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A CBA e a Caixa de Pandora PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 20 August 2014 23:22

Caros amigos, neste último final de semana o automobilismo brasileiro foi surpreendido (teria sido mesmo?) por uma reportagem da revista Isto É – em sua versão eletrônica. Fomos às bancas no domingo e na segunda-feira e a versão impressa não trazia a matéria – onde a Confederação Brasileira de Automobilismo estaria sob investigação do Ministério Público e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), nacional e a regional do Rio de Janeiro.

 

Os dirigentes do esporte a motor nacional, presididos há cinco anos pelo Ex-Presidente de Federação Pernambucana de Automobilismo, Cleyton Tadeu Correa Pinteiro são acusados de fraude, tráfico de influência, uso indevido de cartão corporativo, troca de favores e recebimento por consultorias numa manobra para obter renda mensal de uma institutição que, por estatuto,  proíbe pagamento de salário.

 

A denúncia enviada ao Ministério Público que deu origem à investigação é assinada por Dione Rodrigues e Antônio dos Santos Neto. Ambos eram dirigentes da CBA no primeiro mandato de Cleyton Pinteiro, sendo o primeiro e o segundo vice-presidentes da entidade. No decorrer do terceiro ano do primeiro mandato de Cleyton Pinteiro à frente da Confederação, Dione Rodrigues tentou uma manobra jurídica para derrubar o mandatário e assumir a presidência. Sem o sucesso da tentativa, acabou afastado do cargo. No ano passado, eleito – antes do que seria o tempo previsto – para a presidência da Federação de Automobilismo do Distrito Federal (FADF), Dione Rodrigues e a federação do distrito federal sofreram uma auditoria da CBA e foi desfiliada, sob a acusação de irregularidades técnicas e administrativas.

 

O caso de Antônio dos Santos Neto, ex-presidente da Federação de Automobilismo do Pará o assunto foi mais grave, com o referido dirigente tendo sido preso em uma operação da Polícia Federal em seu escritório por participação em licitações fraudulentas na secretaria de saúde da cidade de Belém

 

Além dos denunciantes acima citados, o embasamento para a denuncia junto ao MP conta com o respaldo de um dos atuais membros do conselho fiscal, Edison Rodrigues dos Campos. Em anexo às acusações, consta uma carta assinada por Campos, na qual ele denuncia ter sido ameaçado, em reunião realizada em outubro do ano passado, por Eduardo José Leal, também membro do conselho, e pelo diretor jurídico da CBA, Fellipe Zeraik.

 

As acusações se acumulam de forma coprometedora à direção da entidade envolvendo “formas alternativas” de se ganhar dinheiro. Por exemplo, com a maioria dos pilotos nacionais sendo filiados via Federação Paulista, Paranaense e Gaúcha, qual o motivo dos seguros de vida de todos os pilotos da confederação ter como corretor responsável o Sr. Sesimar Correia presidente da Federação Potiguar de Automobilismo? Segundo a denúncia, tal monta de contrato confere à empresa do presidente da impotantíssima federação pontiguar cerca de 500 mil reais anuais. Se não é ilegal, é – no mínimo – imoral, visto que o presidente da CBA é eleito pelo voto dos presidentes de federação.

 

Mais de uma vez o presidente da CBA, Cleyton Pinteiro declarou que o STJD da CBA é um órgão totalmente independente, sendo sua sede, inclusive, fora da sede da CBA. Contudo, no “pacote” de denúncias inclui-se o fato do presidente do STJDA, Fernando Cabral, é pai do sócio de Zeraik, Fernando Cabral Filho. Este, por sua vez, faz parte da Comissão Disciplinar do órgão. Além disso, o advogado Carlos Alberto Diegas Dutra, que trabalha na empresa de Zeraik, é um dos auditores do mesmo STJD.

 

Segundo o presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB/RJ, Marcelo Jucá, tais ligações comprometem o caráter de independência que deve pautar a atuação da Justiça Desportiva, na forma prevista pela Lei Pelé. Além dessas denúncias, há indícios de que auditores do Tribunal são funcionários ou parentes de sócios do escritório de Felipe Zeraik.

 

O Diretor Jurídico da CBA faz parte da mesma há cerca de 20 anos, desde os tempos da gestão do contestadíssimo Reginaldo Bufaiçal. Em uma auditoria realizada em 2009, há registros de contratos com o escritório de Felipe Zeraik para defender a Confederação em casos que somam custos potenciais à CBA de R$ 1.455.045,13, durante a gestão de Paulo Scaglione.

 

A publicação disse em sua reportagem que a CBA negou o acesso às contas da entidade, entretanto, as contas da Confederação estão abertas em seu site, inclusive demonstrando que, no exercício do ano fiscal de 2013 o balanço de contas foi negativo. Antes da Gestão de Cleyton Pinteiro, nenhum presidente da CBA colocou as contas em público.

 

É bom que uma coisa fique muito clara: não tenho o papel de defensor e nem de acusador de nenhuma das partes envolvidas. Como colunista deste site, tenho o compromisso com nossos leitores de questionar, de comentar, de publicar fatos. Nos últimos anos, uma série de denúncias e investigações vem sendo abertas para trazer à tona – e ao público – o que realmente estaria se passando nos bastidores dos nossos esportes.

 

A Confederação Brasileira de Futebol é alvo destas denúncias e investigações há anos. No início deste ano, a Confederação Brasileira de Voleibol foi denunciada por irregularidades. Há uma série de investigações correndo sobre o Comitê Olímpico Brasileiro e que podem eclodir antes das olimpíadas do Rio de Janeiro.

 

Para quem conhece a lenda da “Caixa de Pandora” (artefato da mitologia grega referente à Pandora, a primeira mulher criada por Zeus, que na verdade seria uma jarra de cerâmica, onde estariam guardados todos os males da humanidade), parece que o nosso esporte, de uma forma geral, é uma coleção delas.

 

Enquanto isso, no Balcão do Cafezinho...

 

E depois de quase um mês com as suas sedes praticamente paradas por conta das férias de verão, o circo onde o Bom Velhinho continua como mestre de cerimônias e nós como palhaços está voltando ao funcionamento e indo para o melhor circuito da temporada: Spa-Francorchamps.

 

Contudo, em nível gerencial, as atividades – e o falatório – não parou, pelo menos na Ferrari e na Mercedes, uma vez que a Red Bull parece ter preferido se concentrar em trabalhar para encontrar meios de fazer seu carro andar com o motorzinho que tem nas mão. Faz sentido, né? Gastar energia a toa não leva a nada. O exemplo da Corte de Munique que o diga.

 

Na Ferrari, muita falação e um bode expiatório que resolveu berrar... e alto! Demitido do comando do departamento de motores da equipe italiana, o engenheiro Luca Marmorini afirmou que desenvolveu uma unidade de força menos potente a pedido do projetista Nikolas Tombazis o responsável pelo projeto aerodinâmico da F14 T, que queria uma unidade de força muito compacta, com pequenos radiadores, e a menor potência seria compensada com soluções aerodinâmicas que garantiriam uma vantagem sobre os carros empurrados por Mercedes e Renault.

 

A Ferrari aponta UM culpado quando vem errando ano após ano desde 2008. Marmorini chutou de vez o pau da barraca quando falou o que qualquer pessoas que acompanha a equipe e a F1 sabe há anos: a Ferrari deu um departamento de corridas a pessoas inexperientes, que fazem uso de ajudantes que até agora não mostram nada, mas que tem uma confiança incondicional. E haja roupa suja pra ser lavada.

 

Já o ‘Capo’, Luca di Montezemolo, anda mais preocupado em contornar outros problemas, como o falatório sobre seus pilotos. Ele chamou de “sem sentido” os rumores de que os pilotos da escuderia italiana podem trocar de macacão — ou mesmo pendurá-lo — ao término da atual temporada.

 

O Lamúrias está querendo mais de 30 milhões de Euros para renovar seu contrato e corre à boca miúda que o “Tomotodas” poderia pendurar o capacete e ir direto para o bar no final da temporada. Estranhamente, depois de dois anos de um verdadeiro massacre contra o “Macarroni”, este ano, toda a imprensa e os ‘tifosi’ estão quietinhos com relação ao novo segundo piloto do time.

 

Nas hostes onde a tranquilidade deveria imperar (a Mercedes), a temperatura promete subir com os tropeções na língua que o Totó Wolff continua dando. Desta feita ele afirmou que a disputa entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton pelo título do Mundial de F1 de 2014 não vai fugir do controle dos comandantes da equipe, lembrando que agora, na volta das férias, “as ordens que partirem do pit-wall deverão ser cumpridas”.

 

Para “corroboar” com a posição do diretor esportivo, o diretor de engenharia do time de Brackley, o italiano Aldo Costa (que veio da Ferrari dos tempos do “faster than you”) garantiu que não dará preferência a ninguém, nem a Hamilton e nem a Rosberg. Garantindo fornecer a ambos um carro perfeitamente idêntico. Espero que sim!

 

Quem não parece estar preocupado com nada a não ser com o seu quintal são os organizadores do GP da Rússia (alguém tinha dúvidas de que a corrida não seria confirmada pelo “renovado” Bom Velhinho?), marcada para o dia 12 de outubro no traçado feito dentro do parque olímpico da última olimpíada de inverno, em Sochi.

 

O “parceiro de negócios” do governo de Vladmir Putin, Sergei Vorobyov, garantiu que exceto pelo trabalho visual final (pintura, limpeza, instalação de equipamento) o circuito está pronto para a realização da corrida e que não há nenhuma razão para se abalar ou temer qualquer ação dos separatistas que tanto preocuparam quando da realização das competições geladas de fevereiro.

 

Alguém tinha dúvidas de que o autódromo não seria aprovado “com louvor” por Charlie Whiting em sua inspeção? O Inglês exultou todos os aspectos técnicos, em particular a segurança da pista, e disse esperar por uma corrida espetacular no próximo mês de outubro.

 

O que abalou mesmo foi o anúncio feito pelo carrancudo “assessor para assuntos aleatórios” da red Bull, Helmut Marko. Nesta semana, pela TV Servus, de propriedade da marca de bebidas energéticas, anunciou que Max Verstappen, filho do ex-piloto Jos Verstappen e que recentemente foi anunciado como piloto do programa da Red Bull será titular da Toro Rosso para 2015 ao lado de Daniil Kvyat. Ou seja, Jean-Eric Vergne está “a pé” para o ano que vem e pode até ficar mesmo desempregado.

 

Já um abalo que todos esperavam seria quando a ‘Nega Genii’ entregasse o ouro e assumisse o tamanho do rombo que tem... nas costas. E a coisa foi mais feia que até os mais pessimístas esperavam. O balanço de 2013 revelou um déficit de 115 milhões de dólares, lembrando que em 2012 já havia sido de 95 milhões. Esta é a maior perda da história para uma equipe de automobilismo. Mas a equipe fez questão de assegurar que está em conversas para acertar com uma nova patrocinadora principal.

 

Em janeiro de 2014, a Yota Dervices, produtora de smartphones, adquiriu uma parte minoritária, de cerca de 10% da equipe, que garantia a exposição da marca no carro da equipe de Enstone. Hoje quem realmente injeta dinheiro na equipe é a PDVSA del gran volante bolivariano Pastor ‘Desastrado’. Contudo, o fluxo de capital está em risco... e o futuro da equipe também?

 

Puxaram o tatame sob os pés do Kamikase Kamui Kobayhashi. A A Caterham anunciou na manhã desta quarta-feira que André Lotterer, Piloto da Audi no Mundial de Endurance e tricampeão das 24 horas de Le Mans, vai assumir sua vaga no GP da Bélgica deste fim de semana... mas a equipe garantiu que o piloto nipônico segue como parte do time.

 

Desde que foi vendida pelo empresário malaio Tony Fernandes, a Caterham vive um processo de reformulação, comandado por Colin Kolles e pelo ex-piloto Christijan Alberts. Este processo, aliás, resultou na demissão de mais 40 funcionários da escuderia. Este assunto vai ser algo que discutiremos de forma mais profunda num futuro próximo.

 

Apesar de disputar um campeonato mundial com protótipos, o alemão não é nenhum ‘bobo aventureiro’. André foi piloto de testes da extinta Jaguar, mas está longe da F1 desde 2002. Além disso, continua correndo em monopostos, disputando a Super Fórmula no Japão. Agora, até onde isso é um referencial para alguma coisa veremos no final de semana. É bom lembrar que o Quexudo Schumacher era piloto de protótipos da Mercedes quando, no mesmo circuito, estreou com a Jordan em 1991... e que o Iuji Ide é um dos fortes nomes da história da categoria! Banzai!!!

 

Saindo da F1, na F. Indy, o piloto paraguaio Helio Castroneves está mais uma vez morrendo na praia. Numa corrida apagada, foi apenas o 11º colocado e viu Will Power vencer e Juan Pablo Montoya completar a dobradinha da equipe no oval de Milwaukee.

 

Com duas corridas para o precoce final da temporada, no próximo dia 30 de agosto para “fugir da concorrência do início da temporada da NFL”, aquela coisa que só os americanos chamam de futebol, Helio tem o misto de Sonoma e o Superspeesway de Fontana para tentar mostrar que nasceu do lado de cá da fronteira e, mesmo com 39 pontos de desvantagem, a pontuação dobrada no oval da Califórnia pode fazer com que ele suba na grade mais uma vez... ou não. Do contrário, vai acabar virando, ao invés do “homem-aranha”, o “peixe-aranha”: que acaba morrendo na rede!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva

 

 

Last Updated ( Tuesday, 22 September 2015 21:25 )