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Os senhores da lei PDF Print E-mail
Written by Administrator   
Thursday, 19 September 2013 20:47

Caros amigos, depois de termos assistidos – envergonhados – a decisão do STF em acolher apelações para crimes completamente comprovados e conceder aos réus, já condenados, uma – mais uma – chance de reduzir suas penas a ponto de livrá-los da cadeia e até mesmo fazer com que o processo venha a “caducar” (perder o prazo), acabei mudando o projeto da coluna desta semana para falar de justiça. No caso, justiça nas pistas.

 

Rubens Barrichello parece estar fazendo um grande bem para o combalido automobilismo nacional. Com as credenciais de ter disputado 19 temporadas na Fórmula 1 e ser o recordistas em provas disputadas, seria obvio – e salutar – ouvir as opiniões de alguém que viveu tantas e tão intensas experiências na pista.

 

Na reunião dos pilotos – briefing – com o diretor de prova e os comissários, na véspera da corrida do Velopark, disputada no último domingo, Barrichello pediu a palavra e com o apoio de todos (todos?) os pilotos – o que seria um caso raro em qualquer lugar – o piloto, de forma ponderada – mas firme – questionou a atitude dos comissários em relação aos critérios para as punições que vem sendo aplicadas nas corridas da categoria.

 

O caso ilustrado por Rubens Barrichello foi a decisão de punir com um “drive thru” o piloto Átila Abreu após a ultrapassagem deste sobre Max Wilson na etapa anterior, disputada em Cascavel. O questionamento baseia-se no que os pilotos – mais uma vez de forma unânime – consideraram um erro de julgamento e ainda levaram em conta que a manobra foi eleita pelos membros do júri - composto por jornalistas que acompanham a categoria – do “prêmio Shell V-Power” como a melhor ultrapassagem da corrida.

 

Na mesma Cascavel, na primeira corrida disputada no circuito este ano, aconteceram dois lances em uma mesma manobra, desta feita envolvendo o piloto Thiago Camilo onde, na entrada da reta, Cacá Bueno acerta a porta do carro que estava à sua frente para abrir passagem. Com a manobra, perdeu velocidade para fazer a reta, em descida, onde ficam os antigos boxes. Camilo vinha atrás e passou, em uma só manobra, os três carros à sua frente, somando-se a estes Allam Khodair. No final, defendeu a posição antes da tomada da curva... e foi “advertido” pelos comissários! Para Cacá Bueno, que deu na porta do outro carro, nada!

 

São estas “subjetividades” que tem provocado o descontentamento dos pilotos. Contudo, polidamente, Barrichello fez questão de afirmar que a atitude dos pilotos não teve como objetivo causar tumulto ou desrespeitar os comissários, mas sim alertar para o fato de que é preciso repensar certos casos para que não haja erros futuros.

 

Antes que se comece – mais uma vez – a ladainha de que vivemos uma “várzea sobre rodas”, que estamos assistindo “a derrocada do automobilismo brasileiro”, que “as veias abertas do automobilismo brasileiro” estão levando este esporte à ruína, jogando toda a culpa na Confederação Brasileira de Automobilismo, convido a todos a olharmos o que acontece no automobilismo lá fora.

 

Quem não viu o que houve na corrida da Fórmula Indy em Baltimore, onde o acidente (acidente?) entre Will Power e Scott Dixon levou o neozelandês a explodir em fúria e xingamentos contra o diretor de prova, Beaux Barfield? Além de advertido, Dixon foi multado em 30 mil dólares! Quem viu a corrida entre vocês, caros leitores? Eu vi e, sinceramente, não tenho como não desconfiar, especialmente depois do ‘distraído’ mecânico do mesmo Power ter ficado em uma posição, com um pneu na mão, na etapa de Sonoma, de que há uma séria possibilidade de estar havendo má fé.

 

Vamos sair da América e vamos para a Europa, para a Fórmula 1. Adrian Sutil questionou a punição que sofreu no GP da Itália, onde perdeu 3 posições por ter “bloqueado” Lewis Hamilton durante o “Q2”. Apesar do piloto inglês ter declarado que o fato de sutil estar à sua frente não alterou o comportamento do carro, o alemão foi punido do mesmo jeito.

 

A indignação de Sutil é na falta de critérios. Ele alega que, na corrida anterior a esta, na Bélgica, havia três carros à sua frente e que realmente o bloquearam. Contudo, nada foi feito, nem mesmo uma investigação, apesar do protesto da equipe, a Force India. Sutil argumentou que, se as coisas estiverem sendo feitas sempre da mesma forma em todas as provas, não tem problema. O problema é se os critérios mudarem de uma etapa para outra, de um país para o outro.

O alemão foi mais além e relembrou a confusão que ocorreu na entrada da reta do GP da Bélgica, onde quatro carros brigavam por posição e o nosso “campeón bolivariano”, Pastor Maldonado acertou seu companheiro de Force India, Paul Di Resta, tentando ir para os boxes. E que tirou o escocês da corrida.

 

O piloto da Williams foi punido com um “stop-and-go”, mas na visão de Sutil, foi uma punição que não “puniu nada” nem gerou “efeitos práticos” uma vez que ele – Maldonado – já estava ‘fora da corrida’, distante de qualquer disputa por pontos após a batida, e que uma punição mais adequada seria a perda de posições no grid para a corrida seguinte.

 

Se julgar o lógico, o óbvio ululante como o caso do mensalão gera discórdia, o que dizer de uma coisa subjetiva como um fato de corrida?

 

Enquanto isso, no balcão do cafezinho...

 

“Quem persevera, não vence”! Este deve ser o mantra do Mr. Leonard Hindery, organizador do GP (fantasma) de New Jersey. Ele , justificou nesta semana a ausência da etapa na costa leste dos Estados Unidos no calendário provisório para a temporada 2014 da F1, divulgado no início do mês.

 

O motivo teria sido uma dívida com a ACCUS (Automobile Competitions Comittee for the United States), órgão que sanciona corridas de automóvel no país, o que deixou a etapa de fora da programação. Segundo o cartola, a situação deve ser resolvida, no máximo, até hoje – sexta-feira – quando o amigo leitor estiver lendo esta coluna. Hindery declarou ao site “Sport Life”, da Inglaterra, que a organização do GP nunca teve qualquer expectativa de entrar num calendário preliminar e que foram orientados a não fazer nada e ater-se à data de pagamento, dia 20 de setembro.

 

Com o recibo da taxa de sanção em mãos, a ACCUS deve liberar a realização do GP de Nova Jersey. Assim, segundo o dirigente, a prova deve figurar na nova versão do calendário da F1, que será divulgado no fim do mês, durante a reunião do WMSC (Conselho Mundial de Automobilismo, em português) em Dubrovnik, litoral da Croácia. É pagar (literalmente) pra ver.

 

A outra “boa” vinda lá da terra do ‘Tio Sam’ foi a do ‘Gordito’ Montoya. Depois de declarar estar pensando em voltar à Fórmula 1 e tentar um lugar na ‘Nega Genii’ (duvido que ele entrasse no carro), o colombiano assinou contrato com a Penske para 2014 e assumirá o terceiro carro da tradicional equipe, tendo como companheiros de equipe o brasileiro Helio Castroneves e o australiano Will Power.

 

Na Nascar desde meados de 2006 – onde peso e formas arredondadas não são problema – desde quando deixou a F1, Montoya retornou à velha casa, a Chip Ganassi. O problema é que na NASCAR as coisas são mais complicadas... Montoya conquistou apenas duas vitórias – ambas em circuitos mistos. E foi dispensado do time no mês passado. Já na F. Indy, em sua primeira passagem, Montoya disputou as temporadas 1999 e 2000 da Cart, tendo conquistado 11 vitórias – incluindo as 500 Milhas de Indianápolis de 2000 – e um título, o que levou-o para a F1.

 

Vamos ver o que ele vai conseguir fazer neste novo desafio. Há uma conversa de rádio Paddock que o colombiano pode vir a disputar algumas provas na NASCAR também, onde Roger Penske mantém uma equipe, alias, a atual campeã, com Brad Kaselowsky.

 

Para quem não leu, leia a entrevista que Michael Andretti deu ao nosso site falando sobre Fórmula 1. Algo que ele pediu para não comentar foi enfim revelado: o americano considera retornar ao certame agora como dirigente. Quem afirma isso é o pai, Mario Andretti. De acordo com o campeão da F1 de 1978, o que separaria o projeto da teoria para a prática seria uma mudança no regulamento: a permissão para que equipes menores possam comprar carros das maiores, o que já foi possível no passado, nos anos 60/70.

 

Mario afirmou já ter falado com o bom velhinho sobre o assunto segundo o jornal alemão ‘Frankfurter Allgemeine Zeitung’. Ele considera que seria uma forma de novas equipes fazerem parte da F1 e aumentar – com qualidade – o grid atual, mesmo que elas não tenham a própria fábrica. O problema é passar esta ideia goela abaixo dos tubarões do pacto da concórdia. Acredito que a Red Bull toparia, mas McLaren e Ferrari dificilmente cederiam à ideia.

 

Andretti disse, ainda, que não vê problemas em times clientes competirem de igual para igual com as matrizes na F1. “Eu acho a ideia de uma Ferrari pintada de azul ultrapassando uma vermelha bastante interessante. Isso daria à F1 um apelo todo novo” (e o Comendador levantaria do túmulo, certamente).

 

Embora Michael não tenha falado nada sobre o retorno à Fórmula 1, ele já deu os indícios na entrevista que nos deu de que expandir os negócios pode ter a Europa como destino. Além de comandar o time da Indy, Michael já teve cerro inscrito carros na extinta A1GP e está confirmado para participar da temporada de abertura da F-E, no ano que vem.

 

Já que estamos com um pé na Itália, com a ‘famiglia Andreti’, apesar de não ter sido feito o anúncio, vou logo informando por aqui: a Pirelli vai continuar como fornecedora de pneu para a F1 em 2014. Apesar de não ter havido nenhuma comunicação oficial, o fato da empresa italiana já ter fechado com a GP2 e a GP3 para os próximos anos, aponta inclusive para um contrato mais duradouro também com a categoria principal.

 

A declaração de Paul Hembery, diretor-esportivo da Pirelli, celebrando a renovação do contrato com as duas categorias, que fazem a preliminar da maioria das provas do Mundial de F1, afirmando estar muito satisfeito por ver a Pirelli continuar a fornecer seus pneus tanto para a GP3 quanto para a GP2, que já se provaram ser efetivos caminhos para os pilotos que desejam competir nas categorias mais importantes do automobilismo. São importantes campos de treinamento, que já tiveram jovens que avançaram até a F1” e que parte da filosofia na Pirelli sempre foi a de cultivar os futuros campeões, razão pela qual a nossa participação na GP2 e na GP3. Precisa mais?

 

Para quem não lembra ou não sabia, quando Ayrton Senna assinou contrato com a Williams, equipada com motores Renault, o brasileiro teve que pedir desculpas – publicamente – pelas críticas que fez quando a fábrica francesa equipava a Lotus (que era Lotus mesmo). Foi uma exigência dos franceses.

 

Agora a coisa parece que foi no “sentido contrário”. Nesta semana, a emissora finlandesa MTV3 Tulosruutu, informou que Räikkönen exigiu um pedido de desculpas por parte de Luca di Montezemolo, presidente da esquadra vermelha, por conta da demissão de quase quatro anos atrás... e teve o pedido atendido!

 

Enquanto a ‘pirotécnica’ mídia italiana repetia noite e dia que foi um grande erro ter dispensando Kimi em 2009 (eles não falaram isso na época), justamente para ceder espaço para Alonso, "Quando se trata de um pedido de desculpas, eu tenho de entender que o pedido foi uma exigência para a continuidade das negociações com a Ferrari. E foi feito pessoalmente por Montezemolo", disse Oskari Saari, comentarista de F1 da MTV3 Tulosruutu. Mas o comentarista disse que, em determinado momento, o acordo poderia não ter saído por conta disso. Haja vodka!

 

Um pleito de anos tornou-se realidade: A Federação Internacional de Automobilismo conta agora com o reconhecimento plano do Comitê Olímpico Internacional. O anúncio da decisão, tomada no encontro do COI em Buenos Aires entre os dias 7 e 10 deste mês, foi feito na última terça-feira, após a conclusão de um processo que durou dois anos.



Em 2010, os presidentes de cada uma das entidades – Jean Todt e Jacques Rogge, respectivamente – chegaram a um acordo por meio do qual o COI concedeu um reconhecimento parcial à FIA. Nesse meio tempo, a FIA aderiu às normas esportivas do COI e passou a seguir o Código Mundial Antidoping da WADA (Agência Mundial Antidoping). Além disso, também foi criada uma Comissão de Pilotos, que é presidida pelo brasileiro Emerson Fittipaldi.



“O reconhecimento pleno da posição de liderança da FIA na promoção e governança do esporte a motor é um atestado da importância das reformas importantes que nós executamos nos últimos anos para chegar aos melhores padrões esportivos, regulamentais e éticos internacionais”, declarou Todt, que está em campanha para ser reeleito no final do ano.

 

Já pensaram no automobilismo como esporte olímpico? Um “desafio dos campeões”, tipo aquele que fazem todo final de ano, dentro de um estádio, valendo medalha?

 

Um abraço e até a próxima,

 

Fernando Paiva