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O choro das viúvas! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 05 November 2014 22:27

Caros amigos, ao longo destes últimos dois meses, recebemos no nosso email diversas mensagens, muitas com fotos e praticamente todas com protestos exacerbados sobre a “destruição de Interlagos”. Exceção feita a dois ou três leitores mais equilibrados, pudemos ver melhor o primeiro impacto das obras que o autódromo está sofrendo. Até o momento, só pontos positivos e necessários.

 

A próxima etapa, que terá o maior impacto estrutural, será a reconstrução dos boxes e área do paddock, que serão otimizadas para atender de maneira mais racional ao principal evento do ano e, como nos foi relatado pelo Nobre do Grid Chico Rosa, será o ano inteiro de obras. Por isso da não vinda do mundial de endurance em 2015 e não pelos boatos que andaram rolando na imprensa marrom.

 

Voltando a questão da obra em si, não consigo não traçar um paralelo entre os saudosos do Ayrton Senna e os saudosos do Interlagos de quase 8 mil metros. Vão chorar, chorar e chorar... mas não vão ter o que tinham de volta! Interlagos não é mais o mesmo porque o automobilismo não é mais o mesmo.

 

Não querer ver, não admitir é como dar uma de D. Quixote e partir com tudo contra o moinho de vento. É irreversível! Isto, claro, não implica em concordarmos com a forma ou a maneira como as coisas estão sendo feitas. Alternativas poderiam ter sido usadas ao invés do plano atual, mas uma coisa é inexorável: ou mudava ou desaparecia.

 

Quando velos as transmissões da Fórmula 1 aí pelo mundo, que muitas vezes é aberta com uma imagem aérea, responda-me caro leitor: em qual delas o circuito (Não os que são feitos em parques ou ruas, caso da Austrália, Canadá e Mônaco) fica encravado num aglomerado urbano?

 

A resposta é: apenas Interlagos! Os demais ficam todos longe. Tem que dirigir 30, 40 minutos... as vezes algumas horas para se chegar no autódromo, e todos eles – talvez exceção à Hungria – tem uma melhor infraestrutura do que a encontrada no Brasil para que os profissionais possam trabalhar e as pessoas possam assistir o espetáculo.

 

O fato da Fórmula 1 continuar tendo Interlagos como palco (até 2020, segundo o atual contrato onde acertou-se fazer as “obras necessárias”) tem salvo o espaço de 1 milhão de metros quadrados da especulação imobiliária. Do contrário, o autódromo já teria desaparecido há alguns anos... ou décadas!

 

Basta fazer uma conta rápida: quanto vale um metro quadrado na região? Terreno, espaço aberto... 5 mil reais? Se for isso, serão 5 bilhões de reais que a prefeitura ganhará vendendo o terreno. Se formos levar em conta o metro quadrado construído, depois de obras prontas, este valor mais do que dobrará... e a prefeitura ainda ganhará mais dinheiro com o IPTU.

 

Sendo assim, caras viúvas, chorem... mas agarrem-se com o que lhes resta e tentem ser feliz com o “Frankstein” que tomou o lugar do vosso amado “templo”.

 

Enquanto isso, no Balcão do Cafezinho...

 

 Pois é, pessoal. Não é que o “Bom Velhinho” deu-se ao trabalho de responder... é, mas tinha que ter mais coisas por trás do que apenas uma magnânima boa vontade do cidadão que é capaz até de “comprar um acordo judicial”, como fez na Alemanha.

 

Ele deu o braço a torcer e admitiu que “claramente existe um problema, e que para ser resolvido deverão ser feito alguns sacrifícios”. De uma forma como nunca havia dito antes, ele afirmou que “existe muito dinheiro sendo dividido desigualmente entre as equipes, e que para ser resolvido o problema monetário mudanças precisarão ser feitas e que estas mudanças podem não agradar outras partes”, e – pasmem – considerando-se responsável pela situação!!!

 

Sabem aquela máxima de “quem tem, tem medo?” Pois é... o “Bom Velhinho” está com medo! Afinal, a vaca caminha a passos largos para o brejo e se nada for feito logo e drasticamente, a F1 pode estar com os dias contados. Por mais absurdo que possa parecer, isso pode acontecer. Já aconteceu na NBA, na NASCAR, na Liga daquele agarra-agarra que os americanos chamam de futebol... e tudo o que o “Bom Velhinho” não quer é aparecer como o responsável pelo fim da categoria.

 

O homem foi fundo. Falou até em “doação” das equipes grandes para as “nanicas” e até mesmo médias. Oraculamente falando, disse que a situação atual levará um tempo para ser resolvida, mas que o interesse de que a categoria se fortaleça é de todos e ele acredita na contribuição de todos.

 

O engraçado é que, na véspera de toda esta benevolência, o “Bom Velhinho” havia demonstrado em entrevista para a ‘Sky Sports’ não estar preocupado diante da crise que Caterham e Marussia atravessam e foi mais além, chegou a dizer que o número de carros na categoria poderia cair para 14 em 2015, provavelmente contando com a falência da Sauber e da “Nega Genii”.

 

Mais uma vez, como fizera em ocasiões recentes, que não sentirá falta das equipes menores “se elas não agirem de acordo com seu padrão e não cumprirem seu papel”. Indo ainda mais longe, disse que “Não queremos times que fiquem por aí feitos mendigos”.  Não quem, cara pálida?

 

Pra fechar o papo, metralhou mais uma vez os atuais motores da categoria dizendo que “vai tomar atitudes para que eles voltem a roncar como antes... já no ano que vem, nem que seja preciso se livrar desses motores porque eles não fazem nada para ninguém. Não são de F1”!

 

Porque teria o “Bom Velhinho” mudado seu discurso da água para o vinho? A resposta veio por conta da ameaça de greve – ou “boicote” – que surgiu no paddock em Austin, envolvendo os nomes da Force Índia, da Sauber e da ‘Nega Genii’ no intuito de mostrar que seus problemas financeiros também são graves.

 

A coisa só não descambou para uma vexame que relembraria o ocorrido em 2005 em Indianápolis porque Donald Mackenzie, presidente da CVC – que é um grupo de investimentos –  ligou para Gérard Lopez, dono da ‘Nega Genii’ – e a Genii é um grupo de investimentos – e se comprometeu a buscar soluções.  

 

Algumas semanas atrás esta coluna teve como título “Você conhece a CVC?” lembram? Pois é, eles é que são os  donos da Fórmula 1, não o “Bom Velhinho” e o grupo CVC anunciou que estará injetando 100 milhões de Libras (cerca de 400 milhões de reais) para tentar minimizar a crise financeira de alguns times do grid, segundo o jornal ‘The Guardian’.

 

As equipes chamada médias (mas duras) não escondem a preocupação com o aumento excessivo nos custos, a baixa receita de patrocinadores e a fase de queda de audiência televisiva do Mundial. Durante todo ano elas estiveram em guerra com o famigerado “grupo de estratégia” e não pareciam ser ouvidos. Neste final de semana em Austin, as três equipes se reuniram com Bernie Ecclestone para discutir a situação.

 

Segundo o presidente do Grupo Genii, que tem sua equipe endividada até o teto do Box, não é algo complicado de fazer. Apenas requer boa vontade. Não será algo tão grande. O problema é que esta mudança vai atingir as finanças e os interesses de quem ganha mais e neste mundo ninguém gosta de perder dinheiro.

 

Em 2013, o grupo  CVC e os demais acionistas colocaram no bolso uma parte considerável do lucro da F1, em um valor estimado em um bilhão de Euros. Pouco menos de 640 milhões de Euros foi entregue às equipes como forma de premiação. Só que o critério de meritocracia (quem saiu-se melhor ganhou mais dinheiro) devido ao desempenho nas pistas – além de acordos comerciais distintos como tem a Ferrari – acaba sendo cruel e aumentando a diferença entre times grandes e pequenos.

 

O maluco beleza do Eddie Jordan, que hoje é comentarista da BBC, “cantou a pedra” sobre esta conversa do Donald Mackenzie com o Gerard Lopez e o dono da ‘Nega Genii’ garantiu que o chefão da CVC prometeu colocar a questão das três equipes em discussão mesmo se a opinião do “Bom Velhinho” seja contrária. O circo vai pegar fogo especialmente porque os representantes de grandes equipes como a Red Bull e a Ferrari já começaram a se manifestar com relação a esta “redistribuição de renda”.

 

Numa outra frente de batalha, a dos motores, a Mercedes acenou com um “compromisso de suavizar as regras com relação ao congelamento dos motores, mas somente como exceção para 2015”. A equipe chefiada por Toto Wolff, que era contrária à flexibilização permanente por temer um aumento nos custos, disse que a Mercedes pode aceitar a modificação, desde que tenha certeza de que não haverá uma elevação dos gastos.

 

O regulamento técnico da F1 congelou o desenvolvimento para evitar custos desenfreados. Depois que unidade de força foi apresentada e homologada pela FIA, em 28 de fevereiro de 2014, as mudanças permitidas durante a temporada só podem atender casos de "confiabilidade, segurança ou razões de economia e de custos". Um número limitado de modificações é autorizado também entre um ano e outro.

 

Mas tem uma coisa engraçada nisso tudo... nesta bondade da Mercedes. Sabe aquela coisa que, “quando a esmola é grande o cego desconfia”? Pois é. Marco Mattiacci, chefe da Ferrari, tratou de acalmar as expectativas lembrando que após as conversas em Cingapura a Mercedes também havia se mostrado pró-mudança, mas depois inverteu seu posicionamento.

 

Christian Horner, chefe da Red Bull, que também havia criticado a Mercedes pelo posicionamento assumido anteriormente. Embora tenha se mostrado animado com as chances de as montadoras contarem com um período durante a temporada para mexer no projeto original, não acredita que alterações revolucionárias na regra irão acontecer. Nem ele, nem eu!

 

Falando ainda sobre a América, que loucura foi aquela no final da corrida do Texas. A porrada comeu solta uma semana depois dos pilotos Jeff Gordon e Brad Kaselowsky terem saído no tapa na área dos motorhomes após a corrida. Hipócritamente, mesmo depois de ver os dois envolvidos na pancadaria generalizada, mais parecendo briga das torcidas organizadas do futebol brasileiro, os dirigentes da categoria decidiram punir um monte de gente nas equipes... menos os pilotos. Mas isso deve ser culpa da CBA também, né?

 

Por falar em coisas da CBA, a VICAR anunciou ontem seu calendário e foi surpreendente. A promotora decidiu reunir seus eventos para a temporada 2015. As cinco categorias estarão juntas ao longo do ano, divididas em 14 datas. Todas elas correrão nos mesmos finais de semana em que acontecerem etapas da Stock Car, exceto no encerramento da temporada, em dezembro, em Interlagos.

 

Certamente a questão de manobrabilidade de logística e o custo da mesma foi levado em conta. Agora, a questão ficará mais fácil para acomodar as datas de outros eventos, em especial a Fórmula Truck, para que não haja coincidências de datas entre as corridas. Este ano foi simplesmente ridículo, com o cúmulo de termos no mesmo final de semana uma corrida em Goiânia e outra em Brasília... a 200Km uma da outra.

 

Pra fechar o “sem açúcar”: Não pode ser séria essa estória de que o Barrichello queria “se despedir da F1” correndo na Carteham aqui no Brasil, né? Pra que? Pra ficar no Q3, tomar pau do Ericsson, dar mais um motivo pra todo mundo fazer chacota? Catarina, as tuas sessões de terapia não estão funcionando... ainda existe camisa de força e tratamento de choque?

 

Um abraço e até a próxima,

 

 

Fernando Paiva