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Os inimigos do esporte PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Wednesday, 19 February 2014 21:59

Caros amigos, o assunto desta semana vem fervendo nas chamadas “redes sociais”, além dos sites e blogs de automobilismo, repleto de “opiniões de especialistas”, pessoas altamente preparadas no ofício do jornalismo e na gestão de negócios e, entre as lições que podemos tirar do episódio, que não adianta apenas boa vontade para se fazer as coisas. É preciso vencer obstáculos que as vezes estão “tão visíveis que não os vemos”.

 

A categoria de Gran Turismo tem nos seus grids pelo mundo afora, os carros mais maravilhosos, mais desejados e mais chamativos para levar o público apaixonado por carros e não apenas por corridas para os autódromos e, estranhamente, nem sempre isso acontece – não só aqui como em outras partes do mundo. No ano passado assisti pela televisão uma prova em Silverstone com as arquibancadas vazias.

 

No final do mês passado começou a correr a notícia de um acordo para que a categoria dos super carros de turismo passasse a fazer parte da programação de parte das provas da Fórmula Truck, a categoria mais popular do país.

 

Uma união de esforços como esta, para o público que vai aos autódromos, para os fãs do automobilismo e principalmente para os pilotos, equipes e mecânicos da categoria dos carros dos sonhos seria uma chance de uma redenção perante o público que acompanha o esporte e também de recuperar o nome da categoria no país depois de todos os problemas que esta passou.

 

Os problemas que a GT (vamos chamar assim para facilitar o entendimento) vem passando são fruto de uma crise que explodiu no final de 2011, justamente um ano onde, com um grid de 25 carros e levando – em algumas corridas – mais de 10 mil espectadores para as arquibancadas. A crise resultou em uma divisão, um rompimento, entre dois grupos e a separação em duas categorias. Uma nos moldes que existia e outra com corridas de endurance com 3 horas de duração.

 

Da mesma forma como aconteceu quando CART e a IRL, em divisões ambos perdem e houve o enfraquecimento da categoria para o ano de 2012. O campeonato no modelo de endurance, mal chegou ao final... e não retornou em 2013. O campeonato no formato original, com a chancela da SRO, parecia ter continuado forte, mas uma ação – legal pelo regulamento, mas que criou problemas no seio da categoria – de equalização dos carros da equipe do representante da SRO no país – Antônio Hermann – desencadeou um boicote onde, na última corrida, as equipes adversárias promoveram uma “retaliação”, que tomou o campeonato dos carros BMW.

 

Para 2013, a equipe migrou para o mundial de GT e quem assumiu a organização do campeonato foi a Loyal SPE, empresa fundada a partir da Momentum, agência de marketing promocional com alguma experiência em ações focadas em automobilismo. Sem a “sensibilidade” para gerir o negócio automobilismo, antes mesmo do final da temporada a Loyal jogou a toalha.

 

Alguns problemas ficaram pendentes: ada proprietário deveria resolver por conta própria a burocracia para a reentrada dos carros no Brasil. Até então o depositário legal dos automóveis era a empresa SRO. Os Mercedes-Benz SLS AMG foram levados para a Europa, enquanto os demais foram enviados para a Flórida.

 

Desde o final da temporada passada alguns pilotos falavam sobre como fazer para manter a categoria viva e uma das ideias era fazer um “campeonato sul brasileiro”, mas a grande proposta – que animou a todos que gostam de automobilismo – veio pelo anúncio de Marçal Melo (que no ano passado tentou emplacar o “TRC” (Touring Race Cup), um campeonato nacional, monomarca, com o Subaru Impreza, numa parceria com Paulo Gomes. Mas a categoria não saiu do papel!

 

Com a ajuda do Djalma Fogaça, que colocou o grupo dos que tentam manter a GT viva em contato com a direção da Fórmula Truck. Os entendimentos aconteceram entre as partes e contando com todo o apoio da CBA. Tudo apontava para um “final feliz”, com a divulgação até de um calendário... mas apareceu uma questão que acabaria por jogar todo o esforço por terra.

 

Um dos patrocinadores da Truck esteve diretamente envolvido no confuso processo de cisão entre as partes na GT, além de ter havido uma série de conflitos internos entre acionistas deste patrocinador, que ainda hoje é um forte patrocinador de eventos de automobilismo no país.

 

A direção da Fórmula Truck precisa, antes de tudo, gerir seu negócio, porque o automobilismo, se não for gerido como um negócio, não prospera, não se fortalece, não sobrevive. Com a razão à frente de tudo, a direção da Fórmula Truck não podia abrir mão de um patrocinador “master”. Este até chegou a se dispor a deixar a categoria para não atrapalhar a parceria... mas eu vejo isso como uma ação demagógica. Afinal, todas as categorias precisam de dinheiro, não de problemas e a guerra interna no meio da GT é um problema.

 

Mais uma vez, dentro das redes sociais, enquanto uns celebravam a parceria, outros se proclamavam como salvadores da GT, outros trabalhavam nos bastidores para minar o acordo, colocando diante do patrocinador da Truck alguns de seus antigos “inimigos” como sendo parte integrante e/ou interessada.

 

E quem são os inimigos do esporte?

 

Será que o forte patrocinador, que deve transferir 1% do que pagaria de impostos ao governo para quem promove o esporte e que, numa relação custo/benefício extremamente interessante, expõe sua marca na televisão a um custo muito mais baixo do que se fosse pagar por este tempo fazendo comerciais pagos na TV, não poderia participar da reunião e colocar condições para evitar seus desafetos e permitir que a parceria tivesse seguimento? Afinal, haveria um ganho de exposição com o mesmo capital investido.

 

Será que as pessoas que se apresentam como automobilistas, praticantes, incentivadores do esporte realmente o são ou não são capazes de lidar com o sucesso alheio e, buscar alternativas para ter tanto ou mais sucesso neste meio, ou será que realmente é mais fácil “puxar o tapete”, prejudicar os outros a fazer algo de positivo? Ou será que a precipitação na divulgação e a autoglorificação de alguns é algo tão agressivo assim para gerar tanta vaidade e inveja.

 

E a imprensa, que tem o dever de ser imparcial, que muitas vezes não conseguem – ou não querem – ser imparciais, acusando a “culpada de sempre e de tudo” – a CBA – que procurou dar o endosso legal (para quem não sabe, sem a CBA ou a federações, competições são ilegais) e procurou contornar as divergências após surgido o imbróglio, que vem isentando categorias de taxas, disponibilizando carretas para transporte gratuito de carros para competições como sendo “co-responsável” pelo fracasso do acordo?

 

O esporte não precisa de ‘primadonas’, tão pouco de sabotadores. Um piloto sozinho não é ninguém, uma equipe ou uma categoria sem patrocínio não funciona. Um anunciante sem veículo não tem como expor o seu produto e a imprensa tem que ser ética e imparcial: criticando o que está errado, assim como reconhecendo e noticiando o que é feito de certo. É deste tipo de postura, onde se deixa de agir com correção, que o automobilismo brasileiro não precisa!

 

E hoje não vai ter cafezinho.

 

Até a próxima,

 

Fernando Paiva