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O homem e o rato PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 27 November 2014 05:32

Caros amigos, alguns de vocês, leitores do nosso site, já deve ter ouvido a expressão: “Um homem é um homem e um rato é um rato”. Acredito que poucos saibam a origem da mesma... mas vou lhes contar. Ela vem de ninguém menos que Napoleão Bonaparte, imperador francês que por pouco não conseguiu conquistar a Europa. No período em que passou a sofrer reveses, proferiu estas palavras para um de seus generais, que sugeria o recuo das tropas.

 

Tal bravura francesa, apesar de todos sabermos o resultado final do embate, talvez tenha sido a inspiração do já definido como ex-piloto da Toro Rosso e do programa da Red Bull de pilotos, Jean-Eric Vergne. Uma aposta do programa de formação de jovens pilotos que, após três anos na Fórmula 1, estará buscando um novo espaço a partir de 2015.

 

É um “lugar comum” – e nisso eu me refiro ao mundo como um todo e não apenas à Fórmula 1 – quando uma pessoa toma uma atitude, assume uma posição ou expõe uma ideia,mesmo sabendo que aquela postura ou aquelas palavras podem ser usadas contra ele – e muitas vezes serão – mas que o valor de uma consciência tranquila tem um valor muito maior do que uma atitude de subserviência que pode vir a ferir muito mais do que uma ação contrária.

 

Ao longo do final da década passada o “programa de jovens pilotos” da Red Bull estava investindo pesado em dois pilotos muito promissores: Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne, aparentemente com chances iguais para ambos, apesar da trajetória que eles percorreram – igualmente vitoriosas – tivessem sido distintas... até o encontro na World Series by Renault.

 

Era uma situação bastante interessante ver dois carros pintados com as cores da Red Bull sendo cada um em uma equipe diferente – acho que isso nunca aconteceu na historia do automobilismo – na mesma categoria. Os mais desavisados certamente não perceberam este detalhe.

 

Foi uma luta dura, leal e que teria – teoricamente – a decisão ao final da temporada de promover o vencedor à Fórmula 1, através da Toro Rosso, seguindo o mesmo esquema utilizado para preparar Sebastian Vettel para a equipe principal. Provavelmente eles não acreditavam, no início da temporada, que ambos poderiam vir a subir juntos para a categoria.

 

Mesmo sem terem vencido o campeonato, acabaram vindo a formar a dupla de pilotos da Toro Rosso por duas temporadas, mais uma vez numa disputa equilibrada e que acabaria servindo como “vestibular” para a vaga aberta pela saída de Mark Webber. E o escolhido foi Ricciardo!

 

Ao longo desta temporada, Vergne teve como companheiro de equipe na Toro Rosso um jovem piloto Russo, Daniil Kvyat, que saltou da GP3 direto para a F1. Foi mais consistente, trabalhou o carro, mas viu na equipe principal seu companheiro de equipe implodir a fama do tetra campeão Sebastian Vettel... numa vaga que poderia ter sido dele.

 

Quando Sebastian Vettel anunciou sua saída da equipe, certamente as conversas dentro da estrutura já haviam se iniciado para decidir quem seria o substituto do multi campeão. A decisão anunciada de que seria Kvyat e não Vergne surpreendeu quem acompanha a categoria... e talvez o próprio Vergne, que além de preterido foi “dispensado”.

 

Excluído dos planos da equipe, inclusive da Toro Rosso quando foi anunciada a contratação de Max Verstappen, Vergne recebeu uma espécie de “aviso prévio”, que chegou a “mudar de perspectiva” quando o próprio Verstappen pediu a permanência de um piloto mais experiente ao seu lado na equipe.

 

Saber todos os detalhes do que e como aconteceu é algo muito difícil de se obter na F1, mas a posição de Jean-Eric Vergne ao anunciar que ele estava de saída da Toro Rosso  colocou fim nas especulações, deixou Verstappen sem o seu “piloto experiente” e mostrou que o francês não aceitou ser um “quebra galho” ou as “rodinhas da bicicleta” de Verstappen. Talvez escolado pelo que viu na relação Webber-Vettel alguns anos atrás.

 

Qual será o seu destino ainda não se sabe, mas Jean-Eric Vergne conquistou o meu respeito ao mostrar personalidade e força em sua decisão. Afinal, um homem é um homem e um rato é um rato!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva