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O vestibular das 4 rodas PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 24 October 2013 23:51

Caros amigos, fica cada vez mais evidente que não é apenas o poder do dinheiro que este cada vez maior no esporte a motor. Na Fórmula 1, então, as coisas estão ficando além do racional, se bem que, olhando para a história das corridas de automóveis, desde o início do século XX, racionalidade é um conceito bastante questionável... assim como atribuir ao dinheiro, e apenas a este, o fato de pilotos russos estarem “invadindo” a Fórmula 1.

 

Nesta semana a Toro Rosso anunciou seu novo piloto: será o russo Daniil Kvyat, de 19 anos, vencendo uma disputa dentro do “programa de formação de jovens pilotos da Red Bull” onde seus adversários eram o português Antônio Felix da Costa o espanhol Carlos Sainz Jr. A escolha, “interessante” aos olhos de alguns e “surpreendente” para muitos outros, de uma forma geral surpreendeu a mídia. Afinal, o lusitano Felix da Costa era considerado favorito à vaga no time B, depois da promoção de Daniel Ricciardo.

 

Acontece que as coisas andam “demasiadamente dinâmicas” e ao tempo que a temporada de 2013 foi acontecendo, a disputa acirrou-se, especialmente nos bastidores. Carlos Sainz Jr revê um forte trabalho de ‘lobby’, feito pelo presidente da Federação Espanhola de Automobilismo, Carlos Garcia, e pelos amigos influentes de seu pai , o ex-campeão de rally, Carlos Sainz.

 

Contudo, Daniil Kvyat mostrou que além de um bom “caixa”, tem talento... e aos olhos de Franz Tost, diretor técnico da Toro Rosso, muito talento. Ele estará seguindo os passos de Valterri Bottas que saiu diretamente da GP3, sem passar pela GP2 e pela a World Series e está andando na frente do Pastor Maldonado (se bem que o venezuelano é uma referência bastante relativa).

 

Daniil Kvyat foi um piloto Kart muito bem sucedido e, em 2012, ele conquistou o título do Campeonato Formula Renault 2.0 com 7 vitórias. Este ano, ele competiu em seis rodadas do Campeonato Europeu FIA de Fórmula 3, tendo conseguido 1 vitória , cinco poles e sete pódios, sem dedicar-se realmente ao certame, estando mais focado na GP3.

 

Ele ainda está em condições de vencer a o campeonato da GP3, uma vez que está 7 pontos atrás do líder (138 x 131). Kvyat obteve duas vitórias nas últimas quatro corridas do campeonato GP3. Mesmo se ele não ganhar o título de GP3, sua capacidade de alternar entre as duas séries diferentes, com dois conjuntos diferentes de máquinas, e um desempenho competitivo em ambos estão dando um suporte privilegiado em suas aspirações em chegar à Fórmula 1.

 

Mais do que isso, Daniil Kvyat impressionou – segundo palavras de Franz Tost – a equipe nos testes de verão aberto para novos pilotos realizado em Silverstone em julho deste ano... quando deu 16 voltas com um carro da equipe. Será que estamos diante de um gênio do volante? Um futuro às das pistas na categoria mais importante do mundo?

 

Dizer, a quem quer que seja, que em 16 voltas um jovem piloto “mostrou” que é um piloto de enorme potencial e que ele é a melhor das apostas para a equipe de Fórmula 1 para qual ele testou quando a equipe tem um programa de formação de pilotos que trabalha com alguns jovens desde o kart poderia ser uma tentativa de subestimar a inteligência das pessoas que acompanham automobilismo, mas no caso deste russo, ele faz parte do programa de pilotos da Red Bull e não foi um destes pilotos que simplesmente comprou a vaga, caso do bom e rápido Sergey Sirotkin, que deverá pilotar a Sauber no próximo ano.

 

Caso fosse uma questão apenas de dinheiro, era mais fácil pegar o dinheiro do Vitaly Petrov, que segundo sua assessoria de imprensa, está com 25 milhões de euros para retornar à Fórmula 1, mas a escolha da toro Rosso tem uma certa jurisprudência. Nem falo pelo Valteri Bottas, mas pelo Kimi Raikkonen, que saiu da Fórmula Renault diretamente para a Fórmula 1.

 

Quem saiu por baixo nessa estória toda foi o português Antônio Felix da Costa. Considerado uma aposta certa no início do ano, o piloto que correu com um carro com as cores da Red Bull no campeonato da World Series este ano, decepcionou. Era apontado como um dos favoritos ao título. Errou muito e está longe da pontuação e sem nenhuma chance de ser campeão.

 

Algumas “brincadeiras” foram feitas em sites lusitanos, chamando a Toro Rosso de “Toro Russia”, dizendo que lá se consegue comprar os melhores lugares. Se fosse assim, talvez até Felipe Nasr tivesse alguma chance de conseguir ficar com a vaga que, de uma certa forma, pode levar um de seus pilotos para a maior vencedora dos últimos anos, caso de Daniel Ricciardo.

 

Se Kvyat realmente teve mérito para passar neste verdadeiro vestibular das 4 rodas, veremos no ano que vem.

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

As coisas andam agitadas pelos lados do “mundo russo”... ou como se dizia antigamente, a coisa tá russa: Sergey Sirotkin até pouco tempo cotado e praticamente certo para ser, em março de 2014, o piloto mais jovem da história a alinhar num Grande Prêmio de Formula 1. E o primeiro nascido após a morte de Ayrton Senna está vendo o “angu fazer caroço”. Caso se confirmem os rumores – mas rumores, né? – sobre um “atraso” do pagamento de alguns dos patrocinadores russos à Sauber, após o acordo assinado em agosto entre as duas partes, e que foi essencial à sobrevivência da equipe suiça.

 

De acordo com a publicação alemã "Auto Motor und Sport", Vitaly Petrov está tentando conseguir um lugar na Sauber, “roubando a vaga” do compatriota, com o suporte do enorme patrocínio, algo entre 25 e 30 milhões de euros, vindo da Gazprom, empresa russa de gás natural. A equipe de Peter Sauber e Monisha Kaltenborn veria com bons olhos – e de bolsos, digo, braços abertos – o regresso do piloto ao grid depois dele ter passado pela Renault e pela Caterham, tendo ficado de fora da Formula 1 na temporada de 2013 justamente por falta de dinheiro.

 

O que acabou por gerar estas desconfianças foi o fato de, nesta quinta-feira, Monisha Kaltenborn ter se recusado a confirmar o jovem Sirotkin como piloto titular para 2014, declarando que “o nosso objetivo é preparar o Sergey para a Formula 1, mas temos alguma flexibilidade nas nossas atividades com ele”. Caso se confirme a entrada de Petrov, Sirotkin poderia ser o piloto de reserva da Sauber em 2014. Nesse mato tem coelho...

 

Se o assunto é dinheiro, o angu “encaroçou” mesmo foi para os lados da Venezuela. O congresso do país, há algum tempo, está incomodado com o volume de patrocínios que o país vem concedendo a esportistas e, especificamente, no automobilismo. Mas agora, a situação parece que ficou complicada com um verdadeiro escândalo relativo a falsificação de assinaturas.

 

Alejandra Benítez, ministra dos esportes venezuelana, afirmou em entrevista ao jornal “Últimas Noticias” que não reconheceu sua firma em dezenas de documentos relacionados com a liberação de verbas para alguns pilotos do país.Embora não tenham ainda sido divulgados os nomes dos envolvidos, não é muito difícil perceber que a alegação de que “houve um único piloto que em ano e meio recebeu mais de 66 milhões de dólares”! Este piloto provavelmente seria Pastor Maldonado.

 

Piloto da Williams desde 2011 com o apoio da PDVSA, empresa petrolífera estatal venezuelana, chegou a vencer o GP da Espanha em 2012, mas este ano vem amargando mau resultados e tomando tempo do seu companheiro de equipe, o finlandês Valteri Bottas. Já Ernesto Viso, competidor da Fórmula Indy, aparentemente ficou de fora do grid da etapa de Fontana por conta desse caso.

 

Além de Maldonado e Viso, Rodolfo González, Johnny Cecotto Jr e Paolo Andreasi são outros exemplos de pilotos que correm patrocinados pelo governo venezuelano. Com isso, há o risco da “torneira fechar” e deixar a “esquadra bolivariana” a pé. És la revolucion!

 

Quem anda torcendo por uma mudança no panorama da F1 para a próxima temporada, com o fim do domínio da Red Bul, pode ter uma esperança: Rob White, vice-diretor da divisão esportiva da Renault, afirmou que a montadora francesa mostrou preocupação com o tema no início do desenvolvimento dos propulsores V6 turbo 1,6 L, porém, as análises e informações parecem não terem sido levadas tão a sério como deveriam.

 

O regulamento da próxima temporada prevê um aumento de 642 kg para 690 kg no peso mínimo dos carros, contando o piloto. Contudo, essa mudança não será suficiente. Esta aí a explicação para a preocupação das equipes com o peso dos pilotos para o ano que vem, mais do que nas temporadas anteriores. White afirmou que eles recomendaram um peso maior, mas foram voto vencido. No entanto, o diretor confia que os motores franceses serão “otimizados ao máximo”... seja lá o que isso quer dizer.

 

E o tão sonhado título na Fórmula Indy para Helio Castro Neves foi mesmo para o vinagre. Helinho até chegou a ter, em vários momentos, ao longo das 250 voltas das 500 milhas de Fontana, uma combinação de posições que daria o título a ele, inclusive, liderou por um bom número de voltas. Contudo, isso não foi suficiente.

 

Sem parecer “ter carro” para andar na frente, os pilotos da Ganassi (Alex Tagliani, Chales Kimball e Scott Dixon) contaram com a sorte de acontecer uma prova extremamente acidentada – apenas oito carros cruzaram a linha de chegada – e, para ajudar, a Penske cometeu erros, como chamar o brasileiro com os pits fechados e também um problema na asa dianteira que acabaram por esvair com as chances do primeiro campeonato do brasileiro, agora tri-vice.

 

A corrida da Stock no domingo só terminou algumas horas depois da bandeirada: Os comissários desportivos da CBA, a Confederação Brasileira de Automobilismo, anunciaram mais três punições (Nonô Figueiredo, Rapahel Matos e Popó Bueno), após o término da etapa curitibana.

 

Em comunicado, a direção de prova informou que Nonô foi excluído da corrida por ter deixado de fazer o reabastecimento obrigatório, como prevê o regulamento. Já Rafa Matos e Popó Bueno tiveram 20 segundos acrescentados ao seu tempo total de prova, o Primeiro, caiu da 15ª para a 18ª posição na classificação final por atitude antidesportiva contra Denis Navarro.


Popó recebeu punição semelhante a de Matos, mas por parar para o reabastecimento fora do local delimitado no box. O piloto da equipe Mattheis V-Power passou de 13° para 16°. Além deles, logo após o fim da prova, Beto Cavaleiro e Duda Pamplona já haviam sido desclassificados por atitudes antidesportivas, respectivamente, contra Fábio Fogaça e Vitor Genz.

 

A campanha para a eleição do presidente da FIA continua em curso, mas alguns fatos relevantes aconteceram na última semana. Um em favor do opositor, David Ward, outro, em favor do candidato à reeleição, Jean Todt.

 

De acordo com a entidade, cada candidato agora precisa inscrever uma chapa com 11 membros e não mais 17, uma vez que os vice-presidentes de mobilidade serão eleitos por suas respectivas regiões. Com isso, cada candidato agora precisa compor a chapa com nomes concorrendo à presidência da FIA, à presidência do senado, presidência interina de mobilidade, presidência interina esportiva e sete vice-presidentes esportivos. A lista de nomes tem de ser entregue entre os dias 25 de outubro e 15 de novembro. Uma vantagem para o opositor Ward.

 

Apesar da diminuição no número de nomes nas chapas, o candidato de oposição, David Ward, pediu ao senado da FIA para que os vice-presidentes esportivos também fossem eleitos pelas respectivas regiões, argumentando que Isso seguiria o precedente já aberto para os vice-presidentes de mobilidade, que são eleitos de forma independente por suas regiões. Essa abordagem é muito mais simples, mais democrática e responsável. Apesar do argumento, o presidente do senado, Nick Craw, não aceitou a ideia, alegando que a eleição dos vice-presidentes esportivos de forma democrática, não é prática da FIA. Contudo, a Assembleia Geral da FIA, também marcada para 6 de dezembro, deve discutir novas regras para futuras eleições.

 

David Ward tomou mais um revés além deste: O Comitê de Ética da entidade rejeitou uma das principais reclamações do britânico contra o atual mandatário, Jean Todt, referente às cartas de apoio recebidas pelo presidente em viagens oficiais.

 

Ward acusa Todt de, desde o início da campanha, usar viagens oficiais para se reunir com seguidores visando assegurar a reeleição. Nessas viagens, o francês conseguiu o apoio de várias federações nacionais, limitando as opções de escolha de seus rivais com relação aos vice-presidentes da chapa – é preciso nomear um dirigente de cada região do globo.

 

O comitê, contudo, não viu nada que estivesse fora das leis eleitorais da Federação Internacional de Automobilismo. Ward não ficou satisfeito com o parecer, discordando de que as evidências que sustentam sua reclamação não foram suficientes, afirmando que tinha testemunhas que garantiam a acusação. O problema é que as testemunhas pediram “total confidencialidade”, o que no entender de Ward mostra a dificuldade que alguns clubes têm para expressar suas opiniões abertamente.

 

Ainda tem mais briga pela frente...

 

Apesar de tudo isso ser interessante, o assunto que atiçou a semana, ao menos as últimas 24 horas foi o “furo de reportagem” do estimado Américo Teixeira Jr, que publicou em seu site, o Diário Motorsport, que Felipe Massa será piloto da Williams de F1 a partir de 2014.

 

Ainda segundo o jornalista, o contrato é de cinco anos – ou seja, vai até 2018 e que o piloto brasileiro vai receber salários, estando descartada a necessidade de levar recursos para a equipe inglesa, mesmo ocupando o lugar do venezuelano Pastor Maldonado, que deixaria o time inglês ao cabo da atual temporada.

 

Interessante notar que a capa da revista Autosport desta última quinta na Inglaterra é sobre um possível renascimento da equipe de Sir Frank. O tema central é sobre o novo diretor técnico que assumiu em agosto: Pat Symonds. Aquele mesmo que era braço direito de Flavio Briatore na Renault em 2008 quando Nelsinho Piquet bateu de propósito em Singapura para ajudar o companheiro de equipe, Fernando Alonso, que venceu a prova.

 

Algumas peças não se encaixam neste quebra-cabeças: se a Williams anda numa pindaíba desgraçada e depende muito dos petrodólares bolivarianos do Pastor Maldonado, como é que vai fechar o caixa tendo ainda que pagar salário para o Macarroni?

 

E mesmo que o brasileiro corresse de graça, como é que a equipe vai pagar pelos motores de 2014, custear a construção e o desenvolvimento do carro? Ou a equipe está fechando com algum superpatrocinador para o ano que vem, ou não termina a temporada. Só para lembrar, a Petrobras já foi parceira da Williams como fornecedora de combustível... será?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva