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Desvendando a F. Truck PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 11 June 2014 23:52

Olá amigos.

 

No último mês de maio tive a oportunidade de, junto com o colunista responsável pela coluna “Rotações por Minuto”, Alexandre Bianchini, que produziu as fotos que ilustram o artigo – de estar presente, pela primeira vez em minha vida, numa corrida de caminhões: a etapa da Fórmula Truck no Autódromo Internacional de Interlagos.

 

Eu sempre externei uma certa desconfiança – quase uma má vontade – em ver este tipo de corrida por achar que não se tratava de algo natural e, nesta semana, li em uma rede social que um personagem de peso do nosso automobilismo também acha estranho estas corridas, mas como sou uma pessoa aberta a novas experiências, aceitei o desafio de ir até lá e produzir algum material para o site.

 

Fiz uma pequena pesquisa e vi que a questão da fumaça este ano, com a retirada dos catalizadores andou gerando polêmica... e a polêmica ainda não terminou.

 

Afinal, para que serve mesmo o tal do catalisador no escapamento dos caminhões da Fórmula Truck? Com o firme propósito de buscar a resposta, fui destacado pelo “Nobres do Grid” para cobrir a etapa do dia 18 de maio, realizada em Interlagos, meu play ground favorito, que frequento a 52 anos. Já vi de tudo por lá e desta vez foi uma novidade total, pois nunca havia assistido a uma corrida com caminhões, só acompanhado pela TV. Devidamente liberados pela assessoria de imprensa - a quem novamente agradecemos a incrível acolhida - eu e o Alexandre Bianchini circulamos os 2 dias, andando quilômetros, conversando com chefes de equipe, pilotos, mecânicos, preparadores, “bicões” que também sabem muito do assunto e de tudo o que captamos, e ficou uma certeza: a Fórmula Truck terá vida longa por aqui. Eu já tive caminhões e sou habilitado para conduzi-los, mas o que essa moçada faz com um truck preparado para correr é de arrepiar .

 

As conversas foram sendo garimpadas nos momentos disponíveis com Altair Lima, responsável técnico da categoria, Carlos Montagner, Diretor da prova que nos recebeu na torre e foi de uma gentileza e companheirismo ímpar, Djalma Fogaça - que com a dura função de chefe de equipe e piloto ainda encontra tempo para filosofar em cima dos problemas (experiência conta muito nessa hora), Wellington Cirino e seu jeitão de quem está de bem com a vida, Renato Martins e seu piloto campeão Leandro Totti da equipe Volkswagen, Beto Monteiro preocupado com problemas de última hora em seu bólido, e seu pai, “Zeca” Monteiro, representando a CBA e que proporcionou a este escriba uma troca de histórias das antigas sobre o automobilismo em geral. Histórias do arco da velha. No fim, conversamos com a quase  totalidade dos pilotos e as duas pilotas.

 

A fumaça dos caminhões mudou depois da retirada dos catalisadores.

 

A todos perguntei o que a categoria ganhou e o que perdeu com a supressão do catalisador e pareceu ser uma resposta ensaiada por todos: “... perdemos uns 200 cavalinhos e ganhamos porque o motor não quebra mais como antes...” “... essa porcaria arrebentou com o orçamento, especialmente das equipes menores que trabalham com orçamento mais seco que o deserto do Saara...”; “...ano passado foi triste porque todos quebraram motor, alguns ao ponto de quase desistirem, pelos prejuízos insuportáveis...” e por aí seguia a choradeira. Pilotos são todos iguais, não importa do que correm, o “reclamar” faz parte do discurso, especialmente dos regulamentos técnicos que tentam impedir “mandracarias” e truques pouco ortodoxos nas preparações. Mas desta vez me pareceu que reclamavam com justeza. Afinal, qual foi a razão de tantas quebras?

 

As respostas podem ser resumidas nas informações quase idênticas de todos e vamos tentar uma explicação para o fenômeno: a incompatibilidade na velocidade de saída dos gases parcialmente retidos pelo catalisador, cumprindo com o seu papel de filtrar esse ar repleto de impurezas pela queima desigual da mistura, gera um evidente conflito com a bomba injetora que está na sua função de fornecer o diesel aos cilindros que, misturado ao ar captado e ultra comprimido, explode e gera potencia. Esses gases queimados, sem ter a saída livre, pois o catalisador funciona como barreira, geram o principal causador das quebras, a contra pressão. Seria algo como uma disputa entre a pressão que entra versus a pressão que sai, sendo a de saída a causadora das pressões acumuladas que causam o rompimento das partes móveis do motor.

 

O público da categoria faz lembrar os bons tempos de Interlagos.

 

Não há milagre aí. Os escapamentos de alto desempenho têm aqueles volteios todos, justamente para equilibrar a saída dos gases de cada cilindro, para que cada qual saia numa ordem pré-determinada. Ao se colocar um filtro no fim do processo, para reter impurezas, os gases aumentam muito a pressão interna e o estrago está feito. Ninguém conseguiu equilibrar a saída dos gases sem comprometer o desempenho do motor. Descoberta a causa, suprimido o obstáculo, se perdeu uns 200 cavalos e se ganhou em durabilidade. A perda de eficiência em pista é praticamente desprezível. Ganharam todos. Ou quase isso, pois aumentou um tanto na emissão da fumaça preta, que resulta em penalidade. O interessante é que a medição da fumaça preta é realizada por métodos empíricos a bel prazer do inspetor da fumaça, e que falhou, castigando uns e não outros com a “produção” poluidora, o grande óbice nesses tempos politicamente corretos. As reclamações a respeito são generalizadas, afinal uma punição obriga a um drive thru, comprometendo a posição durante a disputa. A fornecedora das bombas tem aproveitado as competições da truck espalhadas pelo mundo, testando alternativas técnicas, ecologicamente aceitas e tem tido respostas positivas, a serem inseridas num futuro próximo nos veículos de rua.

 

Existe laboratório melhor que as competições esportivas para encontrar soluções? Não, nenhum programa de computador conseguirá substituir o experimento real, numa pista, no limite extremo. Nosso site tem incontáveis artigos falando a respeito. Certamente o catalisador deverá retornar num futuro próximo, afinal, poluição é coisa séria e merece o repúdio generalizado de todos. Os engenheiros que procurem e encontrem soluções. Nós, entusiastas de competição sobre rodas, certamente agradeceremos. Da corrida, ótima por sinal, e minhas impressões, contarei em outra coluna. De crítico mordaz, aprendi a ver o lado competitivo que pouco se nota na TV e a imensa disputa entre os brutos e seus intrépidos pilotos/as.

 

As disputas são fortes, mesmo entre caminhões da mesma equipe.

 

Só espero que não acabem com a música dos motores. O barulho faz parte do show.

 

Abraços a todos,

 

Reginaldo ‘Nat’ Rock

 
Last Updated ( Wednesday, 18 June 2014 05:50 )