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A realidade dos nossos autódromos PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 05 June 2014 00:31

Caros amigos, neste último domingo Autódromo Internacional de Goiânia (um dos que recebe o nome do falecido tricampeão Ayrton Senna, mesmo sem que ele tenha um dia colocado os pés – ou as rodas – em seu asfalto) foi reaberto, depois de uma enorme reforma, com a quarta etapa da Stock Car.

 

Pelas imagens da televisão, o autódromo estava impecável, fruto do trabalho da Secretaria de Esportes do Governo do Estado de Goiás, que contou com o acompanhamento técnico da Comissão Nacional de Autódromos da CBA, que é presidida por Johnny Bonilha, ex-administrador do Velopark.

 

Durante a semana que antecedeu a corrida, em conversas com outros membros do Projeto Nobres do Grid, externei a minha preocupação com relação ao asfaltamento do traçado. Afinal, de nada adiantaria ter sido feito um trabalho bonito se, na hora que os carros entrassem na pista, a tração dos 500 cavalos dos motores V8 destruíssem a superfície do traçado, esburacando-o, como aconteceu na passagem anterior da categoria na capital goiana e como também aconteceu em Londrina, após o recapeamento daquele traçado e em Campo Grande.

 

Quando vi as cenas dos treinos no sábado, com os carros “quicando” na entrada da primeira curva – uma rápida curva à direita – e na curva de entrada do chamado “miolo” ficou claro que o trabalho não tinha ficado tão bem feito quanto todos esperavam: as ondulações eram grandes, a ponto de aparecer em carros de turismo (imaginem nos fórmulas?), mas pelo menos o asfalto não esfarelou.

 

Durante anos o autódromo mais importante do país – Interlagos – sofreu com as ondulações, com as reformas e recapeamento, ano após ano, no palco da Fórmula 1, que era sempre alvo de críticas dos pilotos estrangeiros, do inspetor da FOM, mesmo dos pilotos brasileiros e – num tom mais de lamento do que de crítica propriamente dita, dos comentaristas da televisão.

 

Lembro-me, inclusive, de um programa na televisão paga onde o responsável pelo asfalto irregular de Interlagos tentava – em vão – justificar o trabalho feito e, mesmo diante das cenas que eram repetidas, o engenheiro afirmava que “tudo havia sido feito dentro da mais alta qualidade e precisão”, enquanto todos os demais presentes criticavam os problemas – alguns anos depois, solucionado.

 

Por conta disso, soou-me absurdamente espantoso ver dois dos mais renomados comentaristas de automobilismo do país dizendo, durante a transmissão da corrida, que as ondulações no reaberto autódromo goiano era normal, que o asfalto ter ondulações não era um problema, que as ondulações eram um desafio aos pilotos e engenheiros das equipes para acertar os carros e conseguir controlá-los ante àquela dificuldade.

 

Hipocrisias à parte (lamento se os digníssimos se sentirão ofendidos, mas não consigo encontrar um outro adjetivo para externar minha indignação com o “antijornalismo”), este tipo de problema – as ondulações – são solucionáveis e a reabertura do autódromo de Goiânia e com seu retorno ao cenário nacional, temos mais um autódromo atualizado para a disputa dos nossos campeonatos.

 

A maioria das pessoas que acompanham o automobilismo através dos sites, blogs ou mesmo pela televisão costuma ser bastante crítica com relação aos autódromos brasileiros. Algumas, claro, com razão, mas outras – a maioria – fogem à realidade, querendo que todos os autódromos do país tenham padrões equivalentes aos circuitos que eles veem em fotos ou imagens. Um “padrão FOM”!

 

Com Goiânia (que tem uma promessa de sofrer reparos no asfalto após a corrida do milhão) recuperado, o Brasil tem – além de Interlagos – Temos três autódromos de ótimo padrão: Curitiba, Cascavel e Santa Cruz do Sul, todos recém reformados. Além destes, temos Tarumã e o Velopark. Brasília pode voltar caso a reforma saia do papel e um trabalho sério em Campo Grande recuperaria um excelente autódromo.

 

Se olharmos para o lado, na Argentina, eles tem hoje – segundo informações que consegui junto à Associação Argentina de Volantes – dois autódromos bons: San Luis e Termas de Rio Hondo. Os outros vinte e tantos autódromos dos hermanos estão em mal ou péssimo estado, incluindo os de Buenos Aires e Córdoba.

 

É preciso ter ambições, mas também é preciso ter os pés no chão: não somos um rico país europeu e nem lá todos os autódromos tem padrão ‘FIA-1’. Alem disso, aqui no Brasil, as montadoras de automóveis patrocinam campeonatos de futebol – até mesmos regionais esvaziados de estados longínquos – ao invés de campeonatos de automobilismo!

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

A guerra não oficialmente declarada entre Lewis Hamilton e Nico Rosberg tomou ares de armistício (e eu juro que acredito). Em mensagem postada pelo ‘Neguin’ no Twitter sexta-feira passada dizia que ele havia conversado com o ‘Paquito’ e estava tudo certo, tudo em paz.

 

Junto com a mensagem ele postou uma foto deles dois, de monociclo, na praia, nos tempos de kart e disse que a amizade dos dois já teve outros altos e baixos antes. Sexta-feira, quando os carros forem pra pista no Canadá veremos quanta paz e serenidade transpirará os boxes da Mercedes.

 

Que todo mundo sabe que na Fórmula 1 não tem “mocinhos”, mas muita gente deve ter ficado chocada com a declaração de Niki Lauda quando ele disse que “Você precisa ser um canalha se quiser vencer na F1 de qualquer maneira. Sem dúvida. Me diga um bonzinho que venceu. Alonso?”

 

A declaração, como não poderia deixar de ser, provocou risos dos jornalistas, mas a sinceridade do tricampeão foi total. Lauda disse acreditar que o caráter de um piloto não muda quando ele está em uma disputa de título, apenas pode acabar se revelando. “O caráter é sempre o mesmo. Há os bons e os ruins”. E para o bom entendedor...

 

Já para Totó Wolff, chefe de equipe da Mercedes, a disputa entre os dois vai continuar e ele afirmou ter a convicção de que o time pode controlar uma possível rivalidade envolvendo os pilotos, mas afastou a possibilidade de interferência externa (leia-se ordens de box) para evitar problemas.

 

Acreditem se quiser: ainda falando sobre as ideias visando a redução dos custos na Fórmula 1, Marco Mattiacci, recém-chegado ao posto de ‘Capo’ da Ferrari, já entrou nas conversas e disse que é a favor de que a categoria encontre uma forma de ser mais sustentável financeiramente.

 

Por outro lado, o italiano considera fundamental que a F1 sempre se comporte como a elite do automobilismo e sempre apresentar o que há de melhor em tecnologia de competição para os fãs. Para ele, o próximo passo só será dado quando todos os times estiverem alinhados para isso.

 

Quem deve contar com isso e – quem sabe – com esta proposta de Ferrari e Red Bull de que possam ser vendidos chassis para as equipes interessadas, a FIA anunciou que também aceitou a candidatura da romena Forza Rossa (que deve ser praticamente um “satélite” da equipe de Maranello) para entrar no Mundial de Fórmula 1 a partir de 2015.

 

Já o proprietário da equipe americana, Gene Haas, confirmou que sua equipe só deverá estrear na categoria em 2016. A grande revelação foi a informação de que o desenvolvimento aerodinâmico vai ser feito nos Estados Unidos. É uma aposta alta...

O processo de análise da inscrição da esquadra romena durou mais que o da Haas, mas foi aceito após a federação comprovar a viabilidade financeira do projeto que tem por trás Colin Kolles, ex-chefe da Force India e da HRT, e o ex-ministro da Saúde da Romênia, Ion Bazac, um médico que também é empresário e que possui – entre outros negócios – concessionárias da Ferrari no país do Leste Europeu e é presidente de um consórcio de investidores privados e estatais que visa promover os interesses da Romênia.

 

Fora do mundinho fashion da Fórmula 1, estamos em contagem regressiva para as 24 Horas de Le Mans, que vai contar não apenas com a participação de uma carro da Nissan na categoria principal, mas os planos vão mais além, com a intenção de também alinhar seu carro nas 6 Horas de Fuji e nas 6 Horas de São Paulo. Contudo, tudo está condicionado ao desempenho em Le Mans.

 

Preterido no “vestibular” da Red Bull para ingressar na vaga aberta pela promoção de Daniel Ricardão na estrutura da equipe (perdeu a vaga para o Daniil Kvyat), o espanhol Carlos Sainz Jr vem atropelando a concorrência na World Series By Renault. Lidera com enorme vantagem o campeonato e venceu a maioria das provas. Agora é ver quando vai surgir uma chance para o espanholzinho conseguir chegar na F1.

 

Mas não é só este jovem que vem vencendo com destaque. Na Fórmula Renault o herdeiro do Clã Fittipaldi, Pietro, fez barba, cabelo e bigode no último final de semana, vencendo as três etapas disputadas. Sem pressa de avançar mais rápido do que poderia, Pietro vem fazendo seu trabalho de formação para poder chegar bem na Fórmula 1.

 

E Robert – Kamikaze – Kubica finalmente conseguiu terminar uma etapa do Campeonato Mundial de Rally. Na etapa da Argentina, o polonês conseguiu passar ileso por todas as especiais, ao contrário das etapas anteriores onde sua participação terminou em alguma vala, pedra ou capotada. Que ele continue sobrevivendo.

 

Termino a coluna com um pedido de desculpas: na semana passada, escrevi que a  assessora de imprensa da família Schumacher havia dito que o heptacampeão tinha “momentos de consciência e capacidade para interagir”, segundo um jornal espanhol. Nesta semana. Sabine Kehm declarou à ‘La Gazzetta dello Sport’, que jamais fez tal declaração... infelizmente.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva