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Muito além da insanidade! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 20 March 2014 00:40

Caros amigos, Em um final de semana como tivemos neste que passou, com – finalmente – a volta da Fórmula 1 e tendo ainda a abertura da Fórmula Truck, não faltariam motivos para falar, temas para desenvolver minha coluna, mas tudo acabou ficando em segundo plano diante do que chegou ao conhecimento de todos que seguem os principais sites e blogs de automobilismo: o acidente fatal com o Sr. Edson Beber em Santa Catarina.

 

Como de costume, não faltaram críticas a CBA e ao seu presidente, que terá que pronunciar-se, sem dúvida alguma... mas na hora devida. Antes de se cobrar uma ação direta do órgão máximo do automobilismo nacional, é preciso seguir todos os passos, investigando-se os fatos, apurando-se responsabilidades, questionando-se o que teria – ou não – sido feito por todos aqueles que fizeram – ou deveriam ter feito – o seu trabalho da forma correta.

 

Um festival, uma competição, de arrancada já foi algo de uma ida nossa a um autódromo, no caso, o de Curitiba, onde já houve morte em uma competição e onde, diante do que vimos, além de um duro, porém honesto, editorial (clique aqui), ficou uma clara impressão  de que o controle sobre o que está acontecendo parece deixar à desejar.

 

A primeira impressão que um evento como este me passou (uma corrida de arrancada de caminhões feito na areia da praia) levou-me a pensar imediatamente em tratar-se de um evento pirata, paralelo, sem nenhum conhecimento e/ou anuência das autoridades desportivas locais.  Afinal depois do ocorrido na corrida de kart na cidade de Carpina-PE e dos relatos de diversas provas paralelas disputadas no interior do estado de Goiás, relatada pelo próprio presidente da FAUGO como um problema que ele teve por anos, este evento no balneário catarinense poderia ser mais um. Contudo, não era! O regulamento para a realização do evento está (não sei por quanto tempo permanecerá) publicado no site da FAUESC, estava dando as “garantias técnicas” de que era um evento oficial.

 

Eu não embarcarei no “trem da soberba”, julgando à distância e apontando culpados para o que aconteceu. Porém, não irei me furtar de fazer algumas perguntas que, espero, chegue aos olhos dos envolvidos e da comissão de investigação que a CBA nomeou para o caso, que conta com dois dos melhores pilotos de caminhões da atualidade, mesmo que um não esteja participando da temporada de 2014 na categoria Fórmula Truck.

 

Inicialmente minhas perguntas serão direcionadas à FAUESC – Federação de Automobilismo do Estado de Santa Catarina:

 

Havendo uma categoria como esta, cujo regulamento está no site da federação, como um regulamento, que em seu 2º parágrafo, referente à “habilitação do piloto”, determina que o mesmo deve possuir “Documento de Habilitação” (CNH) e apresentar seu RG. Ou seja, não é preciso ser piloto, ter feito qualquer curso de pilotagem, ter uma carteira expedida pela FAUESC, mediante apresentação de diploma de conclusão de curso de pilotagem ou ter participado de competições homologadas para a categoria novatos e possuir uma licença de piloto, seja de Novato seja de Graduado B?  

 

Havendo uma categoria como esta, cujo regulamento está no site da federação, como um regulamento, que em seu 7º parágrafo, referente à segurança, determina que o “piloto” deve usar cinto de segurança e calçado fechado, mas não faz menção ao uso de capacete ou macacão? O Sr. Edson Beber estava de camiseta e boné quando disputou a prova onde veio a falecer.

 

Havendo uma categoria como esta, cujo regulamento está no site da federação, como um regulamento, que em seu 6º parágrafo, referente às especificações década caminhão de cada categoria, em nenhuma delas faz menção da obrigatoriedade da existência de um “Santantônio”?

 

Havia algum comissário técnico e algum comissário desportivo da FAUESC na localidade de Arroio do Silva, onde foi realizada a competição para proceder a investigação, análise e anuência para que caminhões e seus condutores fossem para a pista ou isso ficou apenas a cargo dos promotores do evento?

 

Estas quatro primeiras perguntas já são um bom início para que a comissão instituída pela CBA, composta por “cinco” membros (Carlos Alberto Rodrigues de Deus, Presidente da Federação Gaúcha de Automobilismo e da Comissão Nacional de Arrancada da CBA, Beto Monteiro, Piloto de Fórmula Truck, Régis Alberto Boessio - matrícula CBA número 30.819 - PGC-A (Piloto Graduado de Competição A) e Felippe Zeraik, Diretor Jurídico da CBA e Membro do Tribunal de Apelação da FIA) – que no comunicado oficial da CBA constam quatro – possam iniciar seu trabalho.

 

As perguntas seguintes seguem para os senhores, que vão para dentro dos cockpits, dos habitáculos de segurança, para as gaiolas de proteção.

 

Estes lugares aonde os senhores estão sentados são realmente seguros?

 

Os senhores tem a consciência de que tipo de coisa pode vir a acontecer com os senhores em caso de uma falha estrutural deste local onde os senhores estão alojados?

 

Os locais onde estas competições são disputadas oferecem segurança aos participantes? Tem UTI Móvel? Tem médico? Tem brigada de incêndio?

 

Cabe agora à CBA e aos membros dessa comissão por ela instituída realizar um trabalho sério e apresentar em seu relatório final, de forma clara e consolidada, suas conclusões sobre as causas que levaram aos acontecimentos, quais eventuais medidas que devam ser adotadas, não apenas para eventos desta natureza, mas também para outros eventos oficiais e uma análise honesta sobre a viabilidade segura da realização de outros eventos como este.

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Toto Wolff, chefe da Mercedes, revelou que conversou com Lewis Hamilton e Nico Rosberg antes da corrida na Austrália sobre a possibilidade da equipe usar de ordens dos boxes para determinar o posicionamento dos dois durante a temporada 2014 da F1. No GP da Malasia do ano passado, o Paquito tomou um “fica quieto aí atrás” do Ross Brawn. Dizem as más línguas que ele destruiu o camarim depois da corrida.

 

E agora, que ele ganhou a corrida e o ‘Cirilo’ ficou zerado? Toto foi político. Lembrou que os dois correram juntos de kart e que se3 conhecem há mais de 15 anos, que são profissionais, grandes pilotos, talentosos, muito rápidos, inteligentes, blablabla. Falou, falo, falou e não disse nada. Vamos ver o que se sucederá.

 

Quem deve estar repensando sobre o que falou antes da corrida de Melbourne é o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo. Depois de falar que estava esperançoso e confiante no sucesso da ‘Scuderia’, que confiava no desenvolvimento do carro da equipe... aquelas coisas de pré estreia. Mas depois, o italiano mudou o rumo da prosa.

 

Montezemolo levantou possíveis possibilidades de tentativas de que algumas equipes pudessem buscar meios para burlar o regulamento, afirmando que tantas mudanças importantes nas regras estariam criando “áreas nebulosas”, como as novidades sobre consumo de combustível e que a FIA teria de ficar vigilante para evitar qualquer tentativa de trapaça como que ocorreu no passado recente, mas não deve acontecer de novo pelo bem do esporte. Será que ele estava antevendo o problema do carro de Daniel Ricciardo? O cara é vidente ou muito malandro?

 

É que não se trata só de controlar o consumo total de combustível no total da prova, mas também ao longo dela com o tal do fluxômetro. O aparelho instalado junto ao combustível utilizado pelos pilotos e que ganhou destaque após apontar um descumprimento do regulamento cometida pela Red Bull de Daniel Ricciardo.


Christian Horner ponderou que os sensores que identificaram um consumo maior do que o permitido é uma “tecnologia imatura” e que ainda geram dúvidas entre as equipes. Contudo e como era de se esperar, os chefes das equipes concorrentes que viram os carros roxos de binóculos no ano passado – Mercedes e Ferrari – como não tiveram problemas, demonstraram apoio à FIA e confiança no desenvolvimento do sistema.

 

O assunto central desta coluna na semana passada foi também preocupação de Chalie Whiting. Considerando a possibilidade de panes secas causadas pelo limite de 100 kg de combustível por corrida. Para tentar evitar acidentes que uma possível parada no meio da pista possa provocar, a FIA decidiu instalar uma sinalização na traseira dos carros para avisar aos pilotos que estejam em disputas por posição que o adversário da frente não está em condições totais de desempenho.

 

A preocupação com os acidentes causados pela economia de combustível foi expressado por alguns dos pilotos no briefing do GP da Austrália, realizado na sexta-feira. Segundo a revista 'Autosport', vários pilotos, incluindo protagonistas como Fernando Alonso, Sebastian Vettel e Jenson Button, expressaram sua preocupação sobre cenários em que pilotos fossem pegos de surpresa quando o carro da frente parasse sem o menor aviso no final de uma reta.

 

Durante a corrida, vimos várias vezes as luzes de “economia de combustível” acender, mas o grande temor – que era a corrida acabar antes do número de voltas com os carros parados pela pista – felizmente não aconteceu. Todas as equipes aprenderam direitinho como controlar o consumo.

 

Quem não gostou nem um pouco foram os organizadores da corrida. Andrew Westacott, diretor-executivo da corporação que cuida da prova de Melbourne, afirmou que o barulho chegou a ser “maçante”, como nunca antes e disse que é uma coisa que eles terão de “acertar para as próximas etapas”.

 

O presidente da corporação, Ron Walker, foi diretamente falar com Bernie Ecclestone – de acordo com Westacott – e explicou que os fãs que compraram ingresso não ficaram satisfeitos com o ronco emitido pelos novos motores, o que corrobora com a indignação do bom velhinho, que mais uma vez protestou veementemente contra o som dos novos motores, dizendo ter ficado “horrorizado” com o que ouviu, ou melhor, o que não ouviu!

 

Quem não vai ouvir nada é quem for assistir as corridas da Fórmula E, com os carros elétricos. E com a aproximação do início da primeira temporada, eis que mais pilotos com projeção internacional tem se candidatado para participar da temporada.

 

Jarno Trulli, Nick Heidfeld e Jérôme d’Ambrosio, que estiveram na Fórmula 1 (o último como piloto de testes), além de Sam Bird, que tem competido na GP2 Series engrossam a lista de pilotos para 28 nomes. Mesmo sem ruído, esta categoria está ficando bem interessante.

 

Se bem que, tem certas coisas que é melhor a gente nem ouvir, concordam? Como eu abri mão de acordar às 3 da manhã para ouvir o GB (Vai que ele perdia a bandeirada de chegada ou a largada como perdeu o gol? Eu ia perturbar os vizinhos com as minhas gargalhadas), sabendo da hora da transmissão no canal por assinatura, organizei um programa duplo, emendando a F1 e a F. Truck.

 

Não melhorou muito. Entre as tentativas de mostrar extremo conhecimento, a dupla que comentou/narrou a Fórmula deu algumas “raspadas na marcha”. Escolhi três, mas que são sensacionais.

 

Primeiro, a dupla começou uma ponderação sobre a eficiência das equipes e que Fernando  Alonso costuma dizer que para vencer uma corrida não basta ter um bom carro, mas também uma boa equipe. Aí eles mandaram que “com uma boa equipe nas trocas de boxes pode ser ganhar posições e Mercedes e Ferrari tem a primazia em termos de eficiência nas paradas de boxes”... será que eles esqueceram que a Red Bull, ao longo das últimas temporadas, veio batendo recordes de tempo de troca, fazendo as mesmas em 3 segundos, ou menos?

 

Daí, para mostrar conhecimento histórico o narrador mandou essa: “Alan Jones foi o primeiro australiano campeão mundial na F1!” O comentarista foi rápido no gatilho e consertou, lembrando da existência de Sir Jack Brabham, apenas tricampeão do mundo e o primeiro a ser campeão – e único – ao volante de um carro de sua própria equipe.

 

Aí, talvez na tentativa de redimir-se do erro histórico, ele atravessou na matemática, onde a ordem dos fatores não altera o produto, mas no calendário da F1, essa regra não vale: “O Senna marcou a pole no GP da Austrália em 1985... e depois venceu o GP de Portugal”!!! (Portugal foi a 2ª prova da temporada e a Austrália encerrou a mesma). Desta vez o comentarista não tentou consertar... deixou por isso mesmo.

 

E se eu achava que escaparia de coisas do gênero na Fórmula Truck, ledo engano: A transmissão mostra a imagem do caminhão de Wellington Cirino saindo da pista, indo para a brita. Aí o comentarista dispara: “o motor travou”... enquanto o caminhão traciona e começa a dar marcha a ré.

 

Honestamente, acho que não vemos a mesma corrida...

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva