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Muito além da linha branca. PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 10 September 2014 23:39

Caros amigos, em grandes corporações, uma “amistosa relação canibalesca” é travada todos os dias nas altas esferas do poder. Não se enganem aqueles que veem as fotos de diretores e vice-presidentes sorrindo em eventos ou para revistas de negócios ou lazer. Quando as portas das salas de reunião se fecham, a verdade aparece.

 

O que aconteceu nesta semana na Ferrari é o encerramento de um ciclo que vem se desenhando há alguns meses e onde a equipe de Fórmula 1 foi apenas um detalhe, assim como o fraco desempenho (já esperado) em Monza foi apenas o ponto final do longo enredo que veio sendo escrito.

 

Quando abateu-se a crise do setor automotivo norte americano em 2009, a diretoria da FIAT viu o momento como oportuno e “invadiu a América” através de uma “associação interessante” com a Chrysler, que em um passado não muito distante (1998 a 2007), em outra crise, associou-se à Dalmier, controladora da Mercedes Benz.

 

Assim como recuperou-se do primeiro “baque”, a Chrysler recuperou-se do segundo... e ficou maior que a FIAT, que opera no lucro em apenas dois países (Itália e Brasil) segundo seus balanços oficiais. Tendo “a criatura” tornado-se mais poderosa do que “o criador”, a relação de poder entre as partes mudou e os interesses também.

 

Os Estados Unidos é um mercado de ouro para a Ferrari, seguimento top de luxo do conglomerado italiano. Os lucros crescentes da “grife” é um mérito de Luca di Montezemolo, que vem usando uma estratégia da qual o CEO da FIAT, Sergio Marchionne discorda: A estratégia da Montezemolo era preservar o prestígio da marca Ferrari, produzindo apenas 6.000 carros por ano a um preço elevado, o que o torna exclusivo e preserva o valor residual para os clientes enquanto Marchionne quer dobrar esse volume, a um preço ligeiramente inferior.

 

É claro que a equipe de Fórmula 1 é a maior vitrine de vendas do “produto Ferrari” e na guerra de gigantes que vem sendo travada, os maus resultados que tem se repetido, ano após ano acabaram servindo de munição para o executivo da holding. Marchionne reconhece que em volume e resultados econômicos Luca di Montezemolo fez um excelente trabalho, mas lembrou que a equipe não ganha o campeonato desde 2007, quando Kimi Raikkonen conquistou o título.

 

É preciso se levar em conta que Montezemolo foi capaz de, ao longo dos últimos 20 anos, conduzir a Ferrari a gerar um volume de negócios é superior a 2 bilhões de Euros por ano, com fortes lucros e linhas de produtos. Economicamente falando, uma grande conquista, maior que os 14 títulos mundiais, somados os campeonatos de pilotos e construtores em seu tempo como presidente.

 

Contudo, Marchione atrela uma coisa à outra e usando o discurso de que vencer na Fórmula 1 é o que alimenta “a alma” Ferrari, mesmo reconhecendo os resultados econômicos da empresa, alegou, no final de semana que “O coração da Ferrari é estar vencendo na Fórmula 1 e eu não quero ver nossos pilotos em 7º e 12º lugar”, referindo-se ao resultado da classificação no sábado. E o que estaria por trás de tudo isso?

 

A resposta para todas as perguntas começarão a aparecer quando forem lançadas na Bolsa de Valores de Nova York os papeis do novo conglomerado do meio automotivo: a FIAT-Chrysler Automóveis, prevista para o próximo mês de outubro. O dia 13 parecia ser o dia oficial em que seriam anunciadas as principais mudanças do staff diretivo da empresa e a consequente saída de Luca di Montezemolo da ‘Scuderia’, a menos – claro – que ele tirasse um coelho da cartola.

 

Em termos de negócios, a estratégia de Sergio Marchionne com o a entrada na bolsa é levantar 48 bilhões de Euros de novos financiamentos para empurrar e expandir as marcas Alfa Romeo, Maserati e Jeep globalmente e, claro, tendo os lucros da Ferrari vai ser o carro-chefe... e sem Montezemolo, com Marchionne assumindo pessoalmente a Ferrari, sendo o terceiro a assumir o cargo, depois do fundador, Enzo Ferrari, e do próprio Montezemolo.

 

Ao longo do final de semana, a “troca de amabilidades” foi explícita entre Marchionne e Montezemolo. Sergio Marchionne, estava distante apenas 40 quilômetros de Monza, em um evento no Villa d'Este, mas se recusou a visitar o paddock da F1, enquanto Montezemolo bradava que, diante de todos os rumores em torno de sua saída, tinha um contrato por três anos e ele seria o único a dizer se e quando estaria saindo da Ferrari.

 

À distância, a mensagem de Marchionne foi clara como água: “Eu me considero essencial, é claro, mas eu também sei muito bem que estou a serviço desta empresa. Nós servimos a empresa e quando a empresa tem uma mudança de planos, ou se já não há uma convergência de ideias, as coisas mudam. Ninguém é insubstituível.”

 

O “tiro de misericórdia” em Montezemolo foi dado na 28ª volta, quando a Ferrari de Fernando Alonso rasgou a reta de Monza pela última vez naquela prova, parando com problemas de motor diante das arquibancadas lotadas. O anúncio da mudança poderia acabar antecipado, mas para quando.

 

A resposta veio ontem, na quarta-feira, véspera desta coluna. A data da saída – a princípio – está mantida para 13 de outubro, mas o martelo está batido: muitas vezes grandes e vitoriosas carreiras terminam de forma injusta. Se esta é a maneira como Luca di Montezemolo está deixando a Ferrari, é uma vergonha o tratamento dispensado para um homem que alcançou tanto em 20 anos, especialmente quando lembramos o que era a Ferrari – tanto como uma companhia de carro e uma equipe de corrida – no início de 1990.

 

Apesar disso, Luca di Montezemolo sai “por cima”. Todos os indícios apontam para a sua contratação como executivo da Etihad-Alitalia, agora que os árabes controlam a antiga empresa aérea estatal italiana. Marchionne está certo quando fala que ninguém é insubstituível, mas se ele tomou a decisão correta e se vai conseguir fazer a Ferrari voltar a vencer, isso veremos.

 

Uma de suas apostas é o retorno de Ross Brawn como o homem certo para fazer a Ferrari retornar ao topo. Com 60 anos de idade, milionário e realizado, será que Brawn toparia tal desafio? É ver para crer.

 

Enquanto isso, no Balcão do Cafezinho...

 

Não bastasse toda a confusão que está rolando na confusa “casa da mãe Joana italiana”, quando a torrada cai logicamente que vai ser com a margarina virada para o chão e a “queda da torrada” no caso veio na morte do presidente do Grupo Santander, o espanhol Emilio Botín.

 

Fã e torcedor da F1, na sua visão, a presença na categoria era algo extremamente positivo para ajudar a popularizar a marca do banco. Com esta posição, garantiu a entrada da instituição no campeonato de 2007, como patrocinadora da equipe McLaren, que na época tinha sob contrato seu compatriota, Fernando Alonso, contrato que “migrou” para a Ferrari em 2010. Além dos contratos com equipes, o banco Santander foi patrocinador de diversas etapas do mundial de F1 ao longo dos últimos anos.

 

E por falar em dinheiro, quem vai sair com “a burra cheia” é o Luca di Montezemolo. Sua saída da Ferrari vai render de “FGTS” mais de 25 milhões de euros. Santa previdência, Batman! Mas não vai ser tudo de uma tacada só. Serão várias prestações ao longo dos próximos 20 anos... deve ser para ele não gastar tudo e ter que arranjar outro emprego, como esse que estão oferecendo na Alitalia.

 

E se a “fofocaiada” andou mais rápido que os carros da Mercedes em Monza, o ex-presidente da Williams, Adam Parr jogou “um baldão de querosene” nos escapamentos aquecidos ao postar no seu twitter que apenas oito equipes disputarão a categoria no próximo ano, sendo que várias delas colocarão três carros na pista.

 

Com a confusão interna na Caterham pós-tony Fernandes, da crise que a Sauber vem atravessando há quase 3 anos, das limitações financeiras da Marussia e da dívida da ‘Nega Genii’, uma especulação neste sentido não seria algo de todo absurdo.

 

As reações ao”twiteiro” foram quase imediatas. Éric Boullier, hoje diretor na McLaren, não levou muito a sério a afirmação. Contudo, manifestou sua preocupação a analisar o que pode acontecer num futuro próximo com o aumento dos orçamentos e fase de transição na qual a categoria se encontra atualmente. 

 

Mas sabem aquele velho ditado, “onde há fumaça, há fogo”? Ao longo do final de semana na Itália, uma nova rodada de reuniões da qual participaram os dirigentes das 11 equipes hoje participantes do mundial de F1 novamente rejeitaram a ideia de trazer ao grid times-clientes. Ainda negociando questões relacionadas ao teto orçamentário e controle de custos, descartaram de forma unânime a possibilidade para novos times poderem adquirir o chassi das grandes fabricantes.

 Contudo, deixaram aberta a ideia de três carros se houver uma debandada das equipes menores do grid e que o campeonato continua sendo de equipes... o que vem a apontar na direção do conteúdo do twitter de Adam Parr. Portanto, não nos surpreendamos caso algo do gênero ocorra. Engraçado foi ver o maior site de automobilismo do país fazendo suas especulações de como ficaria o circo com equipes de três carros... só que eles, ao invés de oito, perderam a conta e colocaram nove equipes. Mas foi legal, tá valendo.

 

O que se questionou mesmo foi se valeu ou foi armação o resultado final da corrida, com a vitória do ‘Neguin’ Hamilton, depois de uma péssima largada e de dois estranhos (muito estranhos) erros do ‘Paquito’ Rosberg, que errou a freada no final da reta dos boxes e, no segundo, permitiu que seu companheiro de equipe assumisse a ponta.

 

Cresceu durante a corrida e após a mesma a suspeita de que o ‘Paquito’ Rosberg teria saído da pista intencionalmente saiu da pista intencionalmente por conta do sorriso no rosto de Totó Wolff, flagrado durante a transmissão da corrida no momento em que o alemão passou reto na chicane e teve que bailar entre as barreiras de isopor.

 

Totó Wolff riu da suspeita quando foi questionado na entrevista coletiva que concedeu após a corrida em Monza e afirmou que não há nenhuma razão possível para isso e que , na verdade, o piloto tentou proteger os freios traseiros e errou... duas vezes. Algo que não é normal da parte dele, mas que aconteceu.

 

O ’Paquito’ também falou sobre o assunto, e lamentou ter errado e que foi um erro forçado, devido ao ritmo forte que o ‘Neguin’ vinha impondo na corrida, Em particular na segunda metade da prova quando recusou-se seguir a instrução passada pelos boxes para preservar os pneus e atacar apenas no final da corrida.

 

Se a suspeita ficasse limitada a meia dúzia de “blogueiros” e de uns tantos “pitaqueiros” como eu seria só mais uma das muitas bobagens que aparecem na internet, mas quando um dos maiores pilotos da história da F1 como ‘Sir’ Jackie Stewart diz que acredita que foi uma forma da equipe tentar compensar o que aconteceu na Bélgica, a coisa muda de figura.

 

Se realmente foi algo deliberado acho que nunca saberemos, mas algo que não se pode negar é que a manobra parece ter surtido um certo efeito que talvez fosse o desejado: a temperatura pós-corrida dentro e fora da equipe está sensivelmente mais baixa e sem declarações incendiárias.

 

Independente das polêmicas que cercaram toda a semana da etapa italiana da F1, a categoria continua buscando alternativas para recuperar a audiência perdida com as últimas mudanças feitas no Mundial... ou pelo menos eles dizem que estão pensando soluções para isso.

 

Segundo a inglesa ‘Autosport’, os dirigentes do famigerado ‘Grupo de Estratégia da F1’ consideram a possibilidade de moderar o uso dos rádios com a meta de que o esporte volte a ser mais desafiador para os pilotos e que certas mensagens passadas aos pilotos acabam tendo um impacto negativo nos fãs... como se isso fosse mudar. Afinal, as mesmas só deixariam de ser divulgadas na transmissão e nada dizendo que elas não existirão.

 

A “ideia de gênio” é fruto de uma teoria de que os fãs têm a percepção de que os pilotos são ‘marionetes’, e que de um tempo para cá tem sido alvo de todo tipo de ordens e instruções que parecem fazer deles meros seguidores das instruções vindas dos boxes.

 

A regra é clara, como fala o Arnaldo Cezar Coelho: Artigo 20.1 do Regulamento Esportivo da F1, que diz: “O piloto deve guiar o carro sozinho e sem ajuda”. Com base nisso, os cartolas alegam que a intenção não é banir por completo as comunicações, mas limitá-las e que também há uma preocupação de que os competidores estão se tornando mais e mais dependentes dessas informações para melhorar seus tempos de volta, especialmente na comparação com os companheiros de equipe. Querem apostar que seremos nós os que ficarão na ignorância e na inocência, sem ouvir o que acontece entre carros e boxes.

 

Fora do mundo da F1, tivemos neste final de semana a conquista por parte do Pedro Piquet – de forma antecipada – o campeonato brasileiro fa Fórmula 3, com direito a recorde de vitórias em uma temporada que ainda terá mais duas rodadas duplas.

 

Seria o caso de ver o mais novo dos Piquet seguindo para a Europa para dar seguimento ao seu crescimento como piloto, mas isso vai ter que esperar. Ao menos em tempo integral, segundo o nosso caro oráculo, Américo Teixeira Jr. do ‘Diario Motorsport’.

 

A questão passa pela educação do adolescente de apenas 16 anos. O pai e tricampeão da F1 prefere que, antes de seguir em definitivo para o exterior, Pedro complete o ensino médio em Brasília, onde estuda numa escola que adota o sistema norte-americano.

 

Depois de várias semanas sem notícias, a assessoria de imprensa do heptacampeão Michael Schumacher anunciou que o ex-piloto deixará o hospital na Suíça e vai continuar sua recuperação em casa. A nota à imprensa seguiu o padrão das anteriores: sucinta, objetiva e sem detalhes.

 

“A reabilitação de Michael vai acontecer em sua residência. Considerando as severas lesões que ele sofreu, houve progresso nas últimas semanas e meses. Ainda há, entretanto, um longo e difícil caminho pela frente”.

 

“Nós gostaríamos de estender nossa gratidão a todo o time do CHUV Lausanne pelo trabalho minucioso e competente”, declarou. “Nós pedimos que a privacidade da família de Michael continue a ser respeitada e que as especulações sobre o estado de saúde dele sejam evitadas. Não deve ser entendido que grandes mudanças em seu quadro de saúde são as razões de sua transferência”.

 

Continue lutando, Michael.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva 

 

Last Updated ( Thursday, 11 September 2014 01:23 )