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Você contrataria Fernando Alonso? PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 16 October 2014 00:38

Caros amigos, sábado passado vi minha filha e duas amigas às gargalhadas diante da televisão e resolvi parar para ver o que elas assistiam. Nos dias de hoje, mais do que nunca, os pais precisam se preocupar com o que os filhos andam vendo, fazendo, usando, etc. Melhor estar atento e fazer “pequenas correções de rota” do que ser obrigado à manobras bruscas e quase sempre tardias.

 

Elas estavam vendo uma dessas “sitcoms”, séries de TV com fundo humorístico, mas ao contrário do que costumam ser – importadas dos Estados Unidos – tratava-se de uma proução nacional, contando a estória de uma jovem que ia morar na casa de uma família que tinha resolvido deixá-la morar com eles, ou algo assim.

 

A mocinha bonitinha era um problema giantesco! Desbocada como um dos “mano” pertencentes à uma destas torcidas organizadas da capital paulista – e com o típico sotaque que costumamos ouvir quando eles aparecem na televisão – a protagonista pode até arrancar risadas de quem assiste a série, mas eu não gostaria de ter um problema como a Maria Eugênia (nome da personagem) debaixo do meu teto.

 

Depois de ler o notíciario da Fórmula 1 dos últimos dias, a série da televisão acabou me inspirando e não foi difícil traçar uma relação entre ela e Fernando Alonso, um dos melhores – na opinião de muitos o melhor – pilotos dos últimos anos e, para os mais exagrados, de toda a Fórmula 1.

 

A consciência de Fernando Alonso de que ele é um piloto que consegue fazer a diferença em momentos críticos é menor apenas que o individualismo que os pilotos da categoria parecem carregar e, no caso dele, de uma enormidade absurda. Contudo eu me pergunto: que sou eu para julgar se alguém é individualista – ou mesmo egocêntrico como ele já foi rotulado – ou não? Se formos ver bem, acho que todos somos. A diferença é que não estamos expostos como ele.

 

O problema é que tal postura e o conhecimento de como o mundo parece funcionar dentro de sua cabeça (e em sua concepção, parece girar em torno de seu umbigo) é algo explícito e sabido por todos que estão ligados à Fórmula 1. Desde o leitor de notícias e fã que assiste as corridas na televisão a quem trabalha no meio.  Sendo assim, quem realmente gostaria de ter Fernando Alonso em sua equipe?

 

No mundo corporativo, do qual fazem parte diversos clientes do escritório de gestão de valores do qual sou associado, vez por outra trocamos ideias sobre o funcionamento destas corporações e como decisões gerenciais são tomadas, cargos são preenchidos, metas são estipuladas, etc. É uma posição quase unânime que o maior valor de um “integrante”, “colaborador”, “membro ativo” ou qualquer outra denominação que hoje é usada no lugar de “empregado” ou “funcionário” – palavras que foram “banidas” das empresas – é a sua capacidade de trabalhar em equipe, agregar valores em torno de si e de seu núcleo, pensar e agir como um todo e evitar o “eu” na filosofia de trabalho, dando lugar ao “nós”. Este tipo de perfil parece ser impossível de ser encontrado na Fórmula 1, mas o extremo oposto parece que pode estar com os dias contados.

 

A Ferrari passou por uma grande mudança corporativa em 2014 com a chegada de Sergio Marchionne à presidência da ‘Casa di Maranello’. Na verdade, começou um pouco antes, com a vinda de Marco Mattiacci – um homem de negócios e que nunca esteve ligado à área de competições – para a direção geral da equipe no lugar de Stefano Domenicali.

 

Na mente destes homens, a postura de Fernando Alonso, que no ano passado procurou a Red Bull e este ano a Mercedes através do seu empresário para mudar de equipe com um contrato em vigor, somada à críticas pesadas que vieram se repetindo desde o ano passado e as exigências para renovar seu contrato por mais três anos (e nisso não está apenas a questão financeira, uma vez que o espanhol quer ter o direito de interferir no projeto do carro em diretrizes da fábricação do mesmo e alguns de seus componentes) são simplesmente incabíveis.

 

O resultado disto é que a Ferrari, equipe com a qual ele tem contrato até o final de 2016, está dispensando-o de cumpri-lo até o fim. Na verdade, estão dispensando o piloto de continuar na equipe e, para tal – apesar de ainda não haver nenhum comunicado oficial – tudo aponta para a chegada do tetracampeão Sebastian Vettel, que “perdeu o cetro” na Red Bull para Daniel Ricciardo.

 

É sabido de todos que a McLaren – na verdade, a Honda – busca um nome de peso para capitanear o projeto da parceria entre as duas marcas e acenou com milhões de euros aos principais pilotos do mercado. Contudo, havia uma certa “preferência” dos japoneses por Fernando Alonso. O problema é que este desejo esbarra em dois obstáculos: o primeiro é

 

Ron Dennis, com quem o espanhol entrou em rota de colisão na segunda metade da temporada de 2007, quando era para conquistar o seu tricampeonato, mas foi “atrapalhado pelo prata da casa”, Lewis Hamilton. O rsultado foi a recisão do contrato do espanhol.

 

A segunda é o próprio Fernando Alonso, que – segundo informações totalmente confiáveis – deseja fazer um contrato de apenas um ano com a equipe e Woking, ainda pensando em uma possível vaga na Mercedes que seria aberta por Lewis Hamilton ao final de seu contrato em 2015. Ron Dennis não aceita esta hipótese de forma alguma. Para o chefão inglês, são três anos de contrato ou nada feito.

 

Como disse alguns parágrafos atrás, o empresário de Fernando Alonso procurou o pessoal da Mercedes para “sondar uma possível troca”, com ele indo para a Mercedes e Lewis Hamilton indo para a McLaren. Isso pegou muito mal!

 

A questão que parece evidente – e que aparentemente só Fernando Alonso parece não ver – é que ele não tem espaço na Mercedes! Mesmo que, por conta das mudanças violentas que pudessem vir a acontecer (parece que o fogo deu uma abrandada nestas últimas semanas) e que depois do final da temporada o inglês decida sair da equipe, o mais provável é a contratação de um outro piloto bom, rápido e que não venha criar o clima pesado que a equipe viveu em boa parte do ano. Neste caso, todos seriam candidatos... exceto o espanhol! E isso vale para o final de 2015 também, caso Hamilton não renove contrato.

 

Diante da sua declaração de que não deve correr com um motor Mercedes no ano que vem, a ‘Nega Genii’, que já anunciou seu “divórcio” com a Renault e que usará os motores alemães (sabe-se lá como pagarão por eles, uma vez que é a equipe mais endividada do grid), ou Fernando Alonso baixa a cabeça e assina com Ron Dennis, nas bases que ele quer, ou há um sério risco do espanhol ficar de fora do grid e, 2015 (consigo escutar as gargalhadas do nosso RP, Ciro Margoni, lá de são Paulo).

 

E você, amigo leitor... contrataria Fernando Alonso para trabalhar para você?

 

Enquanto isso, no Balcão do Cafezinho...

 

Como diz o velho ditado, quem não chora não mama e quem anda atrás chora até não poder mais. Por isso, na última reunião do tal “Grupo de Estratégia”, a maioria dos representantes votou a favor da permissão de mudança nos motores por qualquer questão durante as temporadas.

 

A Mercedes, a Williams e a ‘Nega Genii’ (que no ano que vem usará motores Mercedes) votaram contra. A Red Bull, a Ferrari e a McLaren votaram a favor, assim como a FOM do Bom Velhinho (que tem 6 votos) e a FIA (com outros 6). O problema é que, para ser implementada já em 2015, a regra precisa ser votada com unanimidade na Comissão da F1, da qual a Mercedes faz parte... e isso não vai acontecer. Caso aconteça um milagre teremos mudanças para 2015, como a construtora alemã deve vetar, a proposta não passará pelo Conselho Mundial de Automobilismo da FIA, mudanças só em 2016.

 

Cabrito berrador, Christian Horner argumenta que em Singapura, os times unanimemente concordaram em uma posição de revisão dos motores sob o controle da comissão da categoria e que o crescimento da competição será benéfica para a categoria e que o que se viu em Sochi, com o Paquito Rosberg passando de passagem pelo grid é o retrato da diferença de hoje.

 

 Marco Mattiacci também gritou, dizendo que “motores congelados não é F1. Não posso virar para os meus fãs e dizer que não posso ter uma performance melhor no motor, preciso esperar um ano. Não acho que essa seja uma resposta justa. Nós não estamos pedindo para mudar, nós estamos pedindo por um acerto fino, aplicando os mesmos princípios”... e esse assunto tende a se arrastar e nada mudar.

 

Depois da vitória em Sochi e da folga na liderança do campeonato, Toto Wolff, diretor executivo da equipe Mercedes afirmou que ‘Neguin’ Hamilton vai permanecer por outros campeonatos na escuderia, ao lado de Nico Rosberg depois de 2015 e que, no depender dele, a renovação do contrato do inglês será renovado, assim como já foi o de Rosberg.

 

O chefe da Mercedes valorizou o trabalho em equipe que sua dupla “café com leite” tem feito nos últimos anos e que, por isto, pretende manter a dupla por mais temporadas. Contudo, o caso do ‘Neguin’ só deve ser resolvido depois do GP dos Emirados Árabes, “uma vez que ele precisa estar focado na disputa pelo título da temporada”. Ou seja, se ele ganha, a Mercedes engole. Se perde, contratam outro alemão!

 

Se o ‘Neguin’, agora por cima – na tabela e psicologicamente – pode perder o lugar se perder o campeonato (no fundo, a Mercedes não quer perder o “número 1” num carro prateado no ano que vem), o Jean-Eric Vergne, que “estava de aviso prévio” pode acabar salvando a própria pele – e a vaga na Toro Rosso – para 2015.

 

Dietrich Mateschitz, proprietário da Red Bull, deu a entender que o francês deve continuar no time e formar dupla com Max Verstappen, o que deve ter frustrado os dois Carlos Sainz... pai e filho, que certamente esperavam que, com a ida de Daniil Kvyat para a Red Bull a segunda vaga estaria em aberto. Certamente Franz Tost optou por alguém mais experiente ao lado de um jovem piloto.

 

Fora do mundo da F1, uma má notícia (mas que nós já estávamos esperando). O ACO comunicou que as 6 Horas de São Paulo não serão disputadas, ao menos em 2015. Em comunicado oficial, com a divulgação das datas e provas para a próxima temporada, Gerard Neveu, diretor-geral do WEC, justificou que o motivo é a obra extensiva pela qual Interlagos já atravessa, e irá se intensificar após a corrida no Brasil, dia 31 de novembro, e o autódromo não ficará pronto a tempo da data para qual a corrida estava marcada, em agosto do ano que vem... apesar da SPObras e a administração do autódromo garantir que o autódromo poderá receber corridas no final de abril. Tem algo errado nessa conta de datas, não? Ou os franceses estão apostando na incompetência brasileira em tocar obras ou eles sabem de algo que não sabemos...

 

Com exceção das 6 Horas de São Paulo, as outras sete provas foram mantidas. Para substituir a etapa brasileira e manter o número de oito etapas por temporada, como vem acontecendo desde 2012, as 6 Horas de Nürburgring entram no calendário, dando a chance para que tanto Audi quanto Porsche façam uma “corrida em casa”. Desde que adotou este formato, esta será a primeira prova do WEC na Alemanha. 

 

Nos EUA, um assunto que começou na pista e terminou fora dela foi manchete e tornou-se ‘viral’ no youtube. A confusão começou na pista, quando Brad Keselowski envolveu-se em confrontos com Matt Kenseth e Denny Hamlin durante a corrida. Ao fim, quando se viu encaixotado por Tony Stewart, acelerou seu carro até a traseira do três vezes campeão. Tony Stewart (que recentemente esteve envolvido num processo que foi assunto desta coluna algumas semanas atrás) respondeu indo de ré e acertando o #2 de volta.

 

Os pilotos foram enquadrados nas seções 12-1 (ações nocivas às corridas de stock car) e 12-4.9 (punição comportamental). Brad Keselowski e Tony Stewart foram colocados em “condicional” para a prova do próximo final de semana, em Talladega, além de multados em alguns milhares de dólares. Mas se tivesse acabado aí... mas Brad Keselowski, e Matt Kenseth sairam na porrada quando já estavam nos motorhomes. Mas aí a organização fez vista grossa.

 

Voltando ao desenrolar dos fatos pós GP do Japão, o anão narigudinho, Jean Todt, defendeu o diretor de provas Charlie ‘OMO’ Whiting e seu grupo durante a condução das investigações do caso e reiterou total confiança na condução da investigação e nas medidas que serão tomadas . “Isso nunca mais pode acontecer”, segundo o presidente da FIA.

 

Na coletiva de 75 minutos, a FIA esclareceu alguns pontos, dentre os quais se destacam a inexistência de qualquer prova de quebra mecânica do carro da Marussia, de que Bianchi reduziu a velocidade assim que viu a sinalização com as bandeiras e luzes amarelas e que a direção de prova só soube do acidente porque um comissário de pista a informou.

 

Charlie ‘OMO’ Whiting confirmou que houve um pedido à Honda para que se antecipasse a largada do GP do Japão face a ameaça da chegada do tufão Phanfone. No entanto, o dirigente descartou que a manutenção do horário normal, 15:00 horas locais, tivesse algum efeito no acidente, apesar das declarações dos pilotos de que a visibilidade estava ruim. Ou seja, “piloto não sabe nada”!

 

Depois de mais uma “tranca arrombada”, a FIA, os organizadores da F1 e as equipes vão iniciar conversas a partir deste sábado para encontrar soluções. A entidade planeja limitar a velocidade dos pilotos durante os períodos de bandeira amarela. Na visão da entidade máxima do esporte, essa limitação é essencial. O primeiro teste com esse novo sistema de limitação de velocidade pode acontecer já no GP dos Estados Unidos, em Austin, próxima parada do Mundial. A introdução completa desse limitador, entretanto, deve acontecer apenas em 2015.  

 

Mesmo com o apoio dos times, a proposta levará algum tempo para ser colocada em vigor, já que precisa funcionar corretamente e a ideia é que essas mudanças estejam prontas para o início da temporada 2015.

 

Longe das salas de reunião e transmissões da FOM, Philippe Bianchi, pai de Jules Bianchi, afirmou que o filho “não vai desistir”, mas admitiu que a situação que vive no momento é “desesperadora”. Segundo Philippe, Toda vez que o telefone toca, nós sabemos que pode ser do hospital nos dizendo que Jules morreu. Todo mundo fica perguntando como está Jules, mas não podemos responder, não há uma resposta. É muito grave, mas ele está estável. A família (pai, mãe irmão e irmã) está no Japão desde o dia seguinte ao acidente e não sabe quando irão sair. A esperança é de que haja uma melhora suficiente para que ele possa ser transferido.

 

Força Jules! Estamos com você.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva