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Reinventar-se ou morrer! PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 26 September 2013 22:44

Caros amigos, um dos assuntos tratados em nossa “redação” nas últimas semanas tem, apesar de não falar sobre rodas, motores e octanagem, tudo a ver com o automobilismo. Afinal, o grande combustível do esporte a motor não é a gasolina ou o etanol, mas sim o dinheiro e este, anda escasso.

 

Em paralelo a isto, temos observado nas transmissões de TV que, raras exceções, os autódromos tem recebido públicos cada vez menores e – pior – diversas categorias estão “encolhendo”, não apenas no Brasil, mas também no exterior. Contudo, ainda existem “oásis” neste meio onde poucos conseguem ter tudo aquilo que desejam e até mais. A pergunta é: existem meios para que todos ganhem e que o automobilismo consiga se fortalecer?

 

Esvaziada pela TV aberta e com corridas curtas que sempre deixam o fã de automobilismo com desejo de “quero mais” e por isso, talvez, esteja sofrendo com o esvaimento do público – e pior, de patrocinadores – a Stock Car, que intitula-se a principal categoria do país, e de certa forma o é, pelo elenco de grandes pilotos que participam da categoria, com vários ex-pilotos de Fórmula 1, inclusive.

 

Atentos ao problema, a VICAR, promotora da categoria, está agindo e já anunciou para 2014 uma série de mudanças, muitas inspiradas em categorias de carros de turismo que fazem sucesso mundo a fora e em seus países. E esta é a aposta que está sendo feita para que a categoria consiga voltar a crescer.

 

O campeonato do próximo ano terá – de certa forma – 21 corridas, onde em nove etapas haveria a disputa de “rodadas duplas”. As outras três etapas – a de abertura, a “corrida do milhão” e a última – teriam o formato de corrida única. Na etapa inicial, a proposta e que ela seja disputada com dois pilotos em cada carro – os titulares junto de convidados que tenham experiência internacional e estes pontuando para o piloto oficial do carro.

 

A inspiração para a primeira etapa do próximo campeonato vem da V8 Supercars. No certame australiano, os pilotos que disputam o campeonato ganham a companhia de convidados na Gold Coast 600, em Surfers Paradise. Bem como fazer corridas em rodadas duplas é algo que o Mundial de Carros de Turismo – WTCC – faz há muitos anos. Importante: Os convidados deverão ser aprovados pela Confederação Brasileira de Automobilismo, no aspecto técnico, e pela Vicar, no quesito apelo promocional.


O calendário de 2014 ainda não foi divulgado, mas continuará tendo 12 datas. Com isso fica claro que o formato deste ano para transmissão de TV – com três etapas tendo a transmissão pela TV aberta e as demais no canal por assinatura – irá continuar.

 

Em relação às rodadas duplas, ainda não foi definido como ficará o formato da mesma, em especial o intervalo que haverá entre uma corrida e outra. O que já está definido é que uma corrida terá 40 minutos (esta provavelmente transmitida ao vivo), e a outra, 20 minutos (que vai acabar servindo de “bucha” na programação, isso se não fizerem um “compacto com os melhores momentos”). A bateria principal terá pontuação maior. A decisão do campeonato, mais uma vez, contará com pontuação dobrada, deixando o formato diferente do WTCC, onde a pontuação é igual.

 

Nada foi dito sobre inversão de parte do grid da primeira para a segunda bateria, nem tão pouco sobre de quanto seria o intervalo entre estas. É bom lembrar que o intervalo neste formato no WTCC varia, de duas a três horas, tempo para as equipes “remendarem” os carros de uma bateria para a outra. No WTCC – que apelidamos de Campeonato de Carros de Combate” – ninguém alivia nada, bem como nas etapas da Stock. A questão fica em quanto tempo levariam para reparar os carros e, logicamente, pode-se colocar a etapa do Campeonato Brasileiro de Turismo entre elas e assim manter atividade na pista entre uma e outra.

 

Mas a VICAR tem um outro problema – muito maior – nas mãos, que é o Campeonato Sulamericano de Fórmula 3.

 

Levado para dentro da estrutura da empresa pelo Carlos Col, a quem chamamos carinhosamente de ‘Midas’ – o monarca grego que transformava tudo que tocava em ouro, segundo a mitologia – ainda não “decolou”. Será que vai decolar agora que Carlos Col não está mais na VICAR?

 

Sendo disputado em conjunto com o Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos, as etapas do certame continental de monopostos não tem conseguido fazer crescer o grid, que continua com 10 ou 11 participantes por etapa,  sendo mais da metade dos carros pertencentes a apenas duas equipes – Hitech e Cesário – e este grid é o somatório das categorias principal e light.

 

Quem também tem passado por dificuldades é a GT Brasil. A categoria dos super carros (Ferrari, Maserati, Lamborghini, Aston Martin e tantas outras) teve, na última etapa, em Curitiba, 13 carros inscritos e apenas 12 foram para a pista. O campeonato, que chegou nos anos de 2011 e 2012 a levar mais de 10 mil pessoas ao autódromo em diversas etapas, perdeu vários dos seus participantes para este ano e, até o presente momento, a Loyal SPE, promotora do evento, não conseguiu encontrar uma maneira de recuperar o campeonato, que pode estar mesmo em risco de não acontecer. Afinal, os pilotos donos dos carros podem migrar para uma categoria mais estruturada, como a Porsche, por exemplo.

 

O problema não é restrito ao Brasil. A Fórmula 3 inglesa viu seu grid encolher drasticamente para este ano e a solução foi reduzir o número de etapas. Que foram apenas 4 rodadas triplas. O campeonato que já teve 9 brasileiros campeões e que era uma porta direta de acesso à Fórmula 1 teve este ano apenas 13 pilotos.

 

Outra categoria que pode se dizer que está em risco é o mundial FIA GT. Correndo com a chancela da entidade máxima do automobilismo, a categoria organizada pela SRO terminou o ano de 2012 em crise e o campeonato deste ano à perigo com o crescimento da Blancpain, uma categoria mais acessível, com carros menos preparados mas com alto grau de competitividade. Este ano o FIA GT começou bem, mas está perdendo força no decorrer da temporada e o risco para o ano que vem não pode ser descartado.

 

Mas aonde será que está o problema?

 

Cada categoria tem sua particularidade, MS todas tem um ponto fraco em comum: custo! Não é fácil conduzir uma categoria onde o custo para correr uma temporada está na casa de sete dígitos. Isso torna o acesso proibitivo para muitos bons valores e que não conseguem dar seguimento às suas carreiras por falta de dinheiro. Se um dia houve um caminho para ser trilhado para se chegar a uma categoria TOP, atualmente existem vários e isso pulverizou o pouco capital de patrocínio disponível. Se na Europa isto é sentido, imaginem aqui, no Brasil?

 

Há anos que nem a Fórmula 1 escapa e o bom velhinho teve que dar o braço a torcer. Em entrevista ao diário suíço 'Blick', ele admitiu que está dura luta para algumas equipes sobreviver em meio à crise econômica. Bernie fala em duas equipes, “talvez três”, mas sabe-se que pelo menos metade do grid está com o pires na mão.

 

Apesar de estar consciente disso, o dirigente acredita que cabe às próprias equipes encontrar uma solução para isso e elas – nomeadamente a Sauber, a ‘Nega Genii’ e a Williams – irão conseguir resolver seus problemas. Será que ele esqueceu das nanicas Caterham e Marrussia? Ou por ele é melhor que elas fechem as portas? A Force Índia também vive se equilibrando na corda bamba e nada garante por quanto tempo a Red Bull vai manter uma equipe satélite como a Toro Rosso. E aí, com quantas tábuas se faz uma canoa ou, com quantos carros/equipes se faz um campeonato?

 

De acordo com declarações do bom velhinho, as grandes equipes (Red Bull, Ferrari, Mercedes e McLaren) prometeram que ficarão no grid até 2020. Elas vem dando uma boa garantia bancária. A distribuição de dinheiro para as equipes é feita pela FOM, proporcionalmente aos seus resultados e esta fórmula é usada há décadas. Bernie afirma que, atualmente, a FOM tem distribuído muito mais dinheiro do que no passado... será que os gestores das equipes são tão incompetentes em gerir suas finanças?

 

Para contrariedade do Bom velhinho, a FIA anda atenta e preocupada com a situação. Ao contrário do antecessor – Max Mosley – “ex-amigo” de Bernie Ecclestone, e que foi o “inventor das ‘nanicas’, além de uma “Fórmula 2” para o seu amigo Johnnatan Palmer, que seria uma “categoria de baixo custo para acesso à F1” – e sobreviveu por apenas 2 anos – Jean Todt está buscando uma revolução para a categoria, com um novo “pacto da concórdia”.

 

Este seria conduzido por um grupo com 18 votos – apenas seis deles destinados às equipes, que até no modelo atual ou aprovam ou vetam tudo em função da unanimidade – e que tiraria em muito o poder das equipes. Segundo Jean Todt, que já esteve “do outro lado” nos seus anos de Ferrari, “a redução de custos é algo que você não pode resolver com os times”. Imagino, até visualizo a expressão de felicidade no rosto do bom velhinho...

 

Mas não seria um “golpe de estado” no formato atual. A criação do “Grupo de Gestão Estratégica” passa por um processo mais amplo. Dos 18 votos, seis deles seriam das equipes. Os 12 restantes, seis seriam da FIA e os outros seis para o detentor de direitos comerciais da categoria, Bernie Ecclestone,e a FOM.

 

Como o bom velhinho não dorme de touca – ainda mais com uma esposa novinha e brasileira em casa – tratou de arranjar um “oponente” para Jean Todt, nas eleições que ocorrem no final do ano. Quem já ouviu falar em David Ward? Antes deste senhor inglês, de 56 anos e diretor da “Fundação FIA”, ex assessor do Max Mosley (que coincidência, não?) lançar-se como candidato ao cargo, certamente, ninguém!

 

Quem está ganhando não quer ver o jogo mudar, não é mesmo?

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

Se tem uma coisa que eu adoro são as declarações desencontradas. Se eu faço isso operando na bolsa, quebro, quebro todos os meus clientes e como não sou o George Soros, estarei queimado no mercado por toda a eternidade. Nos últimos 10 dias o chefe da ‘Nega Genii’, Eric Boullier afirmou que a decisão sobre o substituto de Kimi Räikkönen não será baseada em quem pagar mais. Precisando escolher entre o veterano Felipe Massa e o promissor Nico Hülkenberg, o dirigente disse que vai analisar qual piloto mais se enquadra na estratégia do time para 2014. Que bonito! Que sensato!

 

Acontece que poucos dias depois ele declarou que a decisão só será tomada após fechar a parceria com o grupo de investidores Infinity e garantir o orçamento necessário para as próximas temporadas. Desde a metade do ano eles vem negociando com o grupo de investimento Infinity. Chegaram a anunciar o acordo como fechado. Contudo, o dinheiro nunca apareceu. Sem dinheiro e com salários atrasados, Kimi “chutou o pé da mesa” e assinou com a Ferrari para o ano que vem. Para não passar por outro sufoco, a equipe agora quer primeiro quer garantir as novas receitas e depois o novo piloto. Ou seja: se tiver dinheiro, Massa. Se não tiver, Hulkenberg! Parece que as especulações sobre Felipe Nasr e seus 15 milhões de dólares não passaram de especulações.

 

Mas ainda tem uma terceira conversa neste saco de gatos que é a ‘Nega Genii’. Ela pode voltar a ser Renault! O Diretor Geral do grupo, na prática, o dono da equipe – Gerard Lopez – afirmou que está buscando o apoio da montadora francesa para ter maior poder de barganha dentro da categoria – e não pagar pelos motores... bobinho. Caso consiga fechar o acordo, não se importa em mais uma vez mudar o nome do time, se essa fora a vontade da fabricante. Faz sentido: se eles estampam um nome - Lotus - na carenagem sem receber um tostão dos malaios da Proton... 

 

Quem está mais enrolado do que ‘fusilli’ neste enredo todo é o nosso Felipe Macarroni. Com a ‘Nega Genii’ nesta encruzilhada e a Sauber sem definir se vai abrir mão do dinheiro do Carlos Slim – que garante a vaga do Esteban Gutierrez – e colocar o brasileiro para ser “tutor” do adolescente russo que pilotará o outro carro, Felipe vê o tempo passar e nada se definir. Entre as saídas – fora da F1 – o Mundial de Endurance e o DTM poderiam render algo de positivo em termos de carreira internacional.

 

Felipe Massa já afirmou que o DTM, principal campeonato de turismo da Alemanha, é uma categoria que interessa, caso precise de um “plano B”. No que depender do chefe da Mercedes, Toto Wolff, os desejos do brasileiro podem ser realizados. O dirigente afirmou que está interessado em dar uma chance a Massa na nova categoria, se o piloto não conseguir permanecer na F1.

 

Diversos pilotos com passagem pela F1 já passaram pelo DTM, inclusive campeões do mundo como Keke Rosberg e Mika Hakkinen. Além destes, David Coulthard e Ralf Schumacher, que conseguiram vitórias na F1 também correram por lá. Em 2013, foi a vez de Timo Glock se dedicar ao campeonato alemão depois de perder a vaga na Marussia. Contudo, o único piloto que saiu da F1, foi para o DTM e conseguiu ser campeão foi Nicola Larini, em 1993!

 

Mas o assunto do final de semana foi mesmo a tal da carona do Fernando Alonso para o Mark Webber. Alonso e Webber foram repreendidos pelos comissários da prova, O espanhol foi punido de acordo com o artigo 30.13 do regulamento esportivo, por ter "pilotado o carro de uma maneira que poderia ser considerada potencialmente perigosa para os demais pilotos e qualquer outra pessoa". Já Mark foi enquadrado no artigo 30.9, que só permite a um competidor entrar na pista mediante permissão de um fiscal.

 

Segundo a revista inglesa “Autosport”, o australiano foi instruído pelos fiscais para não entrar na pista ao fim da prova... mas ele entrou assim mesmo, como mostrou um vídeo amador e uma imagem da câmera on board da Ferrari Embora não haja uma proibição clara e nem planos para tornar o caso uma regra, a FIA deve recomendar e coibir a ação dos pilotos em nome da segurança para as próximas corridas. No regulamento deste ano, nem dos anos anteriores, a carona em si não é proibida.


A FIA pretende deixar claro que os pilotos não podem sob nenhuma circunstância entrar no traçado sem a permissão de um fiscal e que também não podem parar para resgatar um colega, como o espanhol fez no domingo.Se não podem dar carona, também não podendo resgatar, atos heroicos como o de David Purley, que tentou tirar Roger Williamson do carro em chamas em Zandvoort e Niki Lauda teria morrido carbonizado em Nurburgring.

 

Menos preciosismo, por favor!

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva

 

 

 

 

Last Updated ( Thursday, 26 September 2013 23:05 )