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Written by Administrator   
Thursday, 10 July 2014 07:22

Caros amigos, eu costumo escolher os temas das minhas colunas semanais com alguma ou total dissociação dos assuntos que os demais colunistas abordam em seus trabalhos. Especialmente no caso do nosso jornalista Alexandre Bianchini, que além de ser um profissional e excelente colunista, escreve semanalmente como eu.

 

Contudo, nesta semana, o assunto sobre o qual decidi falar tem a ver com a coluna do nosso parceiro e colaborador, tendo sido de uma forma particular abordado por ele em sua análise do GP da Inglaterra. Com sua permissão, Alexandre, tomarei um tópico para me alongar em minhas considerações.

 

Na minha coluna, semana passada, deixei registrado os meus protestos e a minha indignação quanto ao processo de coerção – e estou usando esta palavra para não ser mais contundente – que os pilotos da Fórmula 1 estão sendo submetidos corrida após corrida diante dos nossos olhos.

 

O tricampeão do mundo, Niki Lauda, que costuma ser considerado um “piloto cerebral” pelos ditos “especialistas”, mas que era um piloto rápido e audacioso, tendo sido protagonistas de algumas excelentes disputas nos anos 70, protestou antes da corrida do último domingo com relação às atitudes dos comissários desportivos... e talvez o protesto tenha funcionado!

 

Na parte final da corrida, Fernando Alonso e Sebastian Vettel travaram um duelo digno dos melhores anos, das melhores disputas e das grandes emoções que a Fórmula 1 já proporcionou e é capaz de proporcionar. Teria sido perfeito se não fossem dois “detalhes”: a “Tilkonização” dos autódromos e o maldito rádio.

 

Os autódromos que há algum tempo fazem parte do calendário da Fórmula 1 pecam pela “benevolência”. Com áreas externas à pista sendo asfaltadas “em nome da segurança”, proporcionando que os pilotos possam usar os freios com eficiência e diminuir o impacto de batidas contra muros, guardrails e barreiras de pneus, as mesmas também permitem que o erro, onde o piloto perde momentaneamente o controle do carro e sai da pista, seja corrigível e ele possa continuar na prova.

 

Em 2012, quando fizemos a série sobre a conquista do primeiro título mundial de Emerson Fittipaldi, na estreia do autódromo de Nivelles, na Bélgica, os pilotos da época queixaram-se das generosas áreas de escape das curvas (leia aqui), considerando que aquilo deixava o circuito pouco desafiador.

 

Um dos problemas que surgiram com o asfaltamento das áreas de escape é que algumas – caso utilizadas – representariam um ganho de velocidade e de tempo na volta, o que obrigou os comissários e o diretor de prova a regular o uso destes pontos, com o erro sendo aceitável, mas a sequência de erros sendo motivo para uma punição.

 

Muito bem. As voltas em que Sebastian Vettel perseguiu Fernando Alonso até conseguir ultrapassá-lo – e abrir vantagem – tornaram-se uma eletrizante batalha dentro da pista e uma patética choradeira fora dela, com a liberação das mensagens de rádio dos pilotos com suas equipes.

 

Ambos apontando que o adversário não estava respeitando os limites da pista, não “deixando espaço” nas curvas e que a direção de prova deveria “tomar uma atitude” e punir o adversário levou-me a pensar o que eu faria se fosse o Charlie Withing. Eu puniria AMBOS com um ‘drive thru’ por “atitude antidesportiva”. Seria sensacional!

 

Alguma punição até poderia ter sido imposta, contudo, acredito que a presença do nada cerebral – e quase acéfalo – Nigel Mansell como ‘Piloto Convidado’ para estar na torre serviu para impedir que os comissários desportivos deixasse a disputa rolar. Para quem não viu ou não lembra, Mansell proporcionou algumas das melhores disputas em pista contra nossos três campeões do mundo: Piquet e Senna na Fórmula 1 e Emerson Fittipaldi na Fórmula Indy.

 

Felizmente o único punido foi o Esteban Gutierrez, pelo “reencontro” com Pastor Maldonado depois daquele entrevero no Bahrein. E eu termino com a frase do meu filho, depois que o Fernando Alonso “exigiu” que a posição perdida lhe fosse devolvida imediatamente: “é muito ‘mimimi’, fala sério”!

 

Enquanto isso, no Balcão do Cafezinho...

 

O ‘Speed Gonzales’, não se conformando em fazer bobagens na pista, nos boxes, no ambiente da equipe, conseguiu ir mais longe e largou-se na brita com o microfone também.

 

Na véspera do início dos trabalhos para o GP da Inglaterra, ele foi perguntado a respeito da participação da escocesa Susie Wolff no primeiro treino livre do GP da Inglaterra com a Williams. Ele até começou bem, elogiando a pilota, mas foi colocando a famosa pimenta mexicana ao longo das considerações, inicialmente falando que ela não conhece o carro e que esses carros são muito difíceis de guiar. Além disso, considerou Silverstone como um circuito complicado e disse que não se deveria esperar grandes coisas naquela manhã de sexta-feira.

 

O problema é que uma repórter espanhola perguntou se o piloto gostaria de ter uma companheira mulher na F1. A resposta foi uma tijolada: “Não, não. Uma mulher ganhar de você não seria bom. Melhor na cozinha”. Algumas horas depois do desastroso comentário, o mexicano tentou consertar a bobagem dita pelas redes sociais... tarde. Bate menos, fala menos e corre mais, hijo.

 

Esta semana, depois da corrida de Silverstone, as equipes ficaram no circuito para dois dias de testes coletivos. Chance para muitos pilotos reservas andar com o carro, das equipes colocarem na pista o que testam nos simuladores e da Pirelli para ver, com os carros atuais, o comportamento seus estudos para novos compostos. Só que os italianos estão com uma outra ideia: o pneu de 13 polegadas!

 

Para a fábrica italiana, pneus maiores refletem uma tendência moderna do mercado e adotá-los nas competições resultaria em um aumento da transferência de tecnologia dos pneus da Fórmula 1 para os pneus de carros de rua. Além disso, Paul Hembery, diretor da marca, pondera que esta nova concepção traz desafios técnicos para a sua produção, mas que acabam compensados pela sua maior rigidez na banda de rodagem e por uma menor flexibilidade nos 'ombros' dos pneus – as paredes laterais. Em todo caso, uma alteração como esta só deverá ser possível em 2017. Até lá, muita borracha será queimada.

 

Lembram dos ‘factoides’ do Bom Velhinho da semana passada? Pois é, o homem recuou! Falando à emissora italiana Sky em Silverstone, Ecclestone ressaltou que não quer perder a corrida em Monza, mas afirmou que, sem um contrato, o GP não poderá ser realizado. De acordo com o dirigente, os termos apresentados aos responsáveis pela pista são os mesmos obedecidos pelos outros circuitos europeus.

 

Um inacreditável arroubo de humildade? Longe disso! Acontece que os donos da categoria (ao menos no papel), a tal de CVC, não gostou nem um pouco das recentes declarações do poderoso baixinho e tratou de comunicar que este tipo de decisão não cabe mais a ele e que ele deverá deixar o cargo que ocupa, e para o qual já teve seus poderes reduzidos.

 

Mas num movimento de “morde e assopra”, Donald Mackenzie, copresidente do CVC, em depoimento à Corte de Munique, declarou que Bernie Ecclestone convenceu o fundo privado CVC a duplicar a avaliação inicial da F1 quando da compra do esporte pelo grupo.

 

A acusação alega que Ecclestone queria a CVC como acionista majoritária porque o acordo permitiria a ele permanecer como executivo-chefe da F1. Donald Mackenzie ainda disse que o homem forte da F1 não exigiu o cargo de comando, mas que negociou de “forma dura”.

 

É evidente que o tal do Mackenzie sabe da importância da imagem do Bom Velhinho perante o mundo da competição, coisa que a CVC, como empresa de negócios, não tem algo do tipo nos seus quadros. Contudo, os verdadeiros donos da categoria estão de olho no futuro próximo e na substituição do Bom Velhinho, que pode pegar até 10 anos de prisão em caso de condenação.

 

Quem está lendo esta coluna ainda está atordoado, chocado, puto, envergonhado ou outro estado de espírito por conta dos 7x1 da Alemanha. Contudo, eu estou mais indignado – embora, não surpreso – com o que foi relatado pela jornalista Mônica Bergamo na Folha de São Paulo no início desta semana.

 

O principal fã clube do tricampeão mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna, a TAS (Torcida Ayrton Senna) foi despejado do imóvel que ocupava no bairro de Santana, localizado na zona norte da capital paulista. O imóvel foi cedido pelo próprio piloto para servir como sede. Para sobreviver, a TAS vai ter que se desfazer de peças do acervo do fã-clube, como capacetes e objetos pessoais de Senna, morto há 20 anos.

 

Fundada por Adílson Carvalho de Almeida, a TAS existe desde 1988 e reunia em torno dela os fãs mais devotados do piloto brasileiro. O despejo foi comunicado ao próprio Adílson por Viviane Senna, irmã de Ayrton. Ninguém mais da família comentou o assunto.

Preciso dizer algo mais?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva