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O direito de correr PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 03 July 2014 00:49

Caros amigos, duas semanas atrás comentei aqui nesta coluna sobre as palavras do presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, clamando por uma Fórmula 1 capaz de ser um espetáculo atraente para o público e que, volto a repetir, num discurso em que – na minha humilde opinião – era mais voltado para tentar tirar o foco deste novo fiasco que a equipe italiana vem dando na temporada.

 

Se o discurso partisse dos dirigentes da vencedora Mercedes ou até mesmo de outro dirigente da categoria, teria – talvez – uma conotação melhor recebida. Afinal, há um grande fundo de verdade nas palavras do cartola italiano e não há como negar que algumas corridas, de uma forma geral, independente do domínio de um piloto ou de uma equipe, tem dado sono nos telespectadores e – segundo Montezemolo – afastado o público e esfriado a paixão pelo automobilismo.

 

E foi justamente um dirigente da Mercedes – e um dos maiores pilotos da história – Niki Lauda que atacou um ponto altamente questionável em corridas de qualquer categoria e em qualquer lugar do mundo: as decisões dos comissários desportivos, que são tomadas tanto em treinos como durante e após as corridas.

 

No caso específico da Fórmula 1, o austríaco e tricampeão mundial atacou o excesso – e o rigor – das punições que estes comissários, que há alguns anos estão sendo “assessorados” por ex-pilotos da categoria ou pilotos de grande renome, como o multicampeão de Le Mans Tom Kristensen. Para ele, a ação destes comissários tem inibido as disputas por parte dos pilotos, que temem ser punidos por “excesso de arrojo” e que isso tem deixado a Fórmula 1 “morna” e isto estaria afastando os torcedores do Mundial.

 

Niki Lauda usou como exemplo a punição imposta ao mexicano Sergio ‘Speedy Gonzales’ Perez por conta do acidente com Felipe ‘Macarroni’ Massa, que ele além de tê-la considerando-a absurda, afirmou que, se ele fosse comissário naquela corrida, não teria punido o piloto da Force Índia, também conhecida como KBR (Kid Bengala Racing).

 

No seu ponto de vista o que aconteceu entre o mexicano e o brasileiro no final da corrida canadense foi um ‘acidente de corrida’. Ele também comentou a “investigação” sobre o incidente que envolveu Sebastian ‘Darth’ Vettel e o Esteban(ado) Gutiérre(OZ).

 

Honestamente, o homem que um dia disse na cara do – então – seu patrão, ninguém menos que o dono Ferrari, ‘Il Commendatore’, que sua vida valia mais que um título de campeão do mundo, quando abandonou o GP do Japão de 1976 (cena que pateticamente o filmeco que foi às telas no ano passado não registrou), mas que também protagonizou comentários infelizes, como dizer que os carros modernos poderiam ser pilotados por macacos, está coberto de razão.

 

Dois pilotos tocam rodas nas corridas atuais e logo aparece na tela da nossa televisão que os pilotos do carro “X” e do carro “Y” estão sob investigação. Agora imaginem uma disputa como aquela entre René Arnoux e Gilles Villeneuve no GP da Suiça em Dijon Prenois? Para os mais jovens, que nuca a viram, procurem no ‘you tube’. Foi em 1981 e nem valia a vitória, era o 2º lugar. Talvez os dois fossem banidos do automobilismo!

 

Uma coisa – no mínimo – estranha aconteceu no final de semana do GP da Áustria, com uma “reavaliação” do processo que puniu Sergio Perez. Caso a punição tivesse sido retirada ou abrandada, o que certamente criaria um conflito, pois os comissários de uma corrida não foram os mesmos da outra. A alteração na punição não aconteceu, preservando os comissários que atuaram no Canadá, mas daí a reconhecer que eles tomaram a decisão correta é uma outra estória. E nisso se cria uma questão política de ordem interna na FIA.

 

As decisões rápidas e punições – ou não – dadas pelos comissários surgiram depois de muitos protestarem por decisões tomadas após as corridas e que alteravam os resultados oficiais três, quatro, cinco horas após a bandeira quadriculada ter sido agitada. Inicialmente aplaudida, ainda mais com a participação de um piloto na torre de controle.

 

Porque então agora as decisões destes senhores estão sendo tão contestadas? A resposta é óbvia: assim como em alguns casos no futebol, para usar a copa do mundo, “o juiz está querendo ‘aparecer’ mais do que os jogadores”. Que o direito de correr seja respeitado!

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

O assunto da coluna da semana passada fervilhou na nossa caixa de emails, assim como a recém publicada coluna da nossa psicóloga Catarina Soares. Lembrei-me do assédio ao “IML” italiano por parte de alguns ‘paparazi’ para conseguir as fotos do Senna após o trabalho destes para a liberação do corpo.

 

No caso do Schumacher – que ainda não morreu – as investigações em curso tem sido direcionadas para os integrantes da equipe que transportou o alemão de Grénoble para Lausanne. Uma viagem de duas horas daria tempo para qualquer um fotografar o que quisesse dentro da ambulância-UTI que o transportou. São 11 páginas apenas. Contudo, de acordo com o que foi informado e também noticiado, a empresa proprietária da ambulância não foi informada com antecedência sobre quem seria o paciente a transportar. Além disso, todos os integrantes da equipe teriam sido obrigados a entregar seus telefones celulares antes de receber o paciente. Caso este tenha sido o real momento onde se conseguiu o material, ficaria claro ser o trabalho de mais de uma pessoa, uma vez que durante o trajeto normalmente o paciente transportado não ficaria na companhia de uma só pessoa.

 

Apesar de, aparentemente, o funcionário que fez as fotos do prontuário e que teria pedido 50 mil euros pelas fotos não conseguiu um “cliente” disposto a pagar pelo material e também a arcar com as consequências legais que a publicação deste podem – e irão – gerar. Contudo, algumas imagens dedo suposto documento foram colocadas na internet (sem garantias de que sejam reais). Se as mesmas são reais é outra estória. A família Schumacher, como tem feito até agora, não se pronuncia e qualquer coisa que viermos a saber virá por Sabine Kehm... se vier!

 

Se em termos de “churumelas” o pessoal da Ferrari vem ganhando disparada todos os campeonatos de lágrimas derramadas desde 2010, este ano os austríacos da Red Bull estão se mostrando um concorrente à altura, pelo menos em litros cúbicos. Contudo, os touros tem mesmo do que reclamar. Afinal, de que adianta fazer um carro bom, “no chão”, se o motor é uma piada?

 

Enfrentando problemas de desempenho desde a pré-temporada, a equipe tem plena ciência de que a Renault, sua fornecedora de unidades de força, não tem mais opção a não ser reconhecer que não conseguirá igualar a performance das rivais – especialmente a da Mercedes – este ano. Gostaria de lembrar os leitores que os franceses foram os últimos a apresentar seu sistema de geração de força e que eles pediram, no início do ano, uma postergação da data limite para o “congelamento” do desenvolvimento dos motores... sem sucesso com a oposição de Mercedes e Ferrari.

 

Os franceses, claro, tentam “minimizar” o fiasco enquanto Rob White, diretor da Renault, citou o congelamento de motores imposto pelo regulamento da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e admitiu que a marca francesa trabalha mirando o próximo ano. Apesar do ‘mea culpa’, ele avaliou que a fabricante francesa conseguiu fazer “melhoras significativas” desde os problemas enfrentados na pré-temporada e novas atualizações ainda devem introduzidas este ano. Até o presidente da Renault, Jean-Michel Jalinier, entrou no time dos ‘enchedores de balde’para tentar amainar a crise com os austríacos, em especial com o time principal e – essa é pra rir – disse que o contato com os ‘touros’ é diário, que tudo está correndo de forma suave e a atmosfera entre Renault e Red Bull é boa e construtiva... SABE NADA, INOCENTE!

 

Para os taurinos, ao menos uma boa notícia esta semana: Toro Rosso e Renault foram inocentadas pela FIA por uma suposta conduta errada num teste de motor mais cedo em 2014, de acordo com a revista britânica 'Autosport'. 

 

A resposta do órgão máximo do automobilismo mundial foi dado após acusação feita por uma fonte anônima de que a equipe italiana e a fornecedora a construtora francesa teriam quebrado as restrições da teste da F1 por estar testando o túnel de vento numa esteira a seis dias do início da temporada. Toro Rosso e Renault tiveram de dar detalhes sobre o teste estava sob a regra de regulamentações de testes e de pneus.

 

Rémi Taffin, chefe das operações de pista da Renault, declarou que os testes foram para ajudar a Toro Rosso e tentar mais uma forma de encurtar a distância nas performances que a equipe tinha naquela altura, tendo sido este o único objetivo e resultado. A pseudo-inocência no teste livrou os touros de mais um revés na temporada. Só lembrando, um teste mal conduzido, mal interpretado e muito protestado levou a Mercedes a ser punida no ano passado. 

 

Não é só onde as coisas andam mal que o clima está carregado. Na Mercedes, a guerra interna depois dos fatos ocorridos em Mônaco. Neguin Hamilton que acusou o golpe da pernada que o Paquito Rosberg lhe deu anda meio perdido e a diferença entre eles chegou a 29 pontos, o que significa que uma vitória de Hamilton com um abandono de Rosberg não devolve o inglês à liderança do campeonato.

 

O problema é que o Paquito é um alemão – escolhido entre tantos alemães – para ser o piloto da equipe alemã e o Neguin chegou lá trazido pela mão pelo diretor não-alemão da equipe: Niki Lauda. E foi justamente o austríaco tricampeão do mundo – que já falou algumas bobagens das boas ao longo da carreira fora das pistas – que andou falando sobre o assunto.

 

Para ele, já em Silverstone, o piloto deve voltar ao “ritmo de vitórias” com sua Mercedes e que a diferença crescente do alemão em relação ao inglês isso não está afetando psicologicamente o seu ‘pupilo’, um piloto maduro e sabedor que tem condições para superar seu companheiro de equipe. O que será que Totó Wolff pensa disso? Essa disputa dentro da Mercedes ainda pode se tornar mais complexa, saindo das pistas.

 

Depois de levantarmos a lebre na semana passada com mais um capítulo do julgamento do Bom Velhinho, eis que o nosso futuro presidiário tratou de criar – algo que fazia tempo que ele não aprontava – aqueles “factoides” que só ele é capaz de criar, levantando uma polêmica em torno de alguma coisa capaz de levar os fãs do automobilismo  a discussões e até mesmo protestos. E ele pegou pesado: criou logo três!

 

Para quem não se lembra, vou relembrar: Em 2009, antes da entrada das “nanicas” na F1, o Bom Velhinho estava “dando a maior força”, junto com seu amigo, Max ‘Chicotinho’ Mosley para o aumento do grid, a chegada de novas equipes... tudo na tentativa de diminuir a força das equipes mais poderosas, especialmente aquelas ligadas às montadoras.

 

O cenário econômico mundial mudou, das grandes montadoras, apenas a Mercedes ficou com uma equipe na categoria e de um tempo pra cá o discurso é outro: ele já havia dito algumas vezes que “ficaria feliz com a saída das ‘nanicas’”. Agora, além de reiterar a posição, foi mais além, mostrando-se favorável a uma velha ideia de Luca di Montezemolo – da qual ele sempre foi contra – que seria permitir um terceiro carro por time. Há anos, o presidente da Ferrari tenta emplacar a proposta como meio de aumentar a competitividade e o número de carros no grid, o que faz sentido e que existia nos anos 60/70.

 

O assunto sobre a possibilidade de se adotar a regra de um terceiro bólido por equipe foi conversado de forma não oficial durante o fim de semana na Áustria. Contudo os principais chefes de equipes não se mostraram inteiramente convencidos da proposta, embora todos considerassem a medida como uma possibilidade caso o número de equipes e consequentemente de carros diminuísse no grid. Particularmente, eu prefiro ver 3 Ferraris, 3 Red Bulls, 3 McLarens e outras do que ver Caterhans e Marussias tomando voltas e voltas durante as coridas.

 

Numa daquelas ‘tijoladas’ que só ele sabe dar, em  entrevista ao jornal italiano ‘La Gazzetta dello Sport’, o Bom Velhinho voltou a atacar o som dos novos motores V6. Para ele, corridas às vezes são interessantes e às vezes não, como sempre. Mas a falta de ruído é algo insuportável, não apenas para ele mas para todos ou a grande maioria.

 

Mas o melhor mesmo foi o parâmetro que ele usou para comparar os sons do passado e do presente: “Veja os Rolling Stones, que tocaram em Roma há pouco tempo. Você acha que o Mick Jagger canta como há 30 anos? Não, mas as pessoas vão ouvi-lo porque ele e os Rolling Stones são um ícone”!

 

Mas a melhor foi a continuação da entrevista. O – ainda – todo poderoso da F1 colocou em xeque o histórico circuito de Monza, que terá data para se despedir do Mundial: a temporada 2016. Segundo o Bom Velhinho, o atual contrato com a o circuito para a realização da etapa do mundial é um desastre do ponto de vista comercial e, por isso, não deve seguir na programação do campeonato após o fim do vínculo atual.

 

A declaração colocou em alerta máximo as lideranças políticas e esportivas da região. Antonio Rossi, do Departamento de Esporte e Políticas para a Juventude da Região da Lombardia, pediu a intervenção do governo na negociação com Bernie Ecclestone, tanto com o compromisso de proteger o GP da Itália, como também de preservar o importante papel econômico e a geração de empregos na região.

 

Acho que até o mais inocente dos inocentes sabe bem aonde o Bom Velhinho quer chegar, não é mesmo? Fazer com que os donos do templo italiano da velocidade “venda a alma” para preservar o GP da Fórmula 1. É típico dele. A questão é saber aonde estará Bernie Ecclestone em 2016. Afinal, o julgamento em Munique deve terminar em outubro.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva