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E agora, Bernie? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 29 October 2014 22:57

Caros amigos, se havia todo um clima pesado antes do GP da Russia, em Sochi, por conta das ações políticas do presidente Vladmir Putin, tanto com relação as ações maquiadas na vizinha e ex-satélite soviético, Ucrânia, bem como dos riscos de ataque de um grupo separatista na região, tudo isso ficou pequeno diante do “terremoto” provocado com o anúncio da não participação (e, sinceramente, poderíamos dizer o fim das atividades de Caterham e Marussia).

 

Muitas pessoas provavelmente não de como estas equipes – além da Hispania – surgiram na Fórmula 1. Como a “memória imediata” costuma prevalecer, e vimos nos últimos dois anos o Sr. Bernie Ecclestone criticando abertamente a existência destas equipes, pretendo ter o prazer de desmascarar mais esta conveniente mudança de postura do mandatário da categoria.

 

Ao longo dos anos de 2006, 2007 e 2008, a Fórmula 1 tinha, entre as equipes que participavam do campeonato, seja com uma equipe própria, seja como fornecedores de motores. Eram a Honda, Toyota, BMW, Mercedes, Renault e Fiat, através da Ferrari.

 

Ao longo do segundo semestre de 2007 e primeiro semestre de 2008, “a temperatura subiu” entre Bernie Ecclestone e as montadoras, que queriam uma maior fatia do que a Fórmula 1 ganhava, no justo direito de protagonistas do espetáculo. A situação chegou a um ponto que passou a ser considerada uma ruptura com a FOM de Bernie Ecclestone e a criação de um campeonato das montadoras, que por força de direitos de marca, não poderia ter o nome “Fórmula 1”.

 

Empresário astuto, Bernie Ecclestone tratou logo de cuidar para que tal mobilização das montadoras fosse “esvaziada”. Junto com seu amigo de longa data e presidente – praticamente colocado por ele – da FIA, Max Mosley, teve início a articulação de um “programa de estímulo” à criação de novas equipes na categoria. Para fornecer os motores, seria “ressuscitada” a Cosworth, que empurrou os carros de quase todos no grid durante os anos 70, antes da chegada dos motores turbo no final daquela década.

 

Para “salvação” de sua pele, veio a crise econômica mundial, que afastou Honda, Toyota, BMW e fez a Renault vender a equipe. Precavido, Bernie Ecclestone não esperou a economia mundial se recuperar e deu prosseguimento ao plano. Daí vieram a Manor (que virou Virgin e depois Marussia), a Lotus (que perdeu o nome na justiça e virou Caterham), a Campos (que quebrou antes de ir pra pista e virou a Hispania) e teve também “o sonho americano” da USF1, que não se realizou.

 

Os custos altíssimos e a fragilidade técnica e financeira das novas equipes criaram um abismo entre as já existentes e as novatas. Caso um “milagre” não acontecesse, não seria possível o crescimento das mesmas. O milagre não aconteceu e em 2012 a Hispania fechou as portas após o GP do Brasil. As sobreviventes não vão conseguir terminar a temporada de 2014, levando o grid ao menor número de carros alinhados desde 2005, quando o problema nos pneus Michelin fizeram a corrida ter apenas 6 carros. No mesmo ano,em Mônaco, foram apenas 18 carros no grid.

 

E inocente é quem pensar que este problema acabou. A Sauber está tecnicamente quebrada. A Force Índia passa por graves dificuldades e a dívida da ‘Nega Genii’ passa dos 100 milhões de Euros. Honestamente, não sei com qual dinheiro eles vão pagar os motores da Mercedes.

 

Uma solução – mesmo que temporária – viável seria a presença de um terceiro carro nas equipes que tivessem condições para isso. Luca di Montezemolo defendeu esta ideia por anos, mas sempre encontrou uma forte oposição por parte de Bernie Ecclestone, que passou a considerar “aceitável” o terceiro carro no grid.

 

Alias, estas mudanças de posição são extremamente convenientes ao Sr. Ecclestone. Ele era a favor da “renovação” da F1, com a chegada de novas equipes e o enfraquecimento do “cartel das montadoras”. De dois anos pra cá, passou a ser crítico das “nanicas” e dizer que não tinha problema se elas saíssem. Era contra o terceiro carro, agora, considera interessante a possibilidade.

 

Eric Boullier, diretor da McLaren, declarou recentemente que é preciso tempo para as equipes consigam se estruturar para ter três carros alinhados. O tempo está passando e as nuvens negras que pairam sobre outras equipes precisam ser consideradas. Será que ele aposta que as “novas nanicas”, a americana de Gene Haas e a tal da “Forza Rossa” da Romênia serão melhores do que Marussia e Caterham?

 

A F1 de 2015 ainda tem muitas perguntas sem respostas.

 

Enquanto isso, no Balcão do Cafezinho...

 

Sexta-feira começam os treinos para a corrida nos EUA, mas eu estou curioso com o que vai acontecer no sábado: com o “circo do ‘Bom Velhinho’” desfalcado de dos carregadores de balde d’água para os elefantes, como é que vai ficar a divisão do Q1, Q2 e Q3? Até agora ninguém falou nada.

 

Falando do desfalque das nanicas e dos baldes de água dos elefantes, quem deu mais um chute no balde foi o ex-dono da Caterham e hoje dono do time de futebol Queen’s Park Rangers, Tony Fernandes. O empresário malaio ainda disse que as equipes de ponta também possuem certa responsabilidade pela atual situação da categoria no que diz respeito aos times com menor orçamento.

 

Tony pediu por uma reformulação da F1 e admitiu que a Caterham acabaria falindo de qualquer jeito diante do ‘modus operandi’ do Mundial. Na sua visão, ainda existem pessoas que querem correr na F1 por diversas razões, e a Caterham tem tudo pronto para isso. Há equipes que querem ter um segundo time, como acontece com a Red Bull e a Toro Rosso. Para ele, este é um caminho. Será que a “adoção” de pequenas por grandes como parece que vai ser a relação da ‘Forza Rossa’ com a Ferrari é uma saída?

 

Em sua última edição, a revista inglesa ‘Autosport’ afirmou que mesmo diante de uma crescente dúvida sobre o número de carros no grid para a próxima temporada, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) descartou a possibilidade de pedir às maiores equipes que alinhem um terceiro modelo.

 

O Diretor Executivo da Mercedes, Toto Wolff disse recentemente que a medida não tem como acontecer sem um tempo de espera longo. As escuderias precisaram de 60 dias de prazo para adequar um carro extra, o que descarta a chance de vermos três carros de uma equipe na pista. Contudo, quando o austríaco fala que “Isso é um reflexo das regras que se o grid tiver menos de 20 carros, então a FIA e o detentor dos direitos comerciais podem pedir aos times maiores que coloquem na pista um terceiro carro. Mas isso é apenas um aviso e como a história mostra que equipes vão e outras vem, não é algo para se preocupar”.

 

Quem poderia entrar nessa seria a Audi. O noticiário do automobilismo entrou em ebulição nos últimos dias quando foi noticiado e du ponto a outro do planeta que a marca dos quatro anéis estaria se preparando para abandonar as provas do DTM e o projeto de longa data em Le Mans, incluindo aí a participação no Mundial de Endurance também, em favor da F1 a partir da temporada 2016.

 

A matéria – extensa – da inglesa ‘AutoExpress’ derrapa no exagero quando fala que a montadora pretende combinar os orçamentos dispensados com o DTM e o WEC – deixando os dois – para competir na F1. E que estiveram perto de entrar no Mundial em 2013. O que “melou” tudo foi a que a alteração dos motores e a adoção do sistema turbo de quatro cilindros, plano inicial da FIA, mas que acabou sendo alterada e a Comissão da F1 acabou optando pelo V6 turbo de 1.6 Litros.

 

O alvoroço que a matéria provocou foi tamanha, inclusive incluindo uma compra de uma estrutura já pronta – que seria a Toro Rosso – e a contratação do abandonado ‘Príncipe das Lamúrias’, que a equipe alemã tratou de, oficialmente, negar todas as especulações em torno desta mudança, reforçando o compromisso com o mundial de endurance, o alemão de turismo e, para 2015, será feito um investimento na Audi Sport TT Cup como categoria.

 

Assistindo ao drama das moribundas Caterham e Marussia, empresário norte-americano, Gene Haas, dono de uma escuderia na NASCAR e de uma fabricante de máquinas, humildemente “viajou na maionese” ao dizer que, se vencer uma corrida nos primeiros cinco anos na categoria já estará bom demais. Eu diria que se ele sobreviver cinco anos na F1 já seria uma vitória.

 

Talvez a aposta de Gene Haas esteja na parceria com a Ferrari, que além de ser apenas uma fornecedora de motores e irá ajudar com as estruturas básicas do carro e fala que o que faltou tempo e um planejamento melhor para as equipes novas que estrearam em 2010. Contudo, se o “time A” de cores vermelhas anda “mal das rodas”, será que dá pra apostar no sucesso de um “time B”?

 

Algumas semanas atrás comentamos aqui que a Ferrari tinha anunciado já estar priorizando o projeto de 2015. Segundo o diretor de engenharia, Pat Fry, se a equipe quiser ser competitiva na próxima temporada, tem de evoluir em todas as áreas. A equipe apostou num motor menor, considerando que teria uma melhor aerodinâmica... e deu tudo errado!  

 

Fry e a Ferrari já avaliaram que uma mudança imponente deve tomar lugar nos próximos meses. O problema é que no noticiário da imprensa italiana, os primeiros testes de simulador mostraram um carro de 2015 ainda mais lento do que o atual. Vem aí, mais uma sessão de trapalhadas do circo de Maranello?

 

Fora do mundo da F1, temos que dar parabéns para o José Maria ‘Pechito’ Lopez, campeão do WTCC. Ele entrou como piloto do terceiro carro da Citröen, uma equipe francesa, com dois pilotos franceses e não eram pilotos meia boca, não. Eram os multicampeão da categoria, Yvan Müller, e o super star, fera em qualquer coisa com quatro rodas, Sebastien Loeb.

 

Não teve pra ninguém! O argentino, que nunca teve uma chance decente quando tentou o caminho da F1, mostrou que foi um valor desconsiderado. Os hermanos merecem.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva