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O certo e o errado PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 24 December 2014 23:13

Caros amigos, Uma das coisas mais perigosas que o ser humano pode fazer é o julgamento. Seja de alguém ou alguma coisa, mas quando se trata de pessoas e suas atitudes, a subjetividade é algo que quem julga não considera... ao contrário de quem vê ou lê tal julgamento. Portanto, vou apenas me limitar a expor fatos, sem julgá-los.

 

Bernie Ecclestone teve aquilo que se costuma chamar de “ano pra esquecer”, mas que todos lembrarão e lembrarão de tudo.

 

Teve todo o desfecho dos julgamentos na Inglaterra e principalmente na Alemanha com relação às denúncias – comprovadas – de suborno e transações escusas que acabaram por fazer a sempre condescendente CVC a “afastar o executivo de suas funções” (Se cumprido à risca, o todo poderoso não teria mais qualquer poder de decisão no Mundial. Bernie não mais poderia assinar contratos e acordos comerciais, por exemplo, cabendo ao presidente do conselho acionário da CVC, Peter Brabeck, e seu vice-presidente, Donald Mackenzie, o cumprimento destes afazeres. Contudo, na prática, nada parecia ter mudado, uma vez que ele continuava a circular com a autoridade de sempre nos autódromos), e que foram encerrados de maneira surpreendente.

 

Na Inglaterra, ele foi declarado culpado de um “desvio”, mas não foi punido. Lá, “no quintal de casa”, nem uma libra saiu do seu gigantesco bolso para reparar perdas de pessoas e grupos que foram vítimas das maracutaias realizadas. Pior mesmo foi na Alemanha, onde uma manobra legal – parecendo coisa de justiça brasileira – permitiu um acordo camarada onde o réu paga uma multa, uma taxa, uma indenização (100 milhões de dólares foi uma quantia pequena diante do estrago) e sai livre das acusações.

 

Acontece que o banco BayernLB continuou a se sentir lesado com o processo (perdeu dinheiro e credibilidade no mercado). Por conta disso, recusou-se a fazer um acordo – estimado em 30 milhões de Euros – para evitar um novo processo. Assim, o Bayern LB entrou oficialmente com um processo contra Bernie Ecclestone e seu fundo fiduciário familiar ( o Bambino, “oficialmente” controlado por suas duas filhas – Petra e Tamara) por conta da venda de sua parte nas ações da F1 para a CVC.

 

Se fora do circo as coisas andaram assim, dentro dos paddock a temperatura não foi mais amena, com os tomes menos favorecidos financeiramente pedindo por um “realinhamento” de distribuição de arrecadação na FOM. A situação chegou a um ponto extremo na etapa norte americana com um risco de boicote – não assumido e não confirmado – por parte de Force Índia, Sauber e ‘Nega Genii’.

 

A situação financeira das três continua instável, a da 'Nega Genii' é crítica, basta lembrar que Gerard Lopez pediu ao diretor da CVC, Donald Mackenzie ajuda financeira. Nesta véspera de Natal, até o risco de que os carros negros estarem ausentes do grid. As duas equipes mais modestas do grid quebraram! Marussia e Caterham não vieram para o continente americano. A Marussia colocou a sede e seu material à venda para tentar amenizar as dívidas. A sede foi comprada pela futura equipe norte americana de Gene Haas. Os demais itens, estão sendo pulverizados pela internet!

 

A Caterham – protagonista de uma inusitada ‘vaquinha’ para alinhar seus carros na corrida de encerramento da temporada – ainda parece tentar sobreviver à intervenção de uma gestão judicial e voltar à pista em 2015... mesmo que com o carro de 2014! Ou seja, serão duas “chicanes móveis”... como sempre foram, mas ainda mais lentas caso consigam o feito de ir para a Austrália em março.

 

Na contramão dos progressos científicos, Bernie Ecclestone luta com todas as armas que pode contra os motores turbo e sua tecnologia de recuperação de energia, pregando a volta dos motores aspirados V8. Contudo, com quatro das nove equipes impulsionadas pelos equipamentos da alemã Mercedes, que declarou estar pensando se valeria a pena ficar na F1 antes da mudança das regras por conta dos custos de desenvolvimento em um produto não comercialmente utilizável (os motores V8 de até 2013), quem vai apoiar esta mudança?

 

Logicamente que um ajuste de regras se faz necessário. Do contrário, teremos mais uma hegemonia sem ameaças por parte dos alemães, como um dia teve a Ferrari ou a McLaren-Honda, ou a Williams-Renault. Falta de competição é ruim para o espetáculo. Todos sabem disso, mas para mudar as regras tem que mexer com quem está ganhando e quem está ganhando nunca quer mudanças. Contudo, entre ter a volta dos V8 e diminuir uma vantagem incontestável para algo mais apertado pode ser melhor para a Mercedes.

 

O problema é que Bernie Ecclestone quer mais. Ele quer tudo! Pior: como os donos da CVC devolveram para ele os plenos poderes de antes dos problemas jurídicos de 2014, ele está se sentindo mais poderoso do que nunca e parece disposto a seguir “no seu caminho”, sendo ele o certo ou não.

 

Na “contramão” do que tem feito a F1, com escândalos, má gestão e equipes endividadas, o Mundial de Endurance vai se fortalecendo, com a chegada de mais uma montadora – a Nissan – para a principal das quatro categorias, a LMP1 com propulsão híbrida. Ao longo do campeonato serão 8 carros nas 4 montadora envolvidas. Para as 24 Horas de Le Mans, apenas a Toyota terá dois carros. As demais (Audi, Porsche e Toyota) terão três. Além disso, tem os 3 protótipos “convencionais” (2 da Rebellion e 1 da Lotus).

 

Na LMP2, os dirigentes do ACO vão ter uma bela dor de cabeça, com uma perspectiva de mais de 30 inscritos para a mítica prova, além do equilibradíssimo campeonato entre as equipes que o disputam regularmente. Além disso, há também o crescimento nas categorias de Gran Turismo e a possibilidade da Ford retornar à competição em 2016.

 

Quem estaria fazendo a coisa certa? O ACO ou a CVC?

 

Feliz Natal, um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva

 

p.s.: Um abraço carinhoso ao grande Reginaldo Leme. Que sua recuperação seja rápida.

 

 

 

 

 

Last Updated ( Thursday, 25 December 2014 06:51 )