a mesma deverá acontecer, e o Tribunal de Contas do Distrito Federal estará fazendo o papel da justiça indiana que nas vezes em que aconteceu o GP da Índia de Fórmula 1, suspendeu a corrida e a mesma foi disputada? Espero que fique nisso. Um cancelamento real seria uma vergonha... e eu não consigo descartar totalmente esta possibilidade, por mais que queira.

 

Voltando ao teor das fotos, as antigas instalações de boxes vieram ao chão, e no espaço estão sendo levantadas estruturas com sustentação metálica onde deverão ficar as “garagens”, local onde as equipes trabalham nos carros, uma vez que na Fórmula Indy não se para nos boxes, mas sim ao lado de um muro, para o reabastecimento e a troca de pneus. Estas estruturas, possivelmente serão usadas como boxes para as etapas das competições nacionais... com nossas categorias tendo que se virar para se adaptar a tal situação.

 

Em termos de pista, as curvas estão sendo trabalhadas, para aumentar a área de escape. Contudo, isso me leva a outra preocupação: o tempo de ‘cura’ do asfalto! O nosso histórico de reformas em autódromo (exceção de Interlagos, de uma década para cá) é de problemas no asfalto após as obras.

 

Como a Fórmula Indy corre em qualquer lugar, com pisos onde os carros saltam como milho de pipoca em uma panela quente, as ondulações que surgirem não serão um problema tão grande. Contudo, se o asfalto começar a soltar, o senhor Tony Cotman, vistoriador do circuito, não vai ficar nada satisfeito.

 

Apesar de tudo, eu continuo preocupado.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva