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A F1 de pires na mão! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Friday, 29 November 2013 01:23

Caros amigos, o desfecho do ano de 2013 na principal categoria do automobilismo mundial tem o seu horizonte (e praticamente todo o céu) repleto de nuvens bem mais pesadas do que as vistas em Interlagos.

 

Há algum tempo escrevi sobre a crise financeira que estava assolando a categoria e que tanto preocupava os donos da maioria das equipes. Segundo matérias publicadas em todo mundo naquela época, sete das onze equipes estavam enfrentando dificuldades em honrar seus compromissos... parece que o caso de algumas é bem pior do que se imaginava.

 

No início do ano, o presidente da Marussia, Graeme Lowdon, confirmou durante uma entrevista dada em Sepang que ele e Tony Fernandes, proprietário da Caterham estiveram reunidos algumas vezes durante o inverno (do hemisfério norte) para negociar uma fusão entre as duas equipes. Contudo, as partes não chegaram a uma base satisfatória no entender dos acionistas da Marussia.

 

De acordo com o jornal britânico ‘The Times’, As negociações entre a Marussia e Caterham tinham como principal objetivo garantir a sobrevivência de ambas – juntas – no grid, o que pouparia a ambas não apenas a batalha pelas dezenas de milhões de libras em prêmios e também fazer com que a união de orçamentos e patrocinadores proporcionasse um fortalecimento da equipe unificada para que saíssem do fundo do grid.

 

Ainda de acordo com o que foi apurado, a Marussia tinha como motivação em manter conversações com sua rival porque, ao contrário dos outros 10 times, eles não tinha direito aos auxílios de transporte dados às 10 primeiras colocadas no mundial do ano anterior e, no caso, a Caterham havia conseguido este posto com o resultado da última corrida da temporada de 2012. Contudo, Bernie Ecclestone chegou a manifestar interesse em ajudar a equipe.

 

O interessante nesta conversa toda é que o bom velhinho costuma ser bem contraditório em suas declarações em relação às equipes chamadas jocosamente de “nanicas”. Eu uma de suas declarações, até sinalizou, subliminarmente, que “um grid com 20 carros seria algo bom para a fórmula 1”.

 

Na mesma época, o ‘testa de ferro’ do Ron Dennis na McLaren, Martin Whitmarsh, que também é presidente da Associação de Equipes de Fórmula 1, teria dito: “Nós estamos no mundo da publicidade e você só tem para ver como a publicidade é mundial. Temos tomado algumas medidas, mas eu acho que vai ser difícil para alguns”. Estranhamente, para quem estava preocupado em “fechar as contas”, a equipe “dispensou o potinho de ouro Asteca” do Sergio ‘Ligeirinho’ Perez para apostar num piloto de seu programa de formação, Kevin Magnussen.

 

Outra equipe que tem um problema sério de caixa é a Force Índia. Seu proprietário, Vijay Mallya, inclusive chegou a ter a prisão decretada por falta de pagamento de algumas de suas dívidas em seu país. Com uma estrutura bem melhor que a das “nanicas”, mas sem sobra de caixa, é outra lutadora pela sobrevivência onde o “comprometimento financeiro de seus pilotos” – leia-se patrocínio polpudo – é vital para o fechamento da conta no final da temporada.

 

A equipe que contou este ano com o escocês Paul di Resta e o alemão Adrian Sutil, não tem posição garantida para 2014, mas “estão na briga”. O alemão deixou “sutilmente subentendido” durante o final de semana do GP do Brasil, que havia renovado seu contrato. Contudo, a equipe não confirma tal informação. Paul Di Resta e quem parece estar numa posição complicada. Sem contar com grandes patrocínios, dependendo apenas de seu talento, tem a renovação incerta e correu pela “rádio paddock” que seu primo, Dario Franchitti, agora aposentado, o teria indicado para a vaga aberta na equipe Ganassi. A opção de renovação de contrato que a equipe poderia exercer para manter o escocês já expirou e o candidato aparentemente mais forte para o seu ligar é o do alemão Nico Hulkenberg.

 

O problema é que a equipe que foi a sensação na temporada – a Nega Genii – pode simplesmente fechar as portas! É uma notícia bomba, que ninguém tem coragem de assinar embaixo, mas que tem fortes indícios no ar há algumas semanas. O motivo do fechamento seria exclusivamente financeiro: a dívida do time passa da casa de 100 milhões de euros!

 

O grupo proprietário da equipe vem tentando, desde o começo da temporada, encontrar parceiros, sócios, investidores, seja lá o que for para “entrar na brincadeira” e injetar capital no carro preto e dourado. A Proton – empresa malaia dona da marca inglesa Lotus, que tem o nome pintado na carenagem e que a imprensa convencional chama o time – não coloca um centavo na estória e as tentativas de conseguir parceiros não parecem estar funcionando.

 

No meio do primeiro semestre, o grupo com sede em Luxemburgo anunciou um acordo com o grupo de investimento “Infinity”, que resolveria os problemas de caixa da equipe. Contudo, os meses se passaram e nada ficou realmente claro com relação aos detalhes desta negociação. Anunciada como o parceiro que daria condições para a equipe atingir o topo da categoria, a Infinity Racing Partners Limited – ou simplesmente Infinity – passaria a ser acionista do da equipe, com 35% das ações. 

oi assinado. Agora, no final da temporada, foi anunciado um acordo com o grupo “Quantum”, de Mansoor Ijaz, mas as semanas estão passando, o dinheiro não apareceu e quem pode está pulando forá do barco como os ratos se jogam na água na iminência do naufrágio. Kimi foi um deles, que tratou de “desempenar o chassi” antes de começar a treinar com a Ferrari. Na área técnica, engenheiros, aerodinamicistas e técnicos já assinaram com outras equipes.

 

Apresentando-se como “um consórcio de investimento cujo propósito especial é composto de investidores privados que incluem um empresário americano, um grupo de negócios multinacional de Abu Dhabi e interesses da família real de uma grande nação produtora de óleo”. Os dois representantes da Infinity apresentados à imprensa foram o vice-diretor Suhail Al Dhaheri e o diretor Mansoor Ijaz.

 

O grupo de investimento precisou “mudar de nome”, adotando o “Quantum” e assim evitar qualquer problema com a semelhança da montadora Infiniti, que patrocina a Red Bull. A troca não mudou o ‘modus operandis’ junto ao Grupo Genii. Mansoor Ijaz declarou esta semana que os pagamentos estão nos estágios finais para serem creditados nas contas do grupo de Luxemburgo, mas parte destes valores virão de títulos do Tesouro Americano que precisam ser resgatados.  

 

O cheque gordo ‘del volante bolivariano’ Pastor Maldonado, apesar de bem vindo, apenas amenizaria o sério problema de caixa... e caso a “Quantum” coloque mesmo dinheiro na equipe, o venezuelano seria preterido em favor de Nico Hulkenberg. Contudo, com o risco de encerramento de atividades, Romain Grosjean – que fez uma temporada brilhante – pode acabar a pé uma vez que não conta com grandes patrocinadores. A coisa está, literalmente, preta.

 

Estava fechando a coluna quando recebi um email com o link para a reportagem feita e publicada na revista Warm Up. A pergunta que não posso deixar de fazer é: É esta a Fórmula 1 que nós assistimos, vibramos, torcemos e que queremos? Repleta de subornos, fraudes e negociações escusas?

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

O Bom Velhinho voltou a criticar a adoção dos motores V6 Turbo para 2014, dizendo que a mudança é um erro e que se as equipes estão passando por dificuldades financeiras, era uma incoerência forçá-las a gastarem tanto dinheiro em um momento em que a economia mundial atravessa uma crise.

 

Perguntado pelo jornal espanhol ‘Marca’ sobre o som dos novos motores, mais uma vez ele se mostrou contrário à mudança. “O que temos está bom, todo mundo gosta, então porque mudar?”, questionou. Contudo, esquece-se que foi com um motor turbo de 4 cilindros que ele venceu um campeonato mundial em 1983 e não lembro de ninguém reclamando do som dos motores BMW, Ferrari, Renault ou Porsche.

 

O mecenas da categoria justificou a mudança como sendo uma forma para tentar atrair novos fabricantes, mas avaliou que isso não aconteceu. Conversa fiada! Foi algo que a FIA veio trabalhando para fazer motores menos poluentes e a ideia era padronizar com um motor de 1,6 litros, quatro cilindros, turbo. A muito custo a F1 conseguiu mudar para um V6. Até agora, apenas a Honda confirmou seu retorno como fornecedora dos propulsores da McLaren, mas apenas a partir temporada 2015... e com as coisas nebulosas como estão, quem vai entrar?

 

Dominadora do mundial de F1 nos últimos anos, a Red Bull tem um novo desafio: dobrar as autoridades austríacas para aumentar a capacidade do circuito de Spielberg para o GP da Áustria. A fábrica dos energéticos comprou e reformou completamente o antigo A1 Ring, garantindo a realização de uma etapa do Mundial em junho do próximo ano.

 

Atualmente, as autoridades locais permitem um máximo de 40 mil pessoas no autódromo, mas a Red Bull entregou um documento com mais de cem páginas onde pede o aumento da capacidade do traçado. Os ingressos para a corrida, aliás, já foram colocados à venda e despertaram um grande interesse. Só falta ver se não vai haver um “overbooking”. Atualmente o circuito tem modestas arquibancadas de concreto, descobertas, aproveitando a inclinação do relevo junto a reta dos boxes.

 

E o nosso querido “volante bolivariano”, Pastor Maldonado saiu “atirando” contra sua agora ex-equipe, Williams. Após uma temporada 2013 frustrante, quando marcou um único ponto, o venezuelano espera conquistar melhores resultados no ano, e deve revelar em breve por qual equipe vai correr. A mudança de time, aliás, é o que deixa o piloto confiante para o próximo ano.

 

Maldonado mostrou-se decepcionado com o time, dizendo que a equipe que eu conheceu em 2011 mudou muito, e que ele não tinha toda a confiança com as pessoas que estavam ao seu redor. Contudo, fez questão de deixar claro que este sentimento não se estendia a engenheiros e mecânicos. O venezuelano disse que vai sentir saudades dos que trabalhavam no dia a dia. Para o bom entendedor, meia palavra basta... e o Macarroni não pense que terá vida fácil por lá.

 

Tendo em vista o desenvolvimento dos pneus que serão utilizados no próximo ano, a Pirelli está exigindo das equipes um teste no Bahrein no mês de dezembro. No fim de semana do GP do Brasil, a fabricante escreveu uma carta para os times pedindo um carro para usar na atividade, disposta até mesmo a pagar pelo teste. E, no domingo da corrida em Interlagos, reuniu, com a colaboração de Bernie Ecclestone e Niki Lauda, todos os times, informou a revista alemã ‘Auto Motor und Sport’.


A reunião foi armada às pressas, visto que algumas equipes ofereceram resistência ao pedido da Pirelli. É preciso que todas concordem com a proposta, além da aprovação da Federação Internacional de Automobilismo.

 

A Pirelli trouxe para o Brasil pneus protótipos dos que serão usados em 2014 para apresentá-lo às escuderias. Contudo, a chuva que não cessou na capital paulista e impediu os trabalhos com pneus slicks – Sebastian Vettel tentou andar com os novos pneus, mas não conseguiu e voltou aos boxes.

 

E como desgraça pouca é bobagem, o bom velhinho pode sofrer mais um processo judicial. De acordo com a BBC, o banco alemão BayernLB – que detinha 47% de participação no esporte - solicitou acesso às provas documentais utilizadas na ação da Corte de Londres, onde atualmente o presidente da FOM está se defendendo de um pedido de 100 milhões de libras de indenização da Constantin Medien.

 

O banco estatal agora está observando o processo em curso em Londres, para então decidir se vai iniciar ou ano uma ação judicial contra Bernie. Já o julgamento do Constantin está previsto para terminar em 12 de dezembro, com o veredito esperado para o início do novo ano. O pedido do BayernLB para ter acesso aos documentos será avaliado na próxima semana. Também segundo a BBC, o grupo de mídia não deve se opor à liberação das provas.

 

A F1 pode voltar a ter números fixos em um futuro próximo, bem como o piloto com o maior número de pole-positions em uma temporada receber um troféu. Essas propostas serão discutidas pela FIA e pelas equipes na próxima reunião do chamado Grupo de Estratégia da F1, em 9 de dezembro, revelou a revista inglesa ‘Autosport’.


A proposta dos números visa aplicar à F1 o modelo da MotoGP, no qual os pilotos utilizam o mesmo número durante toda a carreira, podendo trocar pelo #1 caso sejam campeões. A ideia, segundo a revista, já ganhou apoio de vários chefes de equipe. Ainda há dúvidas, contudo, sobre como esses números serão selecionados determinados.

 

Fixar os números não é a única ideia em pauta: torná-los maiores e colocar também o nome dos pilotos nos carros foi proposto pela FIA e por Bernie Ecclestone, que representa a FOM (Formula One Management), promotora da F1.

 

É um sistema diferente do que foi utilizado entre 1974 e 1995, quando as escuderias usavam números fixos e trocavam quando fossem campeãs – assumindo, então, os algarismos 1 e 2. A Tyrrell ficou anos com o 3 e o 4, por exemplo, enquanto a Ferrari tradicionalmente usava o 11 e o 12 ou o 27 e o 28. Atualmente, o piloto campeão tem direito ao #1, e as demais equipes são classificadas de acordo com o resultado do Mundial de Construtores do ano anterior.

E abomba do dia ficou por conta do anúncio da saída de Ross Brawn da Mercedes... e tudo aponta para sua ida em direção a Williams. Se com todos os medalhões que está reunindo a equipe do velho Frank não se levantar, é bom pensarem em outra coisa pra fazer.

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva